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Por Renato Silvestre

Natural e morador de Cubatão, Fábio Oliveira Inácio é secretário de educação da cidade desde o início da gestão Marcia Rosa, em 2009. Aos 38 anos, é Formado em Ciências Sociais (licenciatura) e em Ciências Políticas (bacharelado) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pós-graduado em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atualmente está concluindo o curso de pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio). Em sua carreira como docente já deu aulas de Filosofia, Sociologia, História e Geografia, nas escolas estaduais Afonso Schmidt, Jayme João Olcese, Castelo Branco e José da Costa, e ainda na particular Fortec. Nessa entrevista exclusiva ao blog Conversa Silvestre (publicada em duas partes), Fábio, que é militante desde a década de 80 e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1995, traça um panorama da educação em Cubatão. Fala dos avanços realizados e sobre o que ainda precisa ser feito. Confira:
– Qual o balanço destes três anos a frente da Secretaria Municipal de Educação

Acredito que avançamos muito com o lançamento do PAE – Programa de Atenção à Educação, em novembro de 2009. Entre as realizações de nossa Secretaria aponto o Concurso Público de 2011, que permitiu a contratação de professores, inspetores, secretários de escola; as reformas das unidades escolares, que há muito não passavam por obras significativas; a ampliação do número de vagas na Educação Infantil I (creche); a implantação do Ciclo de Alfabetização, que permitiu um olhar mais atento a essa fase tão importante para nossas crianças. Além disso, tivemos bons resultados no IDEB 2009, na Prova Brasil e na Provinha Brasil. Este ano teremos os novos números do IDEB, que deverão mostrar os resultados de nosso trabalho. Acredito que nossos indicadores estão melhorando graças ao trabalho dos professores e equipes técnicas e às ações da Seduc. Vale destacar que em nosso governo contratamos mais profissionais para completar as equipes técnicas das escolas e avançamos em vários sentidos, como com a aquisição de materiais novos, aumento da inclusão de alunos com deficiência nas escolas, a entrega de notebooks para professores e alunos, aquisição de uniformes e kits escolares, inclusive para a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Enfim, realizamos um dos maiores investimentos na educação e os resultados estão aparecendo, inclusive com o reconhecimento na pesquisa IPAT do Jornal A Tribuna, que coloca o setor da educação como o mais bem avaliado da Baixada Santista, superando de longe todas as outras cidades pesquisadas.

– Ao longo da gestão Marcia Rosa muitas foram as mudanças no secretariado, entretanto, o senhor é um dos poucos que permanece desde 2009, inclusive, como responsável pela Educação desde então. A que razão atribui este fato? 

Vários secretários permaneceram no governo, apenas mudaram de função: José Carlos Ribeiro dos Santos, Silvano Lacerda, Marco Cruz, José Eduardo Limongi, Ronaldo Cardoso, entre outros. Eles apenas trocaram de secretaria, em parte devido à reforma administrativa. Outros, como o Haroldo de Oliveira e o Daniel Losada, saíram e acabaram retornando. Mudanças e ajustes no governo são normais. Além disso, foram pequenas após dois anos de governo. Com relação à minha permanência, não vejo qualquer fato especial. Sou uma pessoa dedicada, que trabalha muito e que tem paciência. Acho que me relaciono bem com as pessoas. Neste governo, temos muitos com esse perfil. Somos uma equipe unida, ao contrário de governos anteriores onde secretários não se falavam.

– Em recente pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), a Educação em Cubatão foi avaliada como ótima ou boa por 51,5% dos entrevistados. Como vê esse resultado?

Fico feliz, pois é o reconhecimento do trabalho dos educadores, da nossa equipe e da prefeita que colocou a educação como um ponto importante, prioritário. Na verdade, se somarmos os que apontaram como regular, teremos mais de 80% de aprovação. A cidade que ficou em segundo lugar teve 38% de ótimo e bom, significa que conseguimos avançar, mas ainda existe muito trabalho para ser feito.

