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Por Renato Silvestre

Ancarlisson, Amarildo, Eliete de Oliveira e Rafael Max, equipe responsável pelo projeto

Voltado à capacitação de moradores de Cubatão, entre 15 e 29 anos, para o mercado de trabalho e primeiro emprego, o projeto Jovens Capacitadores (JOCAP), está formando sua segunda turma em seu segundo ano de atividades. No total, 46 jovens concluíram sua participação no projeto, que gratuitamente proporciona aulas de Rotinas Administrativas (com módulos de Administração, Contabilidade, Departamento Pessoal e Escritório Fiscal), Informática, Inglês e Dinâmica de Grupo (com foco em comunicação para o trabalho).

A cerimônia de formatura acontece nesta sexta-feira, 9 de dezembro, na sede da Associação São Vicente de Paulo, na Vila Natal, mas a celebração da conclusão das atividades em 2011 começou no último sábado, 3 de dezembro, com o Jocap Social. Um dia dedicado à prestação de serviços à comunidade e que serviu também para colocar em prática o que foi aprendido pelos alunos ao longo do projeto.

O evento contou com a participação da Uniesp – Guarujá, da Fábrica da Comunidade, que ofereceu serviços de manicure, pedicure e cabeleireiro, do Centro Integrado de Enfermagem (Cien), da Agência Brasileira de Emprego e Estágio (ABRE), do DST/AIDS, além de apresentações artísticas do Coral Canto Mágico, Afrobanda Kids, Banda Marcial Infantil e Teatro do Kaos. Ao longo do dia a participação da comunidade foi grande e no período noturno, uma festa a fantasia também agitou a Associação.

Algumas das atividades realizadas durante o JOCAP Social

Segundo o monitor de Inglês do JOCAP, Amarildo de Melo Tenório, a preparação para o evento se deu com grande antecedência e contou com a participação fundamental dos alunos. “O evento começou a ser preparado há um mês e os alunos puderam colocar em prática tudo o que aprenderam ao longo do curso. Eles estiveram envolvidos desde o planejamento até a divulgação, preparação e organização”, explicou.

Um exemplo desse comprometimento foi dado pela formanda Maria Clara Quintiliano Eleotério, de 17 anos. Ela auxiliou na recepção das pessoas logo pela manhã, marcou presença no período da tarde e também esteve presente na organização da festa a noite. Tudo isso, sem perder o bom humor. “Valeu muito a pena, não só pelo evento, como por todo esse período que vivemos no JOCAP. Levo do projeto um grande aprendizado não apenas para a parte profissional como também para meu lado pessoal”, recordou.

Mudando histórias

O poder de transformação das ações do JOCAP vai além da simples capacitação profissional. Passa pela mudança comportamental e chega à ampliação dos horizontes das pessoas envolvidas. Para a formanda Adriana Silva Ferreira, de 29 anos, o tempo que esteve no projeto foi renovador. “Foi muito bom esse ciclo, pude me redescobrir como pessoa. Vejo um horizonte totalmente diferente para minha vida do que o que eu estava acostumada a enxergar. Pensar em cursar uma faculdade para mim era algo impossível, hoje sei que está ali na frente e basta eu dar o primeiro passo. Também tenho vontade de abrir uma empresa, quem sabe para trabalhar com reciclagem”, revelou.

Adriana e Maria Clara, formandas 2011 do JOCAP

Quem também vivenciou essa experiência foi Ancarlisson dos Santos Araújo, que passou de aluno, no primeiro ano do projeto, a monitor de informática da turma que está se formando agora.  “Fui aluno no primeiro JOCAP, por isso sei o que os formandos de 2011 estão sentindo. A experiência como monitor é bastante gratificante, é muito bom acompanhar o desenvolvimento desses jovens. Sempre tive o sonho de passar conhecimento para outras pessoas, mas pensando bem também pude aprender bastante enquanto ensinava para eles”, disse.

Para 2012, o projeto, que tem suas aulas ministradas na UME Luiz Pieruzi Neto e na Sociedade São Vicente de Paulo, ficará sem o atual contrato de patrocínio, por isso os responsáveis já buscam novas alternativas de financiar o trabalho. “Se não conseguirmos um patrocínio semelhante, vamos buscar apoios com empresas parceiras que possam doar materiais, alimentação, apostilas e uniformes. De alguma maneira continuaremos em 2012. Não é um projeto caro, principalmente, se considerarmos os benefícios que são proporcionados para as vidas das pessoas”, diz Amarildo Tenório.

Maiores informações pelos telefones 13 3361-6802 e 13 9703-1922 (Rafael Max), ou através do email ssvpvilanatal@ig.com.br.

