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Posts Tagged ‘público’

Por Renato Silvestre

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado ou prestado serviço para empresas privadas com um mínimo de qualidade sabe o quanto planejamento e manutenção são importantes, seja para manter a produção em pleno vapor, seja para evitar retrabalhos e riscos aos trabalhadores. Essa combinação é o que garante a longevidade dos investimentos realizados em máquinas, ferramentas e na estrutura como um todo, assim como, o equilíbrio econômico da empresa.

No entanto, quando atravessamos a fronteira entre o privado e o público a realidade verificada é outra. Falta planejamento e sobra desperdício de dinheiro dos contribuintes. Veja o exemplo do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Em apenas 12 anos esse grande símbolo do futebol brasileiro já foi “reformado” em duas oportunidades – antes do Mundial de Clubes da Fifa, realizado em 2000 e antes do Pan Americano de 2007 –  e agora está novamente em processo de “preparação”, desta vez para para a Copa do Mundo de 2014. Um absurdo financiado com dinheiro do povo sob a justificativa de que o estádio está ultrapassado e que os critérios internacionais precisam ser atendidos. Uma vergonha sem tamanho!

Quando trazemos essa problemática para a realidade de Cubatão, o que vemos não é muito diferente. A Prefeitura irá gastar cerca de 3 milhões de reais em 1,5 Km da Avenida 9 de Abril, com o objetivo de lhe dar uma nova cara. Tudo maravilhoso ao menos no papel. Mais acessibilidade e um embelezamento que é sempre saudável. Todavia, é preciso relembrar que ainda na administração passada outros muitos milhões foram gastos com o mesmo objetivo e no mesmo local. Vejo nessa situação, um mal que está impregnado no comportamento de nossos políticos, que precisam urgentemente descaracterizar tudo o que foi anteriormente feito e marcar a ferro e fogo o seu nome pelas ruas da cidade. Onde está verde pinta-se de vermelho (veja coluna do Raul Christiano no jornal Povo de Cubatão dessa semana), onde o piso é quadrado coloca-se retangular e assim por diante.

Por outro lado, a ausência de planejamento se verifica também na incapacidade dos governos de manter o patrimônio público devidamente conservado. Lembro, por exemplo, de que em minha infância cansei de brincar nos parques de Cubatão, em especial, no Anilinas e no Cotia-Pará, que se não eram grandes maravilhas do mundo ao menos serviam bem a população. No entanto, com o tempo as manutenções no local foram ficando cada vez mais raras e a atratividade dos parques “brochou”. A obra no Parque Anilinas, que está sendo tocada pela gestão municipal atual, é muito bem vinda, mas é preciso que seja feita com qualidade de mão-de-obra e dos materiais utilizados. Além disso, a manutenção periódica  é essencial. Sem isso, toda a beleza de projetos mirabolantes não resistirão ao sopro do primeiro vento mais forte.

Vou deixar bem claro que gosto de ver obras acontecendo, no entanto, o que me deixaria de fato satisfeito seria presenciar uma política que visasse à manutenção do que foi feito de bom anteriormente e que planejasse o futuro independente de partidarismos. E a manutenção nesse caso não é apenas uma força de expressão, falo também do trabalho prático, árduo e diário para manter o que é público em bom estado de conservação. Por vezes, ao menos o que aparenta a quem, assim como eu, não é partidário de X ou Y, e observa a tudo apenas como cidadão, é que ao assumir uma nova liderança supostamente de oposição em um do cargo do poder executivo, automaticamente deixam-se obras de seu antecessor paradas e mesmo as boas realizações passadas apodrecendo, apenas para se gastar mais posteriormente e se garantir a autoria de uma nova obra. É a política do faz de conta, diga-se de passagem, bem útil para enganar e ganhar votos de uma boa parcela do eleitorado que se encanta com o circo, mas se esquecesse do pão!

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Por Renato Silvestre

Na tarde da última sexta-feira, 15 de julho, um motociclista passava por um cruzamento, mal sinalizado, na Praça Princesa Isabel, no centro de Cubatão, quando recebeu uma pancada violenta no lado direito de sua moto e por consequência em sua perna. A colisão o jogou cerca de 20 metros a diante e chamou a atenção de quem passava pelo local. O impacto foi proveniente de um carro, que de certa maneira, também foi vítima da má sinalização dessas ruas, pois sem as devidas sinalizações, inadvertidamente avançou pelo cruzamento.

A questão da ausência de sinalização, apesar ser fundamental aqui não será tratada. O grande drama vivenciado pelo motociclista começou após o socorro médico. O desespero que já era grande tornou-se maior quando médicos do hospital público, ao qual foi encaminhado e no qual recebeu os primeiros atendimentos, deram a notícia para a família de que a perna do motociclista poderia ser amputada. De fato a lesão foi gravíssima, tendo, inclusive, um dos ossos da perna esfarelado, agora imagine a dor dos familiares, já atordoados com o susto, ao saber dessa possibilidade.

Rapidamente, um dos familiares atentou ao fato de que a vítima possuía convênio médico e, então, todos os trâmites foram realizados e ele imediatamente foi encaminhado para um hospital privado, em Santos. Lá, ele foi atendido emergencialmente e logo a hipótese de amputação foi afastada. A eficiência e o cuidado com que ele foi atendido no hospital privado servem de exemplo ao calamitoso e apocalíptico atendimento público.

Penso se seria papel dos profissionais da saúde pública cogitar e passar a diante logo de cara a pior hipótese, mesmo antes, de se dar um atendimento mais detalhado ou de realizar as devidas intervenções cirúrgicas? Ou o que existe é uma falta da capacitação ou de instrumentos adequados para o melhor atendimento?

