Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘futebol’

Por Renato Silvestre

Torcer ou informar com correção? Qual é a função do jornalista? A resposta é óbvia, mas em eventos esportivos de grandes proporções esses dois fatores sempre tendem a se confundir. Neste cenário, a transmissão dos Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, realizada pela Rede Record tem se destacado negativamente e comprovado que, em alguns casos, o que é ruim, pode sim piorar.

Narradores berram desesperadamente, exaltam um Brasil vencedor e fazem o máximo para vender uma competição fantástica e de alto nível, quando na realidade, o Pan não o é! Obviamente, para os atletas e como preparação para as Olimpíadas de 2012, essa é uma competição extremamente relevante, mas que não pode ser colocada no mesmo nível de um torneio de caráter mundial. A emoção é sim necessária, mas a coisa tem sido tão forçada que nem um cego pode acreditar naquilo que os profissionais da emissora tentam passar.

Obviamente, essa não é uma exclusividade da Record. A Rede Globo, por exemplo, historicamente, quando se trata de Seleção Brasileira de Futebol, é muito mais paixão do que razão. Símbolo máximo disso é Galvão Bueno, um ótimo narrador, mas que se perde pela paixão muitas vezes descabida e fora de momento. Oras, não acredito que a audiência da emissora seja tão idiota assim, até porque também faço parte dela. Não adianta falar que o time em campo é fantástico, se o que se vê passa muito longe disso.

Na verdade, o que se pode observar é que por questões mercadológicas exalta-se um Brasil fictício que possivelmente atrai maior audiência do que um país ainda muito aquém do que poderia alcançar diante de suas dimensões. Criam-se belas embalagens verde-amarelas, mas que infelizmente, ainda não refletem a real qualidade do produto. Certamente, alguém pode pensar: “Poxa, mas nos Estados Unidos também fazem um grande estardalhaço em volta de eventos esportivos” ou “a Europa também enfeita bastante em suas competições futebolísticas”. Tudo isso é verdade, mas a diferença é que o que se vende é o que se entrega.

A televisão tem a necessidade nata de prender a audiência pelo espetáculo. Informa-se, mas sempre que possível com entretenimento. Compreendo este fato, mas acredito que por vezes a informação por si só também pode ser atraente sem ser apelativa, forçada e, acima de tudo, sem soar como falsa. Seria interessante para todos, que um dia pudéssemos assistir transmissões equilibradas, sem exageros e que tentassem passar com clareza e opiniões realmente isentas os fatos acontecidos. Enquanto esse dia não chega, prefiro baixar o volume da minha TV a fazer meu ouvido de penico!

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

“Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo, brincando ao redor do caminho daquele menino”. Esse verso da bela música Força Estranha, de Caetano Veloso, composta em homenagem ao cantor Roberto Carlos, não tem nada a ver com futebol, mas bem que poderia ter sido elaborado inspirado na trajetória de Rogério Ceni. O menino de Pato Branco (PR), correu, trabalhou muito, cresceu, ganhou títulos e perdeu também, mas hoje, 21 anos após sua chegada ao Morumbi, ao menos para os mais de 15 milhões de são-paulinos se tornou uma lenda, incontestavelmente um mito, o maior jogador da história do clube.

Pouco me recordo dos primeiros jogos de Rogério como titular do São Paulo. Lembro que 1994, em meio a outros tantos meninos ele foi campeão da Copa Conmebol, antes, em 1993, já havia sido campeão e destaque na Copa São Paulo de Juniores, mas poucos poderiam dizer ali que o garoto chegaria tão longe. Ainda que muitos não sejam fãs dele embaixo das traves, ou se renegam a valorizar o atleta, profissional ao extremo e vencedor, sempre relembrando das famosas ajoelhadas, ninguém pode contestar um cara que sendo goleiro faz mais de cem gols e disputa mil jogos envergando uma das mais pesadas camisas do futebol mundial.