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Por Renato Silvestre

Aos 27 anos, o programador e analista de sistemas, Thiago Cavalcante Silva Garcia é desde julho o Coordenador de Políticas Públicas para a Juventude da Prefeitura Municipal de Cubatão. Nascido em Santos, mas morador do Jardim Casqueiro, em Cubatão, desde a infância, Garcia iniciou na militância política aos 16 anos e posteriormente, em 2002 filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 2008, com apoio da ala jovem do partido, foi candidato a vereador, mas não teve sucesso. Nesta entrevista ao blog Conversa Silvestre ele fala sobre o papel da Coordenadoria, o momento da política cubatense e a conturbada eleição do diretório e da executiva do PSB em Cubatão, realizada em 25 de setembro, durante o congresso do partido. Confira:  

– Como e quando iniciou na política? Desde quando é filiado ao PSB?

Iniciei em meados de 2000. Sempre tive muita ojeriza de “política”. Mas acabei me envolvendo por conta de indignação. Professores comentavam na escola como as coisas funcionavam e como deveriam funcionar. Foi quando comecei a me dar conta de que quanto mais a gente se afasta dessas coisas, mais espaços sobram pra quem é mal-intencionado. A verdade é que o quadro político é o que influi diretamente no nosso futuro. Os “políticos” andam com uma vantagem de 4 anos na nossa frente. Eles já sabem e definem o que têm de acontecer. Por conta disso, estamos sempre reféns. Foi justamente por considerar este fato, que acabei me envolvendo na “política”. É uma coisa que você vai entrando com indignação e nem repara. Estou no PSB desde 2002, mas acho que estou de saída, após o último congresso, onde montamos uma chapa e disputamos, mas houve muitas manipulações e verdadeiras trapaças. A última coisa que espero é ficar refém de uma situação destas. Então, estou avaliando.

– Como é o trabalho na Coordenadoria de Políticas para a Juventude?

Assumi a coordenadoria em julho. De fato, até por ter sido criada muito recentemente, ainda não há estrutura. Estou sozinho lá, estruturando e planejando um trabalho, e logo devo começar a montar uma equipe. Mas independente disso, já conseguimos desempenhar alguns trabalhos, como o convênio da Escola Cidade Sustentável, que é um curso de capacitação para jovens. Também organizamos a 2ª Conferência Municipal de Políticas para Juventude. São 2 meses de trabalho que já renderam alguns frutos. E ainda planejo algumas outras ações.

– Qual é o papel da Coordenadoria?

Existem vários recortes e pontos de vista que se encaixam nesse fator. Tenho uma visão, que pode ser diferente de outras. Acredito que num primeiro momento, a Coordenadoria precisa formar quadros e criar cenários, para que suas ações possam ser eficazes. O papel da Coordenadoria é trabalhar de maneira sequencial a desalienação e a politização da faixa etária juvenil. É um processo complexo, se levar em conta que a maioria deles, sequer tem interesse de se informar a respeito das coisas que os rodeiam e influenciam os seus cotidianos. Acho que o primeiro passo é levar esses parâmetros a eles. Fazer com que comecem a despertar para esta realidade e então, iniciar um processo de “politização” no real sentido da palavra. Tem muita gente que confunde politização com arrebanhamento, e isso é um problema grave. Afasta mais ainda o interesse.

– Quais têm sido os principais projetos desenvolvidos e os que pretende elaborar?

Ainda não houve tempo hábil pra consolidar um projeto. Mas a intenção é justamente focar essa questão do desenvolvimento político/cultural do jovem cubatense. Estamos anos-luz atrás de cidades como Santos, por exemplo. E somos cidades vizinhas. Não deveria haver essa disparidade tão grande. A auto-estima é uma questão crucial.

– Como vê a participação dos jovens cubatenses na vida política da cidade?

Sou muito franco ao falar disso. A participação é quase nula, e a pouca que existe, não é feita com protagonismo. É sempre numa situação minimalista ou por conveniência de algum cacique. O que desejo no contexto dos projetos que a Coordenadoria venha a consolidar é criar mecanismos para que o jovem possa falar por si só, e com propriedade.

– Percebe alguma mudança entre os adolescentes da sua época para os de hoje? São mais ou menos participativos?

São menos passivos, mas ainda não são mais participativos. Ainda são arredios às questões políticas, acredito que por conta do que vêem na TV. Acreditam piamente no que vêem na mídia. Não têm o costume de buscar outras fontes e analisar. Mas isso é um processo. E alguém ou alguma coisa precisar dar um “start” nisso. Acho que esse foi o intuito da prefeita Marcia ao criar a Coordenadoria.