– Uma das primeiras ações visíveis aos cubatenses em termos de educação nessa gestão foi a reforma das escolas, com a derrubada dos muros das escolas e a consequente substituição por grades. Algumas unidades de ensino, como a U.M.E. Estado do Amazonas, foram contrárias à mudança, organizando abaixo-assinado, preocupadas com a segurança dos alunos. Como avalia essa situação? 

Toda vez que vamos fazer uma mudança existe medo, preocupações. Isso é natural do ser humano. Resistir a mudanças. Mas existem vários estudos que apontam que a escola não pode ser parecida com uma prisão, que tem de ser um ambiente agradável, aberto e que a sociedade tenha a possibilidade de ver a escola e a escola veja o que ocorre em seu entorno. A arquitetura não pode ser repressora se queremos uma educação que transforme. É uma ilusão achar que muros solucionam problemas. Aliás, a história mostra que os muros sempre foram usados para segregar, separar, dividir, limitar as liberdades. Se a educação quer transformar a sociedade, não pode parecer uma prisão. As grades foram instaladas já em algumas escolas e não tivemos qualquer problema, ao contrário, hoje, se alguma pessoa pula a grade, é fácil perceber, pois quem passa na rua nota e até liga para a polícia ou mesmo para a escola. Facilitou a segurança, além de ficar um ambiente bem mais agradável.

– Como anda a questão da distribuição dos notebooks aos alunos da rede municipal? Há algum plano para evitar que os alunos sejam vítimas de furtos ou assaltos por estarem portando o equipamento?

Já foram distribuídos 3.000 aparelhos e esse ano vamos distribuir mais 13.000. Os equipamentos têm um sistema onde é possível bloqueá-los quando a pessoa não autorizada entra na internet. Isso torna o aparelho sem utilidade. Além disso, ele tem um design exclusivo, não pode ser desmontado para ser vendido em peças e não tem valor comercial.

– Que tipo de capacitação os professores receberam para que possam estar devidamente preparados a lidar com essa nova ferramenta em sala de aula? De que forma os alunos serão estimulados a utilizar os notebooks para fins escolares?

A rede já tinha três projetos pilotos e todas as unidades têm salas de informática. Os alunos e professores já utilizavam esses equipamentos. Quanto à formação, temos o Centro de Apoio Pedagógico e Formação Continuada, que vai realizar cursos de capacitação permanente para que a ferramenta possa ser utilizada. No entanto, a maioria dos alunos já utiliza a internet para pesquisas, conhecimento, acesso às redes sociais. Isso é uma forma de incluir aqueles que não têm acesso ao equipamento.

– Em caso de danos que requeiram a manutenção dos notebooks, como os alunos e responsáveis deverão proceder?

Eles têm que entrar em contato com a direção da escola, que aciona a Seduc. Caso o aluno queira entrar em contato direto conosco, é necessário ligar para 3362-6252 e falar com o Thiago.

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Comentem e divulguem!

Em breve a segunda parte dessa entrevista.

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Por Renato Silvestre

Nascido em 1953, em Ipacaetá (BA), e morador de Cubatão desde os cinco anos, o vice-prefeito da cidade, Arlindo Fagundes Filho, vive hoje um momento delicado em sua carreira política. Administrador de empresas e contador, Fagundes está rompido, desde 2010, com a prefeita Marcia Rosa, do Partido dos Trabalhadores (PT). Situação que apenas piorou após sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB) – onde era filiado desde 1999, e pelo qual cumpriu mandato de vereador entre 2001 e 2004 – em fevereiro deste ano e sua posterior filiação ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Nesta entrevista ao blog Conversa Silvestre ele fala sobre os motivos que o levaram a tomar essa decisão, os objetivos em seu novo partido, a aliança com antigos prefeitos, o governo e o relacionamento com a atual prefeita, além de afirmar: “Aliar-se à Marcia Rosa foi o maior erro da minha vida”. Confira:

– Já fazem 6 meses que o senhor saiu do PSB e se filiou ao PSDB. Por que tomou essa decisão?

