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Posts Tagged ‘votação’

Por Renato Silvestre

Enquanto dedos distraídos procuram números,
Acordos são acertados na calada da noite,
Podridão em prol do poder!
Vejo interesses sórdidos coligando-se
Vejo mentiras sendo construídas,
Repetidas incessantemente até que se tornem “verdades”.

Vejo camisetas pintadas, muros sujos, “corações sujos”.
Carros coloridos, números, números e números.
Escuto músicas animadas e discursos vazios:
“Mais saúde, educação e trabalho…”,
“Propostas? O que são?”
E tome música, que triste alegria!

Irrito-me com a sujeira que avisto todos os dias,
Ruas, calçadas, a porta da minha casa…
Em campanha vale tudo.
Carreatas com pessoas pendurados em carros,
Cavaletes em esquinas perigosas,
Leis de trânsito? Não conhecem.

Têm nomes engraçados,
Criam bordões que se tornam populares, se fazem de populares.
Os pés pisam lugares antes nunca visitados,
Tapinhas nas costas, beijos nas crianças pobres.
O importante é sair bonito nas fotos, nas pesquisas, nos filmes, no Face.

A cidade pinta-se de cores, alegra-se com bandeiras,
O que elas defendem?
Segredos, mistérios que correm de boca em boca,
De comitê em comitê.

O dinheiro paga a “brava e forte militância”,
ou seriam os “pobre cabos eleitorais”?
O recurso de onde vem?
O que vale é a certeza da comida na mesa.
Por que veste esta camisa?
Quem é seu candidato?
De onde ele veio?
O que faz? O que fez? O que quer fazer?
A ficha será mesmo limpa?

Calados, omissos, patéticos,
Como quem carrega um fardo enorme, caminhamos…
Seguimos pisando a massa podre de papel que entope bueiros.
Santinhos que nada, estão longe disso.
O jogo político é severo, estranho, nebuloso,
As regras nem sempre são tão claras…
Acordinhos, acordões, conchavos. Poder, muito poder!

Vamos lá, aperte o botão, encontre os números.
A combinação certa é possível?
Como achar a senha para a verdade?
Por onde seguir? Em quem acreditar?

Faça sua escolha, lembre-se do tapinha nas costas,
Da sujeira na calçada, do cavalete mal colocado,
Das promessas não compridas, das promessas impossíveis,
Da ausência de propostas, da musiquinha engraçadinha,
Da cara deslavada, da história de vida, dos acordos,
Dos favorzinhos, dos discursos vazios e alianças podres.
Lembre-se de tudo!

 Agora acabou. Aperte o verde, confirme!
“Daqui a quatro anos nos encontramos,
Conto com sua ausência de memória…
Ops, conto com seu voto!”

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