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Posts Tagged ‘Kurt Cobain’

Por Renato Silvestre

No último sábado, 23 de julho, quando a notícia da morte de Amy Winehouse surgiu na internet, estranhamente não tive uma reação de surpresa, o que seria comum em casos como esse. O falecimento da jovem e extremamente talentosa cantora, comoveu os fãs e pode ter surpreendido os familiares, no entanto, infelizmente, parecia ser uma notícia já envelhecida.

Amy, tal qual, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Robert Johnson e Kurt Cobain, alguns dos mais criativos músicos da história, morreu aos 27 anos. Uma assombrosa curiosidade e coincidência. Ainda que nem todos tenham oficialmente a causa de suas mortes atrelada às drogas este elemento, que incessantemente faz vítimas pelo mundo todo, esteve presente durante suas curtas vidas. Talvez por isso, o caso de Amy não tenha espantado os mais atentos.

A genialidade e qualidade musical de cada um deles ficaram para a eternidade. Obras repletas de clássicos e um legado absurdamente positivo que ninguém pode apagar. Nesses tais 27 anos de vida, todos eles viveram como se o segundo seguinte fosse realmente seu último segundo. Um imediatismo que rendeu frutos influenciando gerações, mas que aparentemente movia cada um desses artistas na busca constante pelo prazer exacerbado – se é que ele existe – seja pela música ou por meio das drogas. Pareciam saber que aquele resto de whisky no copo poderia ser seu último gole desperdiçado.

É triste ver talentos como Amy partirem tão cedo. Independente de sua música ou comportamento agradar a uns ou outros, não há como negar a altíssima qualidade da cantora. Sei que ainda não foi comprovado que sua morte aconteceu em virtude de uma overdose ou algo semelhante, mas sua partida serve de alerta para muitos. O tortuoso mundo das drogas é um verdadeiro labirinto, onde se perder é comum e achar uma saída é praticamente impossível. Não sou, não fui e possivelmente não serei usuário, mas conheço essa realidade por relatos de amigos e parentes, e percebo que não é nada fácil sair ileso deste mundo!

Também tenho 27 anos, por isso lamento e imagino o quanto cada um desses artistas poderiam ter vivido e contribuído para a música como um todo. Por outro lado, a pouca idade talvez tenha sido o bastante para Amy, e em sua viagem particular, intensa e criativa, o único descanso possível realmente parecia ser a morte. Descanse Amy, descanse!

A música que parece refletir a essência da cantora: ” They tried to make me go to rehab / But I said ‘no, no, no'”

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Por Renato Silvestre

O público inquieto aguarda o grande momento. De repente, do palco totalmente escuro surge uma batida pesada. Bumbo, caixa, tons e pratos, todos perfeitamente sincronizados. A galera vai ao delírio. Discretamente, ou nem tanto, ouve-se o macio e racional tocar do contrabaixo, inconfundível. Os fãs vibram. Então, com seis cordas e um som distorcido, em riffs e solos intermináveis – e como seria bom se eles jamais terminassem, porque enquanto dura um solo de guitarra há a certeza da vida – chega-se ao êxtase. O cenário completa-se com a presença quase sempre louca e performática de um vocalista, símbolo e marca fundamental de uma banda de rock.

Obviamente, poderia incluir aí teclados bem elaborados ou, tal como outrora, sintetizadores marcantes, mas para a receita perfeita desse tal de rock’n roll, doses graúdas de bateria, pitadas perfeitas de contrabaixo, guitarras e vocais a gosto já são o suficiente. As letras das músicas nem sempre precisam dizer muito, obviamente também não serão totalmente idiotas, e ainda que digam pouco para os críticos com certeza farão todo sentido para os fãs. Por vezes a ela basta ter aquele sentimento único de transgressão e arte condensados, tudo isso envolto em uma energia contagiante.

Pode ser sujo, como Sex Pistols, Ramones, The Clash e Ratos de Porão, ou quem sabe Nirvana e Pearl Jam. Obscuro como The Doors, Black Sabbath e Raul Seixas, psicodélico como Led Zeppelin, Mutantes e Secos e Molhados. Quem sabe feroz e raivoso como Iron Maiden, Metallica e Sepultura. Poético como Queen, Legião Urbana e Cazuza. Engraçadinho e desbocado como Blink 182, Raimundos, Ultraje a Rigor e Velhas Virgens. Pop, às vezes até demais, como Bon Jovi, Green Day, Aerosmith, Skank, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Titãs. Performático como AC/DC, Kiss e Slipknot ou também politizado como U2, Rage Against the Machine e System of a Down. E até unanimidade como Jimi Hendrix, Elvis Presley, Rolling Stones e Beatles. Fato é que o encanto desse gênero musical, que engloba outros tantos sub-gêneros é algo indecifrável.