Na verdade, a minha saída do PSB ocorreu em 15 de fevereiro e a minha filiação ao PSDB em 13 de março de 2011. Tomei essa decisão por vários motivos, mas vou citar apenas dois: Minha decisão em mudar de partido tem haver com o meu jeito ético e transparente de lidar com os meus compromissos. Coisa que o atual governo não honrou, nosso acordo em prol da população de Cubatão registrado em documento. Devido a esse desrespeito comigo e com outras pessoas que acreditaram no projeto, que não foi cumprido, decidi tomar novos rumos e vi o PSDB como uma boa opção. Um partido que jamais se venderia ao partido do governo. O outro motivo foi o fato de o PSB ser aliado do governo petista naquele momento e haver um complô orquestrado dentro do governo e de uma ala do PSB, que queriam desgastar – como ocorre até hoje – a minha imagem.

– Após essa decisão o senhor deve ter ouvido muitas críticas, principalmente, porque, hoje o partido no qual desembarcou é em âmbito nacional aquele que mais faz oposição ao PT da prefeita. Considera sua decisão coerente?

Do contrário, ninguém me criticou! Na verdade houve manifestações de apoio, pela minha coragem e sábia decisão. Foi uma decisão correta pelo fato do PSDB ter ideologias políticas diferentes da do partido da prefeita.

– Como foi a recepção em seu novo partido?

Fui muito bem recebido dentro das fileiras do PSDB, onde encontrei amigos, um cenário de união, e onde as discussões são tomadas com coerência e amadurecimento. No PSDB não se discute pessoas, mas ideias.

– Nesse tempo, como tem sido seu cotidiano no Palácio Piaçaguera? Tem sofrido pressões?

Bem, o gabinete do vice-prefeito continua funcionando e atendendo a população normalmente, apesar da prefeita, num ato covarde – porque fui eleito pelo povo, tanto quanto ela –, de perseguição política, ter exonerado os três funcionários do gabinete e transferido o motorista para o gabinete dela. Mas, mesmo assim, com alguns voluntários – esses mesmos funcionários exonerados – continuamos honrando o cargo de vice-prefeito. Tenho sofrido todo tipo pressões e perseguições, imagináveis e inimagináveis. Entretanto, tenho a proteção e a benção de Deus.

– Em entrevista ao jornal A Tribuna, em março deste ano, o senhor afirmou que não conversa com a prefeita Marcia Rosa desde fevereiro de 2010. Como anda essa situação?

Como pessoa a respeito, como qualquer outra. Mas não existe qualquer relação entre o vice-prefeito e a prefeita desde aquela data mencionada na reportagem.

– Como o senhor avalia o governo Marcia Rosa? Quais os maiores erros e virtudes?

Como um desgoverno. Sem metas, sem objetivos. Gasta mal os recursos públicos. Portanto, para mim e mais de 68% da população cubatense é um péssimo governo (confira dados do IPAT), que em apenas dois anos e meio, já trocou mais de 50 secretários. Só de Finanças já foram nove. O que é um absurdo. Erros: Governar com a bandeira do partido (do partido para os partidários), esquecendo de governar para o povo de Cubatão. Virtudes: Desculpe-me, mas diante de um emaranhado de erros e atos incoerentes, não consigo ver virtudes, porque tudo que ela era contra quando vereadora, agora faz igual e muito pior. Além do mais, com um orçamento de 1 bilhão e duzentos milhões, o que tem sido feito é muito pouco. A meu ver, a própria prefeita não se ajuda, pois é uma pessoa que pensa que é a dona da verdade. É hipócrita, arrogante, prepotente, vingativa e trata as oposições como inimigos e não como adversários. Ela é uma artista, quem não a conhece se engana!

– Se pudesse voltar atrás, aceitaria novamente compor chapa com a prefeita?

Não!  De maneira alguma, jamais faria essa loucura. Esse, com certeza, foi o maior erro da minha vida. Essa senhora foi a maior decepção, portanto, jamais estaria ao lado dela novamente.

– Qual sua expectativa em relação às eleições de 2012? O senhor é candidato?

Minha expectativa é de mudança. Consertar o grande erro que cometemos. Coloquei o meu nome como pré-candidato a prefeito pelo meu partido, o PSDB.

– Acredita que a oposição conseguirá unir forças para fazer frente à Marcia Rosa nas próximas eleições?

