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Posts Tagged ‘pobreza’

Por Renato Silvestre

Eis que em um país onde o salário mínimo tem um acréscimo de 5,08% chegando ao “extraordinário” valor de R$ 545,00, algo estranho acontece em uma pequena Ilha de Lost do Litoral Paulista.

Os excelentíssimos vereadores municipais de Cubatão aprovaram na última terça-feira, 29 de março, um reajuste de 50% nos salários a serem recebidos a partir de 2013, ou seja, os próximos “abençoados” pela população cubatense passam a ganhar cerca de R$ 10 mil reais.

Sei muito bem que cada coisa é uma coisa e que cada reajuste é um reajuste, mas convenhamos, o que faz dos engravatados mais merecedores do que qualquer um trabalhador brasileiro?

Enquanto a cidade mais parece a Lua com buracos que são verdadeiras crateras, bairros que enchem a cada chuva mais pesada, falta de segurança, problemas na área da saúde e ausência de opções de lazer, os “nobres representantes do povo” permanecem preocupados com seus próprios interesses, com seus próprios ternos e, obviamente, com seus próprios bolsos. Afinal de contas, o que é um salário de R$ 4.817,70, recebidos atualmente, entre tantas outras ajudas de custo? Não é o suficiente?

Cubatão, dentro de todas as suas injustiças sociais, desigualdades e pobreza é apenas um protótipo do que é nosso querido Brasil, com suas politicagens e incoerências. Vale aos cubatenses apenas lembrar quem são os digníssimos vereadores da atual legislatura que aprovaram o “santo salário” e responder nas urnas na próxima eleição. Quem sabe excluindo os “queridos representantes do povo” do direito de usufruir deste novo e pomposo benefício.

Fica a idéia!!!

Mais informações: http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=86282&idDepartamento=5&idCategoria=0&sms_ss=twitter&at_xt=4d92767caf42b7a2,3

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Sejam todos bem-vindos ao Conversa Silvestre, um blog que buscará colocar em  discussão temas interessantes e relevantes sob uma perspectiva diferenciada!  Espero conseguir. Para começar, uma exceção, leiam Mais um dia, um texto que produzi durante a  época da faculdade e que considero importante devido ao tema e o fenômeno do  sangue frio jornalístico. Leiam, opinem, comentem e indiquem!

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Por Renato Silvestre

Apenas mais uma noite fria de inverno. Ruas escuras, pessoas caídas, sujas e    famintas. O que dizer? Para onde olhar? Acreditar? Não. Simplesmente se vive e se  segue adiante como uma locomotiva sem piloto. É mais um dia, 24 horas a mais, ou  seria a menos?

Olhos vermelhos, odores infelizes, olhares desatentos, trajes aos farrapos, falas  desconexas, pessoas, somente pessoas, e em um minuto a invisibilidade. “Olha,  ninguém está me vendo, sou um super-herói!”.

Nada mais incomum que sua própria situação. Terno? Gravata? Sim, está ali,  presente como em uma ficção. Perdido em meio a sua própria história. Um homem, um negro, um brasileiro, um ser humano.

Tráfico, pobreza e cadeia. Um minuto tornam-se anos, anos são séculos, a liberdade é condicional e de repente, a luz! “Agora levo a palavra e conto a minha vida. Querem conhecer?”

E então, partimos, seguindo rumo ao desconhecido tão próximo, com destino incerto e um estranho prazer, talvez, de fato, descobriria o que é a existência. Piso o chão frio e úmido, escuto, anoto, mas principalmente aprendo com a vida, pouco conhecida e agora tão próxima de meus olhos.

Fascinante a face enrugada, rústica e verdadeira. Outro homem, outras histórias, noites à dentro em um oceano de solidão e sonhos. Agora, não mais. Não pega mais peixes, não dorme direito, não vive. Leis? Justiça?

Trajes, fardas, carros coloridos e patentes, sim, essa a única forma de “controle” do indesejável. A distância da praia, dos peixes, do glamour, dos fogos de artifício, a certeza de que o muro está criado, basta agora eletrificar.

Parte da cultura se perde ali, noites regadas a álcool, pó e erva. Há algo semelhante. Baladas, balinhas e bebidas. Está aí, não são tão diferentes. “O que eles precisam é de oportunidade. Saúde, educação e emprego!”.

Será apenas isso?

E a fome bate à porta. Para quem pedir?

– Sai daqui! Não enche o saco! Vai trabalhar vagabundo!

Lembra da luz? Eis que surge novamente. Anjos. Anjos? Sim, estão chegando, vem em suas carruagens de lata, trazem não apenas o pão, a esperança também se mostra presente. Uma mulher, pessoas anônimas, carinho e comoção. A capacidade de se indignar. “Não sou a favor disso, mas faço!”.

Seguimos noite à dentro. Em minutos o corpo para. Momentos de tensão. Lugar estranho. Medo. Breve discussão. Tudo resolvido. “Pode filmar”.

Só quero ouvir histórias e guardar esses momentos, bem guardados em minha mente, mas é claro, te levo na fita. São estrelas, dos trapos à telinha como em um passe de mágica. Isso é certo?
Agora já vai acabar.

– Um abraço Charles Neguinho!

– Até mais seu Manoel!

– Parabéns pelo trabalho dona Maria!

Seguimos do centro a praia, voltamos ao nosso mundo “real”. Matéria feita e entregue, “consciência limpa” e “sensação de dever cumprido”.

Mais um dia, 24 horas a mais, ou seria a menos?
Realmente, somos muito semelhantes.

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Até breve!!!

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