– Mudando de assunto, qual a sua visão sobre o conhecido “racha” no PSB cubatense?

Olha, essa visão de racha foi criada única e simplesmente por uma figura ilustre que habita e “racha” o PSB cubatense já há alguns bons anos, o vereador José Aparecido dos Santos – vulgo Dédinho. A verdade é que figuras históricas formadas no PSB como Wagner Moura, Arlindo Fagundes, Marilda Canelas e outros, saíram do partido por conta deste cidadão. Ele foi vereador em São Vicente e em 2004, se não me engano, mandaram ele pra cá. Desde então, são só problemas. A ala a qual eu faço parte e de certa forma “lidero” são os últimos remanescentes da história do PSB. E que se levantou contra as práticas dele. Quanto ao “racha”, o diretório era composto por 25 membros. No inicio o vereador detinha 60% destes sob seu comando. O tempo passou e 18 destes já estavam contra suas condutas. O restante dos membros eram familiares dele e pessoas que ocupavam cargos indicadas por ele. Aí eu pergunto: isso é um racha ou um levante de consciência?

– Como classifica o resultado do último congresso do partido, que definiu a nova executiva e o diretório do PSB em Cubatão, com a vitória do grupo que faz oposição à Marcia Rosa?

Queria deixar claro que a Administração Municipal não colocou um dedo sequer neste processo. Tanto que as novas filiações foram pagas pelos interessados e por nós mesmos. Nós não polarizamos a disputa por conta de ser situação ou oposição. Polarizamos porque não queríamos mais estar reféns das arbitrariedades do nobre vereador. Simples assim. Considero o resultado injusto. Tínhamos 176 filiados contra 137. Ele, junto com um grupo ligado visceralmente ao deputado Marcio França e consequentemente à esfera estadual do partido, fizeram uma manobra digna de um dono de Cassino de Las Vegas. Desapareceram filiações em número suficiente para equiparar a disputa em 137 filiados pra cada lado. É muito estranho isso. Tanto é que a presidente do Partido é a também vicentina Heloisa França, irmã do deputado. O PSB “cubatense” está finalmente descaracterizado por completo. Restando apenas o anúncio da nossa saída com a chegada de um grupo ligado à administração Clermont. É uma pena.

– Nesse sentido, como vê a saída de vice-prefeito Arlindo Fagundes do partido e a sua posterior filiação ao PSDB?

Acho que o Arlindo agiu com coerência, visto do prisma interno do partido. Ninguém suportou as manobras do vereador Dédinho. Nem mesmo o Arlindo. Agora do ponto de vista de cidade, não pegou bem ele sair do campo da esquerda e aterrissar num de direita. Levando em conta que ele foi eleito pelo campo da esquerda.

– O resultado do Congresso é uma mostra de que o partido terá candidato próprio nas próximas eleições e caminhará pela oposição à Marcia?

Não acho. O Dédinho sempre age da mesma forma em todos os aspectos do cotidiano político: coloca na bolsa de valores pra valorizar e depois negocia. Independente da proposta ideológica, ele negocia com todo mundo. É o estilo vicentino de fazer política.

– Como avalia o governo Marcia Rosa?

Obviamente, existem os problemas, os defeitos, mas em suma, aconteceram muito mais coisas na cidade em 3 anos de mandato dela, do que em 8 do Clermont. Pela média, a diferença é esmagadora. Eu não vou comparar com o governo do Passareli e nem do Nei Serra porque eu era totalmente alienado naquela época do ponto de vista político. Mas pelo pouco que pude reparar, não diria que foram melhores não.

– O que acha das constantes trocas de secretários no governo Marcia Rosa?

Eu acho normal se você levar em conta que o mesmo grupo de pessoas governou a cidade por 30 anos. Ninguém além deles conheceu a máquina pública.

– Como vê o quadro político cubatense para as próximas eleições? A oposição conseguirá unir forças para fazer frente à Marcia Rosa, ou a tendência é a reeleição da prefeita?

A oposição não é de viés político. É pessoal. É ego. É aquela coisa de pensar: “Aquele lugar era pra ser meu”. Enquanto for assim, a coisa não avança. Porque você acaba visando apenas o resultado e ignora o que você vai fazer pra alcançá-lo. E isso é ruim em todos os sentidos. Veja o próprio PSB, que se descaracterizou totalmente, não tem mais proposta ideológica e se tornou o reduto dos descontentes com a chegada de várias figuras que se declaram “oposição” – direitistas, independentes, oportunistas. Vai ter de tudo lá dentro agora. Aí eu te pergunto: vale a pena vencer precisando não ser quem você deveria? Acredito que a prefeita se reeleja, porque ela tem um discurso mais coerente que o da oposição. E vale lembrar, oposição que antes dela era situação. Não há uma nova via como eles declaram. Por isso, prefiro acreditar que a melhor saída é a reeleição da prefeita Marcia.