Penso que sim! E tudo farei para que exista uma força de oposição unida para as próximas eleições. No que depender de mim, estaremos unidos por Cubatão.

– Em 16 de setembro, o PSDB realizou cerimônia de filiação do ex-prefeito Nei Eduardo Serra ao partido. Como vê a chegada do ex-prefeito ao PSDB cubatense?

O PSDB é um partido democrático e aberto à filiação de qualquer cidadão ou cidadã que queira se filiar, como foi o caso do ex-prefeito Nei Eduardo Serra. Ele foi prefeito três vezes, tem suas virtudes e suas falhas, como qualquer pessoa. Tem muita gente que gosta dele, como também, tem outros que não gostam, o que é natural. Na minha avaliação foi muito boa a vinda dele para o PSDB, assim como a de outras lideranças, como: os ex-prefeitos José Osvaldo Passarelli e Carlos Frederico Soares Campos. Além de outros, como o ex-vereador e ex-presidente da Câmara, João Ivaniel de França Abreu, entre outros, que vão contribuir para o crescimento e a grandeza do PSDB.

– O PSDB não teme que a filiação do ex-prefeito aumente a rejeição ao partido na cidade, uma vez que, sua chegada pode nitidamente soar como uma volta do “mais do mesmo” que governou Cubatão por tantos anos?

Penso que não! Mas, essa é uma avaliação que cabe à população. Tem sempre os dois lados, os favoráveis e os contras. Penso que foi correto a vinda dele e de outras lideranças já citados. Um partido grande como o PSDB, que tem ótimas lideranças em Cubatão e na região, apresentará nas próximas eleições propostas de mudanças, mas não podemos ignorar o passado das pessoas que fizeram e fazem parte da história de Cubatão.

– Se pudesse projetar Cubatão para daqui há 10 anos, como seria?

Projetar Cubatão para o futuro (daqui há 10 anos), até tenho essa projeção, mas penso que temos que ouvir a população, fazer ela participar da construção de um projeto para o presente e para o futuro de Cubatão. Cabe ressaltar, que já temos um projeto sério que é a Agenda 21, que tem todo nosso apoio.

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Por Renato Silvestre

Aos 27 anos, o programador e analista de sistemas, Thiago Cavalcante Silva Garcia é desde julho o Coordenador de Políticas Públicas para a Juventude da Prefeitura Municipal de Cubatão. Nascido em Santos, mas morador do Jardim Casqueiro, em Cubatão, desde a infância, Garcia iniciou na militância política aos 16 anos e posteriormente, em 2002 filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 2008, com apoio da ala jovem do partido, foi candidato a vereador, mas não teve sucesso. Nesta entrevista ao blog Conversa Silvestre ele fala sobre o papel da Coordenadoria, o momento da política cubatense e a conturbada eleição do diretório e da executiva do PSB em Cubatão, realizada em 25 de setembro, durante o congresso do partido. Confira:  

– Como e quando iniciou na política? Desde quando é filiado ao PSB?

Iniciei em meados de 2000. Sempre tive muita ojeriza de “política”. Mas acabei me envolvendo por conta de indignação. Professores comentavam na escola como as coisas funcionavam e como deveriam funcionar. Foi quando comecei a me dar conta de que quanto mais a gente se afasta dessas coisas, mais espaços sobram pra quem é mal-intencionado. A verdade é que o quadro político é o que influi diretamente no nosso futuro. Os “políticos” andam com uma vantagem de 4 anos na nossa frente. Eles já sabem e definem o que têm de acontecer. Por conta disso, estamos sempre reféns. Foi justamente por considerar este fato, que acabei me envolvendo na “política”. É uma coisa que você vai entrando com indignação e nem repara. Estou no PSB desde 2002, mas acho que estou de saída, após o último congresso, onde montamos uma chapa e disputamos, mas houve muitas manipulações e verdadeiras trapaças. A última coisa que espero é ficar refém de uma situação destas. Então, estou avaliando.

– Como é o trabalho na Coordenadoria de Políticas para a Juventude?