Do blues dos negros norte-americanos, fundamentais em sua origem, até a atualidade, o rock transformou-se, solidificou-se e gerou raízes que se espalharam por todo o mundo. Cada país incorporou nele suas próprias características e elementos próprios, recriando-o à sua maneira mais curiosamente fazendo com que o rock se tornasse cada vez mais uma linguagem universal. O que surgiu como música dos guetos rompeu fronteiras, se alastrou e virou tendência não apenas musical, como comportamental e até mesmo de moda. Mesmo quando os artistas pouco se importavam com a imagem, como Kurt Cobain, por exemplo, o seu visual foi cansativamente explorado e copiado mundo afora. Talvez porque parecer ser um ídolo do rock é como fazer o sonho particular de liberdade de cada indivíduo ser cada vez mais real.

A magia do mau e sempre jovem (nada desse papo careta de bom e velho) rock’n roll é interminável. Já tentaram o matar, compraram seu caixão e tentaram o enterrar, mas ele sempre volta e ainda melhor. Nesse 13 de julho, Dia Mundial do Rock, pegue sua guitarra, empunhe seu baixo, baquetas ou simplesmente cante e faça barulho, na garagem ou no banheiro, o importante mesmo é ser tão verdadeiro quanto o encanto maluco e inquebrável desse tal de rock’n roll!

O Dia Mundial do Rock, 13 de julho, é comemorado desde 1985, quando foi realizado o Live Aid Festival, pelo fim da fome na Etiópia. O festival aconteceu simultaneamente na Filadélfia (EUA) e em Londres (Inglaterra) e contou com shows do Black Sabbath, Status Quo, INXS, Loudness, Mick Jagger, David Bowie, Dire Straits, Queen, Judas Priest, Bob Dylan, Duran Duran, Santana, The Who e Phil Collins entre muitos outros. O evento arrecadou mais de 60 milhões de dólares que foram doados aos famintos na África.

É isso, para encerrar este post, Born to be wild de Steppenwolf, em homenagem ao meu saudoso irmão Eduardo, que além de tudo, foi o cara que me apresentou ao mundo do rock!!!

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Por Renato Silvestre

Eis que quando todos achavam que o RPM estava morto e enterrado pela terceira vez, os bons velhinhos, Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo P.A. Pagni estão de volta. A banda, um fenômeno do rock nacional nos anos 80, gravou seu nome na história da música brasileira com hits como Olhar 43, Louras Geladas, Alvorada Voraz, Rádio Pirata, entre outras, caiu no ostracismo nos anos 90, e após tentativa de ressurreição com lançamento do álbum MTV Ao Vivo em 2002 e nova separação, tenta se reerguer novamente.

O fato é que, infelizmente, pelos egos de seus integrantes ou simplesmente por incompatibilidade musical a banda se perdeu e parece ainda perdida no tempo. Suas músicas, verdadeiras obras primas, principalmente, se considerarmos o aspecto do conteúdo incluído nas letras, fazem um bem “danado” ao atual cenário musical brasileiro, ainda mais se considerarmos a irrelevante “poesia dos meninos teletubbies”, ao qual somos expostos nas supostas rádios rocks e/ou canais musicais. No entanto, é preciso considerar que quase 30 anos após o seu lançamento, o RPM não voltará mais a ser o mesmo, e nem adianta o Paulo Ricardo tentar apelar para o seu tal sexy appeal, um sucesso entre as garotinhas dos anos 80.

O retorno do RPM me cheira, exclusivamente, a um fundo de investimentos do quarteto, talvez um pouco preocupados com suas aposentadorias. É claro que criatividade e capacidade técnica os integrantes da banda esbanjam, mas sua primeira aparição em 2011 no global Domingão do Faustão mostra bem para que, ou para quem, voltaram. Parafraseando o Kurt Cobain, “falta cheiro de espírito jovem”, aliás, falta a energia e a verdade necessária ao rock, o que um dia sobrou ao RPM.

O “rock popular brasileiro” sofre pela ausência de bandas com conteúdo e verdade em seu sua música. O que sobrava em Legião Urbana, Capital Inicial, Ira, Titãs, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso, entre tantos outros artistas de uma farta época de produção musical, parece faltar no que vemos hoje exposto à mídia. Ali havia conteúdo, contestação, despreocupação, originalidade e inspiração para novos artistas, aqui há preocupação exacerbada com a imagem, música em segundo plano e modelinhos pré-confeccionados de sucesso. Lá havia garagem, ainda que fosse de belas casas de classe média, aqui só ficaram estúdios equipados e “paitrocínio” aos filhinhos mimados.

O RPM de volta é um símbolo de como existe um vácuo no cenário e que precisa ser urgentemente preenchido, todavia, não será Paulo Ricardo e sua turma que preencherá esta lacuna, disso eu tenho certeza!


Em 2002, no Programa Bem Brasil, da TV Cultura.

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