No Brasil, diariamente, milhares de pessoas sofrem por culpa de um mau atendimento no sistema público de saúde. Faltam remédios, profissionais especializados, postos de saúde, equipamentos e hospitais com plenas condições de atendimento. Imagino o que seria de uma pessoa que não tivesse a sorte de ter um convênio médico nessa situação. De fato, entre o público e privado, há de mais uma perna de distância.

Não vou aqui defender os planos de saúde, até porque a sua existência e, por conseqüência, o seu enriquecimento é a comprovação da falência da saúde pública no país, mas no atual quadro que vivemos o preço que se paga por um plano pode ser sim a diferença entre um bom atendimento médico e a incógnita dos hospitais públicos brasileiros.

A população que não tem condições de pagar por qualquer um dos diferentes planos de saúde disponíveis padece diante de filas de espera, sofre com a ausência de médicos e a incerteza de um bom atendimento. O caso mencionado é real, mas é apenas um exemplo dentre tantos outros que poderiam ser dados e que dimensionariam perfeitamente a calamidade em que vivemos quando o assunto é saúde pública.

“Cortem as pernas o quanto antes e mandem logo o próximo!”. Lamentável!

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Por Renato Silvestre

O público inquieto aguarda o grande momento. De repente, do palco totalmente escuro surge uma batida pesada. Bumbo, caixa, tons e pratos, todos perfeitamente sincronizados. A galera vai ao delírio. Discretamente, ou nem tanto, ouve-se o macio e racional tocar do contrabaixo, inconfundível. Os fãs vibram. Então, com seis cordas e um som distorcido, em riffs e solos intermináveis – e como seria bom se eles jamais terminassem, porque enquanto dura um solo de guitarra há a certeza da vida – chega-se ao êxtase. O cenário completa-se com a presença quase sempre louca e performática de um vocalista, símbolo e marca fundamental de uma banda de rock.

Obviamente, poderia incluir aí teclados bem elaborados ou, tal como outrora, sintetizadores marcantes, mas para a receita perfeita desse tal de rock’n roll, doses graúdas de bateria, pitadas perfeitas de contrabaixo, guitarras e vocais a gosto já são o suficiente. As letras das músicas nem sempre precisam dizer muito, obviamente também não serão totalmente idiotas, e ainda que digam pouco para os críticos com certeza farão todo sentido para os fãs. Por vezes a ela basta ter aquele sentimento único de transgressão e arte condensados, tudo isso envolto em uma energia contagiante.

Pode ser sujo, como Sex Pistols, Ramones, The Clash e Ratos de Porão, ou quem sabe Nirvana e Pearl Jam. Obscuro como The Doors, Black Sabbath e Raul Seixas, psicodélico como Led Zeppelin, Mutantes e Secos e Molhados. Quem sabe feroz e raivoso como Iron Maiden, Metallica e Sepultura. Poético como Queen, Legião Urbana e Cazuza. Engraçadinho e desbocado como Blink 182, Raimundos, Ultraje a Rigor e Velhas Virgens. Pop, às vezes até demais, como Bon Jovi, Green Day, Aerosmith, Skank, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Titãs. Performático como AC/DC, Kiss e Slipknot ou também politizado como U2, Rage Against the Machine e System of a Down. E até unanimidade como Jimi Hendrix, Elvis Presley, Rolling Stones e Beatles. Fato é que o encanto desse gênero musical, que engloba outros tantos sub-gêneros é algo indecifrável.

Do blues dos negros norte-americanos, fundamentais em sua origem, até a atualidade, o rock transformou-se, solidificou-se e gerou raízes que se espalharam por todo o mundo. Cada país incorporou nele suas próprias características e elementos próprios, recriando-o à sua maneira mais curiosamente fazendo com que o rock se tornasse cada vez mais uma linguagem universal. O que surgiu como música dos guetos rompeu fronteiras, se alastrou e virou tendência não apenas musical, como comportamental e até mesmo de moda. Mesmo quando os artistas pouco se importavam com a imagem, como Kurt Cobain, por exemplo, o seu visual foi cansativamente explorado e copiado mundo afora. Talvez porque parecer ser um ídolo do rock é como fazer o sonho particular de liberdade de cada indivíduo ser cada vez mais real.

A magia do mau e sempre jovem (nada desse papo careta de bom e velho) rock’n roll é interminável. Já tentaram o matar, compraram seu caixão e tentaram o enterrar, mas ele sempre volta e ainda melhor. Nesse 13 de julho, Dia Mundial do Rock, pegue sua guitarra, empunhe seu baixo, baquetas ou simplesmente cante e faça barulho, na garagem ou no banheiro, o importante mesmo é ser tão verdadeiro quanto o encanto maluco e inquebrável desse tal de rock’n roll!

O Dia Mundial do Rock, 13 de julho, é comemorado desde 1985, quando foi realizado o Live Aid Festival, pelo fim da fome na Etiópia. O festival aconteceu simultaneamente na Filadélfia (EUA) e em Londres (Inglaterra) e contou com shows do Black Sabbath, Status Quo, INXS, Loudness, Mick Jagger, David Bowie, Dire Straits, Queen, Judas Priest, Bob Dylan, Duran Duran, Santana, The Who e Phil Collins entre muitos outros. O evento arrecadou mais de 60 milhões de dólares que foram doados aos famintos na África.

É isso, para encerrar este post, Born to be wild de Steppenwolf, em homenagem ao meu saudoso irmão Eduardo, que além de tudo, foi o cara que me apresentou ao mundo do rock!!!

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