Assumi a coordenadoria em julho. De fato, até por ter sido criada muito recentemente, ainda não há estrutura. Estou sozinho lá, estruturando e planejando um trabalho, e logo devo começar a montar uma equipe. Mas independente disso, já conseguimos desempenhar alguns trabalhos, como o convênio da Escola Cidade Sustentável, que é um curso de capacitação para jovens. Também organizamos a 2ª Conferência Municipal de Políticas para Juventude. São 2 meses de trabalho que já renderam alguns frutos. E ainda planejo algumas outras ações.

– Qual é o papel da Coordenadoria?

Existem vários recortes e pontos de vista que se encaixam nesse fator. Tenho uma visão, que pode ser diferente de outras. Acredito que num primeiro momento, a Coordenadoria precisa formar quadros e criar cenários, para que suas ações possam ser eficazes. O papel da Coordenadoria é trabalhar de maneira sequencial a desalienação e a politização da faixa etária juvenil. É um processo complexo, se levar em conta que a maioria deles, sequer tem interesse de se informar a respeito das coisas que os rodeiam e influenciam os seus cotidianos. Acho que o primeiro passo é levar esses parâmetros a eles. Fazer com que comecem a despertar para esta realidade e então, iniciar um processo de “politização” no real sentido da palavra. Tem muita gente que confunde politização com arrebanhamento, e isso é um problema grave. Afasta mais ainda o interesse.

– Quais têm sido os principais projetos desenvolvidos e os que pretende elaborar?

Ainda não houve tempo hábil pra consolidar um projeto. Mas a intenção é justamente focar essa questão do desenvolvimento político/cultural do jovem cubatense. Estamos anos-luz atrás de cidades como Santos, por exemplo. E somos cidades vizinhas. Não deveria haver essa disparidade tão grande. A auto-estima é uma questão crucial.

– Como vê a participação dos jovens cubatenses na vida política da cidade?

Sou muito franco ao falar disso. A participação é quase nula, e a pouca que existe, não é feita com protagonismo. É sempre numa situação minimalista ou por conveniência de algum cacique. O que desejo no contexto dos projetos que a Coordenadoria venha a consolidar é criar mecanismos para que o jovem possa falar por si só, e com propriedade.

– Percebe alguma mudança entre os adolescentes da sua época para os de hoje? São mais ou menos participativos?

São menos passivos, mas ainda não são mais participativos. Ainda são arredios às questões políticas, acredito que por conta do que vêem na TV. Acreditam piamente no que vêem na mídia. Não têm o costume de buscar outras fontes e analisar. Mas isso é um processo. E alguém ou alguma coisa precisar dar um “start” nisso. Acho que esse foi o intuito da prefeita Marcia ao criar a Coordenadoria.

– Mudando de assunto, qual a sua visão sobre o conhecido “racha” no PSB cubatense?

Olha, essa visão de racha foi criada única e simplesmente por uma figura ilustre que habita e “racha” o PSB cubatense já há alguns bons anos, o vereador José Aparecido dos Santos – vulgo Dédinho. A verdade é que figuras históricas formadas no PSB como Wagner Moura, Arlindo Fagundes, Marilda Canelas e outros, saíram do partido por conta deste cidadão. Ele foi vereador em São Vicente e em 2004, se não me engano, mandaram ele pra cá. Desde então, são só problemas. A ala a qual eu faço parte e de certa forma “lidero” são os últimos remanescentes da história do PSB. E que se levantou contra as práticas dele. Quanto ao “racha”, o diretório era composto por 25 membros. No inicio o vereador detinha 60% destes sob seu comando. O tempo passou e 18 destes já estavam contra suas condutas. O restante dos membros eram familiares dele e pessoas que ocupavam cargos indicadas por ele. Aí eu pergunto: isso é um racha ou um levante de consciência?

– Como classifica o resultado do último congresso do partido, que definiu a nova executiva e o diretório do PSB em Cubatão, com a vitória do grupo que faz oposição à Marcia Rosa?

