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Posts Tagged ‘olimpíadas’

Por Renato Silvestre

Após a quebra de diversos recordes, muita emoção, felicidades e tristezas, a Olimpíada de Londres chega ao fim neste domingo, Dia dos Pais no Brasil.

Belas imagens ficarão para sempre em nossa memória e um dia seremos felizes em poder contar para nossos filhos e netos que pudemos ver em ação atletas tão fantásticos como Usain Bolt, Michael Phelps, Lebron James, irmãos Falcão, os homens e mulheres do nosso vôlei de quadra e de praia e porque não, o nosso time de basquete, comandados sim por um argentino, e que ressuscitaram o prazer do povo brasileiro de ver um jogo bem jogado de basquete pela camisa verde e amarela.

Vi que por estes dias de emoções olímpicas muitos criticaram nossos atletas, tidos até como amarelões por alguns. Na realidade, a participação do Brasil nos jogos, se considerarmos a estrutura ainda frágil e a ausência de patrocínios e investimento no esporte, foi muito boa.

Como um país poderia esperar alcançar o topo do quadro de medalhas se não vê o esporte como filosofia de vida, como formador de pessoas melhores, como base para uma sociedade mais justa. A grande verdade é que no Brasil ser artista ou atleta de alto nível é uma missão para poucos abnegados, que vez ou outra conseguem se sobressair, sempre pelos seus talentos e árduos trabalhos, mas também com uma pitadinha de sorte.

Durante as Olimpíadas ouvi dos jornalistas e especialistas que cobriram o evento informações e opiniões muito interessantes. Veja que nos Estados Unidos, apenas na natação há mais de 120 mil atletas federados, enquanto no Brasil somos cerca de 30 mil, boa parte treinando com poucos recursos. Lembre que os americanos tem no ensino universitário uma base fortíssima de formação, aperfeiçoamento e afirmação de seus esportistas, enquanto por aqui, pouco valorizamos isso. Ouvi também alguém dizer e concordo que a grande diferença é que enquanto aqui firmamos nossas esperanças nas mãos, braços, pernas, pés e mentes de uma pequena elite (atletas em condições de competir em alto nível) esportiva, em outros países esse primeiro pelotão é sempre muito maior que o nosso.

Esporte é muito mais do que o número de medalhas de quatro em quatro anos. Esporte é saúde, é vida, é aprender a perder e ser forte o bastante para se levantar e seguir em frente com hombridade. Mas, se querem resultados invistam na base, na formação, ofereçam estrutura para que atletas campeões e cidadãos melhores floresceram em cada comunidade pobre deste país, em cada esquina, hoje dominada pelo tráfico e pela violência. Pense, por exemplo, o que poderiam ser as feras Esquiva e Yamaguchi Falcão se tivessem tido uma estrutura decente de treinamento desde pequenos.

Nos próximos quatro anos, o Brasil estará no olho do furacão. Todos se voltarão para este lindo e ainda desigual país para aprender um pouco mais sobre nós e ver se somos realmente capazes, não apenas de organizar grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas como também, capazes de construir um país mais humano e igualitário, que ofereça condições de crescimento e desenvolvimento para todos.

Só para fechar, digo que cobrar estes esportistas que lutam sozinhos, sem o apelo da grande mídia, por vezes sem patrocínios e que mesmo assim não desistem é uma grande covardia. O problema do Brasil não é e nunca foi psicológico, o problema do Brasil é a ausência de uma política esportiva efetiva e de uma massificação real do esporte!

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Por Renato Silvestre

Torcer ou informar com correção? Qual é a função do jornalista? A resposta é óbvia, mas em eventos esportivos de grandes proporções esses dois fatores sempre tendem a se confundir. Neste cenário, a transmissão dos Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, realizada pela Rede Record tem se destacado negativamente e comprovado que, em alguns casos, o que é ruim, pode sim piorar.

Narradores berram desesperadamente, exaltam um Brasil vencedor e fazem o máximo para vender uma competição fantástica e de alto nível, quando na realidade, o Pan não o é! Obviamente, para os atletas e como preparação para as Olimpíadas de 2012, essa é uma competição extremamente relevante, mas que não pode ser colocada no mesmo nível de um torneio de caráter mundial. A emoção é sim necessária, mas a coisa tem sido tão forçada que nem um cego pode acreditar naquilo que os profissionais da emissora tentam passar.

Obviamente, essa não é uma exclusividade da Record. A Rede Globo, por exemplo, historicamente, quando se trata de Seleção Brasileira de Futebol, é muito mais paixão do que razão. Símbolo máximo disso é Galvão Bueno, um ótimo narrador, mas que se perde pela paixão muitas vezes descabida e fora de momento. Oras, não acredito que a audiência da emissora seja tão idiota assim, até porque também faço parte dela. Não adianta falar que o time em campo é fantástico, se o que se vê passa muito longe disso.

Na verdade, o que se pode observar é que por questões mercadológicas exalta-se um Brasil fictício que possivelmente atrai maior audiência do que um país ainda muito aquém do que poderia alcançar diante de suas dimensões. Criam-se belas embalagens verde-amarelas, mas que infelizmente, ainda não refletem a real qualidade do produto. Certamente, alguém pode pensar: “Poxa, mas nos Estados Unidos também fazem um grande estardalhaço em volta de eventos esportivos” ou “a Europa também enfeita bastante em suas competições futebolísticas”. Tudo isso é verdade, mas a diferença é que o que se vende é o que se entrega.

