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Posts Tagged ‘Lula’

Por Renato Silvestre

O universo político é algo realmente fascinante, e assim pode ser tanto positivamente como negativamente. O eterno jogo de interesses, a luta interminável por demarcar territórios, fincar bandeiras e se mostrar melhor, ou em muitos casos, “menos pior” que o outro parece interminável. Todavia, torna-se preocupante quando em meio a tantas peças de diferentes cores soltas no mesmo tabuleiro não conseguimos identificar quem é quem.

Não sou especialista no assunto, mas é conhecido de todos que na história partidária brasileira, em meio ao nebuloso e sórdido período militar, entre 1964 e 1980, existiam apenas duas siglas oficiais, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro ). Enquanto a ARENA reunia os aliados do regime militar, o MDB fazia as vezes da oposição, embora um tanto quanto controlada.

Bem, tínhamos ali posições bem definidas e mesmo que dentro do MDB houvesse diversas vertentes era possível notar diferenças em relação à ARENA. Com a divisão do MDB e abertura do sistema político, outras forças partidárias apareceram e algumas se firmaram, como o PMDB, PT, PTB, PSDB, PV, PSB, PDT entre outras legendas.

Fato é que hoje, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, existem no Brasil 27 partidos registrados. Uma imensidão de siglas, cores e símbolos, mas uma total incapacidade de passar ao grande eleitorado a credibilidade necessária, ou mesmo, a “paixão” pelos ideais defendidos por cada um deles, porque afinal, quais são os ideais de cada partido? Alguém sabe?

Oras, quando nem mesmo o único partido que foi capaz de criar uma identidade sólida conseguiu sustentá-la quando começou a ter o “puder ” nas mãos, o que esperar dos outros. Falo sim do PT, que apesar de ter conseguido inegáveis avanços durante o governo Lula, também se deixou atolar na lama e se ver midiatizado pelo “dinheiro na cueca”, “valerioduto” e tantos outros escândalos.

De repente, os comunistas aparecem no comando da gastança de dinheiro público do Ministério dos Esportes para Copa do mundo e Olimpíadas. Os socialistas falam de economia e esquecem do social. Os democratas não entendem o perfeito sentido da palavra. Os trabalhadores operários se esquecem de sua base. Os verdes desbotam. E eu, assim como grande parte dos eleitores, fico cada vez mais confuso. No meio disso tudo, partidos já manjados mudam de nome, políticos nem tão populares criam seus próprios caminhos. E, pronto, a zorra está formada!

Não sou contra a existência dos partidos. Possivelmente seria louco se defendesse a existência de um equilíbrio no mundo político brasileiro sem a existência das legendas. A tal governabilidade seria certamente mais difícil de ser alcançada do que já é hoje. No entanto, os partidos precisam urgentemente repensar suas estratégias de comunicação e, principalmente, de ação para com a população, porque há uma grande e nítida crise de credibilidade, onde as legendas ficam cada vez mais parecidas aos nossos olhos e na dúvida opta-se por um nome, seja ele qualificado ou não, ficha limpa ou suja, mas fundamentalmente popular. Aí, o resto da história já é conhecido!

Tenho a clara percepção que se faz necessário algum tipo de mudança. É preciso mais clareza, seriedade e parar com essa brincadeira de loteamento de cargos públicos. Afinal, o que vale mais, a competência técnica ou a cor da bandeira? Na minha total desfiliação partidária vejo que aquela legenda que primeiro e melhor se remodelar diante dessas necessidades, além de conseguir reforçar a sua identidade e explicar o propósito de sua existência, não apenas se tornará em uma referência como fará um gigante bem para a sociedade.

Enquanto isso, continuemos assistindo a essa interminável e questionável “metamorfose ambulante” de políticos e partidos. Tão diferentes, mas tão iguais!

Musiquinha só para descontrair..rs!

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Abrindo uma exceção aqui neste espaço, por um motivo justíssimo, publico hoje este vídeo bem bacana produzido pelo Vitaum, membro do comando de greve e técnico do setor audiovisual do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Cubatão(IFSP-Cubatão).

Ele que paralelamente, ocupa as funções de professor de Artes e facilitador de teatro, aborda a questão da greve que acontece neste momento na instituição. É muito bom ver sua lucidez e sua coragem para defender, com argumentos, razão e bom humor, os interesses de sua categoria.

Ok, mas o que eu tenho a ver com isso? Bem, fora o fato de eu ter passado quatro anos e meio dentro dessa unidade de ensino e ter vivenciado outras tantas greves como aluno, também sou cidadão preocupado com a educação de qualidade nesse país!

Bem, é isso!

Mais informações sobre a greve, acessem: http://ifspcubataoemgreve.wordpress.com/

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Por Renato Silvestre

 

Quando Arnaldo Jabor diz que “José Alencar humilhou a morte” isso não se diz apenas da boca pra fora. O ex-vice-presidente, muito bem sucedido em sua vida pessoal, nos negócios e na política, simplesmente resolveu tomar diante de uma perspectiva sombria a melhor das atitudes, “viver e não ter a vergonha de ser feliz e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”, como diz trecho de bela música de Gonzaguinha.

Provavelmente sem querer, “Zé”, como o ex-presidente Lula carinhosamente o chamava, passou aos brasileiros uma mensagem de sobriedade, serenidade, força de vontade e persistência diante das adversidades. Nada daquela coisa piegas de “sou brasileiro e não desisto nunca”. Sua luta era real, lutando contra um inimigo íntimo que insistiu em maltratá-lo durante seus últimos 13 anos de vida. Uma guerra travada por meio de 15 intervenções cirúrgicas e retiradas de tumores no rim, no estômago, na região do abdômen, na próstata, além de uma cirurgia no coração.

Obviamente, uma pessoal com poucos recursos financeiros ou dependente das filas do sistema público de saúde do Brasil possivelmente não teria grandes chances de sobreviver durante tanto tempo nessa batalha. Mas as mazelas da saúde pública no país é tema para outro post.

A morte de um político de tamanha envergadura moral criará um vazio dentro deste cenário repleto de maus exemplos. Nós, eleitores brasileiros, podemos por vezes fingirmo-nos de cegos e fazermos opções dignas de filmes de comédia, mas por outro lado, é inegável a capacidade da população desta terra tupiniquim de se reconhecer no sofrimento alheio, de tentar compartilhar de uma dor indivisível e, de fato, se comover.

Entre as idas e vindas de Zé ao hospital, o que mais se pode ouvir pelas ruas, bares ou nos sofás das salas mais confortáveis as cadeiras mais humildes nas periferias, foi a expressão de apoio e assombro diante de um homem que ignorou sua condição social, política e estratégica para simplesmente lutar pelo direito de viver. Um Zé, que antes de tudo, deixa seu nome na história política e econômica deste país, principalmente porque, como ele mesmo dizia: ‎”Não tenho medo da morte. Tenho medo da desonra”.

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