Queria deixar claro que a Administração Municipal não colocou um dedo sequer neste processo. Tanto que as novas filiações foram pagas pelos interessados e por nós mesmos. Nós não polarizamos a disputa por conta de ser situação ou oposição. Polarizamos porque não queríamos mais estar reféns das arbitrariedades do nobre vereador. Simples assim. Considero o resultado injusto. Tínhamos 176 filiados contra 137. Ele, junto com um grupo ligado visceralmente ao deputado Marcio França e consequentemente à esfera estadual do partido, fizeram uma manobra digna de um dono de Cassino de Las Vegas. Desapareceram filiações em número suficiente para equiparar a disputa em 137 filiados pra cada lado. É muito estranho isso. Tanto é que a presidente do Partido é a também vicentina Heloisa França, irmã do deputado. O PSB “cubatense” está finalmente descaracterizado por completo. Restando apenas o anúncio da nossa saída com a chegada de um grupo ligado à administração Clermont. É uma pena.

– Nesse sentido, como vê a saída de vice-prefeito Arlindo Fagundes do partido e a sua posterior filiação ao PSDB?

Acho que o Arlindo agiu com coerência, visto do prisma interno do partido. Ninguém suportou as manobras do vereador Dédinho. Nem mesmo o Arlindo. Agora do ponto de vista de cidade, não pegou bem ele sair do campo da esquerda e aterrissar num de direita. Levando em conta que ele foi eleito pelo campo da esquerda.

– O resultado do Congresso é uma mostra de que o partido terá candidato próprio nas próximas eleições e caminhará pela oposição à Marcia?

Não acho. O Dédinho sempre age da mesma forma em todos os aspectos do cotidiano político: coloca na bolsa de valores pra valorizar e depois negocia. Independente da proposta ideológica, ele negocia com todo mundo. É o estilo vicentino de fazer política.

– Como avalia o governo Marcia Rosa?

Obviamente, existem os problemas, os defeitos, mas em suma, aconteceram muito mais coisas na cidade em 3 anos de mandato dela, do que em 8 do Clermont. Pela média, a diferença é esmagadora. Eu não vou comparar com o governo do Passareli e nem do Nei Serra porque eu era totalmente alienado naquela época do ponto de vista político. Mas pelo pouco que pude reparar, não diria que foram melhores não.

– O que acha das constantes trocas de secretários no governo Marcia Rosa?

Eu acho normal se você levar em conta que o mesmo grupo de pessoas governou a cidade por 30 anos. Ninguém além deles conheceu a máquina pública.

– Como vê o quadro político cubatense para as próximas eleições? A oposição conseguirá unir forças para fazer frente à Marcia Rosa, ou a tendência é a reeleição da prefeita?

A oposição não é de viés político. É pessoal. É ego. É aquela coisa de pensar: “Aquele lugar era pra ser meu”. Enquanto for assim, a coisa não avança. Porque você acaba visando apenas o resultado e ignora o que você vai fazer pra alcançá-lo. E isso é ruim em todos os sentidos. Veja o próprio PSB, que se descaracterizou totalmente, não tem mais proposta ideológica e se tornou o reduto dos descontentes com a chegada de várias figuras que se declaram “oposição” – direitistas, independentes, oportunistas. Vai ter de tudo lá dentro agora. Aí eu te pergunto: vale a pena vencer precisando não ser quem você deveria? Acredito que a prefeita se reeleja, porque ela tem um discurso mais coerente que o da oposição. E vale lembrar, oposição que antes dela era situação. Não há uma nova via como eles declaram. Por isso, prefiro acreditar que a melhor saída é a reeleição da prefeita Marcia.

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Por Renato Silvestre

O universo político é algo realmente fascinante, e assim pode ser tanto positivamente como negativamente. O eterno jogo de interesses, a luta interminável por demarcar territórios, fincar bandeiras e se mostrar melhor, ou em muitos casos, “menos pior” que o outro parece interminável. Todavia, torna-se preocupante quando em meio a tantas peças de diferentes cores soltas no mesmo tabuleiro não conseguimos identificar quem é quem.