A televisão tem a necessidade nata de prender a audiência pelo espetáculo. Informa-se, mas sempre que possível com entretenimento. Compreendo este fato, mas acredito que por vezes a informação por si só também pode ser atraente sem ser apelativa, forçada e, acima de tudo, sem soar como falsa. Seria interessante para todos, que um dia pudéssemos assistir transmissões equilibradas, sem exageros e que tentassem passar com clareza e opiniões realmente isentas os fatos acontecidos. Enquanto esse dia não chega, prefiro baixar o volume da minha TV a fazer meu ouvido de penico!

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Por Renato Silvestre

Ela correu, correu, correu e com apoio de uma vara saltou perfeitamente os seus 4,85m, as decepções passadas e todas as dificuldades da prática do esporte em seu país para entrar na história. Essa é Fabiana Murer, não apenas a primeira brasileira a ganhar ouro em mundiais de atletismo como também a primeira atleta tupiniquim a conseguir tal façanha.

Isso mesmo, uma façanha sem tamanho, principalmente, porque ela é fruto do país que irá receber uma Olimpíada em 2016, mas que antagonicamente não conta com um programa eficiente de esforços governamentais para disseminar de fato o esporte para sua população. Continuamos a sina de depender exclusivamente da batalha diária de atletas abnegados e exceções talentosas para se ter o brilho dourado nas mais diversas competições de diferentes esportes.

O fantástico ouro de Murer no 13º Mundial de Atletismo, em Daegu (Coreia do Sul), na última terça-feira, a coloca definitivamente no hall dos heróicos esportistas brasileiros e deve ser parabenizada por isso. Estrelas solitárias que brilham muito mais por si só e pelo apoio dos familiares e alguns patrocinadores, do que por terem sido concebidos em um contexto favorável, digno de ser chamado de “potência olímpica”.

Infelizmente, os olhares governamentais estão muito mais preocupados com a torração de dinheiro público em obras fantasiosas do que com a formação de atletas e, obviamente, cidadãos, na essência da palavra. A prática do esporte, independente de qual seja, além do claro benefício à saúde eleva a capacidade do ser humano em conviver com as diferenças e os “diferentes”, proporciona a sabedoria de saber ser grande na vitória e maior ainda a cada derrota, além de ser educadora quanto à prática do trabalho coletivo e da busca pelo bem comum. Ou seja, valores mais que necessários para a formação de uma sociedade digna e respeitável.

Mais uma vez, fica claro que neste país continental, nas mais diferentes áreas de atuação, o que não faltam são talentos prontos para serem descobertos e lapidados. O que precisa ser feito é pensar o esporte como alternativa de vida, gerando oportunidades e propiciando o desenvolvimento humano da juventude brasileira. Tenho certeza que quanto maior for o percentual de esportistas entre nossos jovens cidadãos, inversamente proporcional será o número de envolvidos com a criminalidade.

Que o gigante salto de Fabiana Murer inspire os detentores do poder público a criar políticas efetivas que vislumbrem um esporte levado a sério nas escolas e universidades, e que o sorriso de campeã estampado no rosto dessa única medalhista de ouro torne-se rotina, não apenas no esporte como nas ruas desse país.

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Por Renato Silvestre

Despreparo, corrupção ou malandragem pura, classifique como quiser, mas o fato é que o quanto mais se aproxima a Copa do Mundo de 2014, mas podemos verificar que o Brasil corre sério risco de pagar um mico histórico. A responsabilidade de assumir um compromisso como a realização de um evento esportivo de tal magnitude parece não ter comovido a politicagem nacional. A brincadeira de enrolar com burocracias, joguinhos políticos e interesses escusos, com intuito de promover obras superfaturadas, via de regra, mal executadas, e as pressas, começou desde o anúncio oficial e parece que ainda vai durar um bom tempo.

Por outro lado, a FIFA, entidade maior do futebol, segue com suas exigências absurdas e o que mais quer, de fato, é ver o circo pegar fogo e das cinzas ver nascer árvores e árvores de dinheiro para seus próprios cofres. Vide exemplo da África do Sul, qual o legado da Copa de 2010 para os sofridos sul-africanos? Gigantescos elefantes brancos que em nada motivarão ou ajudarão ao país criar uma política esportiva efetiva, que auxilie suas crianças e jovens. No Brasil, obviamente, não será diferente. Aqui, estádios são usados como muletas e regiões que há muito deveriam ter atenção governamental em serviços básicos, como saúde, saneamento, educação e segurança, precisam de alvos mamutes para que possam sonhar com algum desenvolvimento.

É claro que deveremos fazer a Copa, assim como as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, mas o problema não é ter instalações esportivas de alto nível, o fator relevante e preocupante nesse caso é a custas de que realizaremos tais eventos. É bom relembrar o exemplo do Pan do Rio em 2007: Criaram um estádio que foi repassado para um clube, ou seja, dinheiro público transformado em capital privado; fizeram um centro de esportes aquáticos que em pouco tempo tornou-se obsoleto e terá que ser reformado para ser utilizado nos Jogos Olímpicos; pacificaram a cidade durante um mês e depois tudo voltou ao normal ou pior. Fatos comprovados, que escancaram a precariedade e o amadorismo com o qual a classe política lida com esses eventos.

A politicagem nacional é uma vergonha e apenas reforça o estereótipo do malandro e do jeitinho brasileiro. Maior vexame não será não realizar a Copa a contento, mas sim fazê-la reforçando uma imagem já construída e desperdiçando a oportunidade de mostrar outras características do brasileiro comum para o mundo, como a competência, a vontade de trabalhar e, principalmente, o compromisso e a responsabilidade com aquilo que assume. 

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