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Por Renato Silvestre

Um trabalho de formiguinha, mas com uma força de gigante. Assim é o projeto Jovens Capacitadores (JOCAP), que é voltado a inclusão de moradores de Cubatão, entre 15 e 29 anos, no mercado de trabalho e primeiro emprego. Com o objetivo de levar qualificação profissional na área administrativa, o projeto proporciona gratuitamente a 54 alunos aulas de Rotinas Administrativas (com módulos de Administração, Contabilidade, Departamento Pessoal e Escritório Fiscal), Informática, Inglês e Dinâmica de Grupo (com foco em comunicação para o trabalho).

Sarah e Rafael, aluna e monitor do Jocap

O JOCAP nasceu em 2009, na Sociedade São Vicente de Paulo, no bairro da Vila Natal, através de um piloto e partindo da necessidade percebida por um de seus atuais monitores, o contador Rafael Max de Souza. Com 13 anos de experiência na área, ele via uma grande lacuna de qualificação entre os jovens da cidade. “No meu escritório, percebia como era grande a dificuldade para conseguir profissionais capacitados. Então pensei em buscar amigos dispostos a trabalhar e desenvolver esse projeto”, recorda Rafael, responsável pelas aulas de rotinas administrativas.

Desde 2010, com o patrocínio da Petrobras, o JOCAP cresceu, conquistou parcerias com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e com a Secretaria de Educação de Cubatão, e tem gerado frutos. No primeiro ano do projeto, entre 40 alunos, 18 ficaram trabalhando no próprio comércio da Sociedade São Vicente de Paulo e cinco conseguiram estágios através do CIEE. “Além da questão da capacitação temos notado uma grande mudança comportamental. Três dos nossos alunos foram até elogiados pelo diretor da escola onde estudam devido à mudança que tiveram. Isso para nós é muito satisfatório”, afirma.

O sucesso do ano passado refletiu na busca por vagas para a turma desse ano. Em apenas dois dias, 160 jovens se inscreveram para o processo de seleção, que incluiu provas de português e matemática. Segundo Eliete Aparecida de Oliveira, pedagoga, monitora das dinâmicas de grupo e coordenadora do projeto, a seleção ajudou a revelar o que os jovens pensam sobre o mercado de trabalho. “Um dos itens do processo seletivo foi uma redação. Verificamos que uma das palavras mais citadas por eles foi ‘oportunidade’. Tudo o que eles querem é ter oportunidade de se especializar, ter uma profissão e trabalhar”, analisa.

A aluna Ione e a coordenadora do projeto Eliete

“Neste segundo ano desenvolvemos um projeto de voluntariado. Como é difícil colocar os jovens no mercado de trabalho, estamos com parceiros que recebem os jovens por um mês para um estágio. Atualmente são quatro alunos trabalhando como voluntários e três profissionalmente”, conta Eliete. Uma dessas voluntárias é a moradora da Vila Esperança, Ione Barbosa Santiago. Aos 19 anos, ela está vivenciando sua primeira experiência no mercado de trabalho, na recepção de uma clínica médica em Cubatão. “Entregava currículos e nada. Todos exigiam experiência. Para mim essa oportunidade foi ótima, estou aprendendo muito e exercitando o conhecimento adquirido no JOCAP”, conta.

Quem também já sente os benefícios proporcionados pelo JOCAP é Sarah Rocha dos Santos, de 18 anos. “Sempre fui muito fechada, não conversava com ninguém. Agora estou interagindo mais com as pessoas. Fiz uma entrevista para o Senai, e fui a única menina entre os 12 que passaram para fazer o curso de Operador de Processos Siderúrgicos. Com a ajuda do pessoal do projeto tudo deu certo”, agradece.

No final de 2011, o projeto que tem suas aulas ministradas na UME Luiz Pieruzi Neto e na Sociedade São Vicente de Paulo ficará sem o patrocínio, por isso os responsáveis já buscam novas alternativas de financiar o trabalho. “Nossa ideia é ampliar o projeto para o próximo ano, aumentando o número de alunos. Estamos em busca de novos patrocinadores, mas o trabalho vem dando tão certo que mesmo que não consigamos vamos dar sequência no projeto por conta própria”, diz Eliete.

Maiores informações pelos telefones 13 3361-6802 e 13 9703-1922 (Rafael), ou através do email ssvpvilanatal@ig.com.br.

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