Não sou especialista no assunto, mas é conhecido de todos que na história partidária brasileira, em meio ao nebuloso e sórdido período militar, entre 1964 e 1980, existiam apenas duas siglas oficiais, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro ). Enquanto a ARENA reunia os aliados do regime militar, o MDB fazia as vezes da oposição, embora um tanto quanto controlada.

Bem, tínhamos ali posições bem definidas e mesmo que dentro do MDB houvesse diversas vertentes era possível notar diferenças em relação à ARENA. Com a divisão do MDB e abertura do sistema político, outras forças partidárias apareceram e algumas se firmaram, como o PMDB, PT, PTB, PSDB, PV, PSB, PDT entre outras legendas.

Fato é que hoje, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, existem no Brasil 27 partidos registrados. Uma imensidão de siglas, cores e símbolos, mas uma total incapacidade de passar ao grande eleitorado a credibilidade necessária, ou mesmo, a “paixão” pelos ideais defendidos por cada um deles, porque afinal, quais são os ideais de cada partido? Alguém sabe?

Oras, quando nem mesmo o único partido que foi capaz de criar uma identidade sólida conseguiu sustentá-la quando começou a ter o “puder ” nas mãos, o que esperar dos outros. Falo sim do PT, que apesar de ter conseguido inegáveis avanços durante o governo Lula, também se deixou atolar na lama e se ver midiatizado pelo “dinheiro na cueca”, “valerioduto” e tantos outros escândalos.

De repente, os comunistas aparecem no comando da gastança de dinheiro público do Ministério dos Esportes para Copa do mundo e Olimpíadas. Os socialistas falam de economia e esquecem do social. Os democratas não entendem o perfeito sentido da palavra. Os trabalhadores operários se esquecem de sua base. Os verdes desbotam. E eu, assim como grande parte dos eleitores, fico cada vez mais confuso. No meio disso tudo, partidos já manjados mudam de nome, políticos nem tão populares criam seus próprios caminhos. E, pronto, a zorra está formada!

Não sou contra a existência dos partidos. Possivelmente seria louco se defendesse a existência de um equilíbrio no mundo político brasileiro sem a existência das legendas. A tal governabilidade seria certamente mais difícil de ser alcançada do que já é hoje. No entanto, os partidos precisam urgentemente repensar suas estratégias de comunicação e, principalmente, de ação para com a população, porque há uma grande e nítida crise de credibilidade, onde as legendas ficam cada vez mais parecidas aos nossos olhos e na dúvida opta-se por um nome, seja ele qualificado ou não, ficha limpa ou suja, mas fundamentalmente popular. Aí, o resto da história já é conhecido!

Tenho a clara percepção que se faz necessário algum tipo de mudança. É preciso mais clareza, seriedade e parar com essa brincadeira de loteamento de cargos públicos. Afinal, o que vale mais, a competência técnica ou a cor da bandeira? Na minha total desfiliação partidária vejo que aquela legenda que primeiro e melhor se remodelar diante dessas necessidades, além de conseguir reforçar a sua identidade e explicar o propósito de sua existência, não apenas se tornará em uma referência como fará um gigante bem para a sociedade.

Enquanto isso, continuemos assistindo a essa interminável e questionável “metamorfose ambulante” de políticos e partidos. Tão diferentes, mas tão iguais!

Musiquinha só para descontrair..rs!

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Abrindo uma exceção aqui neste espaço, por um motivo justíssimo, publico hoje este vídeo bem bacana produzido pelo Vitaum, membro do comando de greve e técnico do setor audiovisual do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Cubatão(IFSP-Cubatão).

Ele que paralelamente, ocupa as funções de professor de Artes e facilitador de teatro, aborda a questão da greve que acontece neste momento na instituição. É muito bom ver sua lucidez e sua coragem para defender, com argumentos, razão e bom humor, os interesses de sua categoria.

Ok, mas o que eu tenho a ver com isso? Bem, fora o fato de eu ter passado quatro anos e meio dentro dessa unidade de ensino e ter vivenciado outras tantas greves como aluno, também sou cidadão preocupado com a educação de qualidade nesse país!

Bem, é isso!

Mais informações sobre a greve, acessem: http://ifspcubataoemgreve.wordpress.com/

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