Ainda relembro do dia que o bom goleiro começou a se tornar fantástico. Era a tarde de 15 de fevereiro de 1997, e eu e meu pai voltávamos de Santos para Cubatão em nosso fusquinha 79. No rádio uma partida qualquer de futebol, que não chamaria tanta atenção se não fosse o fato do jornalista no plantão de notícias da rodada interromper o narrador para falar que em Araras, interior do estado, o São Paulo estava ganhando do União São João por 2 a 0, com  gol de falta do goleiro Rogério Ceni. Era o primeiro gol dele, um feito ousado e estranho nesse país de atacantes.

Muitos outros gols vieram, muitas alegrias e derrotas cada vez mais dolorosas. Engraçado, como na época das vacas magras, onde poucos foram os Campeonatos Paulistas conquistados (1998 e 2000) e um único Rio-São Paulo (2001), ao menos para mim, sempre ficava a certeza de que o goleiro Rogério Ceni era grande demais perto de muitos de seus companheiros de defesa. Mas há justiça para quem trabalha sério e após 10 anos o São Paulo voltava para Libertadores de América, em 2004. Tive muita sorte, estava lá nas oitavas-de-final contra os argentinos do Rosário Central, quando após a vitória por 2 a 1 no tempo normal o jogo foi para os pênaltis. O monstro cresceu um pouco mais, foram duas defesas e um gol dele, e o Morumbi se rendia ao seu goleiro-artilheiro. Digo que tive sorte, porque ele mesmo gosta de relembrar este jogo como um dos mais importantes em sua carreira.

Bem, veio 2005, o ano da ressurreição tricolor e da consagração de Ceni. A cena do Mito defendendo a perfeita cobrança de Gerrard na final do Mundial de Clubes contra o Liverpool ficará para sempre na memória dos são-paulinos. De quebra o cara foi eleito o melhor jogador da competição e da partida, levantou o sonhado troféu e após 12 anos ajudava a recolocar o Time da Fé no topo do mundo. Se o continente e o mundo já estavam conquistados, faltava brilhar em sua própria terra. Após um longo jejum de 15 anos, 2006 foi o ano de ganhar o Brasileirão. Também estive lá no jogo decisivo contra o Atlético-PR. Muita emoção e o começo de uma série de três títulos consecutivos, sempre regados às defesas milagrosas e gols de Ceni, o que surpreendentemente se tornou comum.

Nunca me encontrei com Rogério, nunca pude agradecer pelas alegrias que ele me proporcionou e ainda me proporciona como ídolo máximo do São Paulo Futebol Clube. Não o conheço, mas é interessante como a cada aparição sua o orgulho de ser tricolor aumenta. O 7 de setembro de 2011,  com o Morumbi lotado, foi pouco. Rogério Ceni merece muito mais, principalmente, porque o tempo passou, mas o menino continua correndo, sonhando e crescendo, tal e qual o São Paulo e a sua torcida. Hoje, Rogério Ceni é o São Paulo e o São Paulo é Rogério Ceni. Vida longa ao Mito!

Isso é emoção. Parabéns Capitão!

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

A cada rodada do Campeonato Brasileiro a cena se repete. Enquanto o Hino Nacional toca nos estádios, torcedores gritam nome de jogadores, de times e, por vezes, esbravejam xingamentos contra os adversários. Um desrespeito enorme e um comportamento muito distante do ideal para uma sociedade que vislumbra ser evoluída e que receberá milhares de turistas em eventos esportivos globais em 2014 e 2016.

A execução do Hino nos estádios, obrigatória em alguns estados brasileiros, como Minas Gerais, Paraná e São Paulo, se tornou um verdadeiro fiasco. Sei que a intenção é positiva, as leis aprovadas e em vigor em cada estado são pertinentes, no entanto, é preciso rever na prática se o objetivo proposto está sendo alcançado.

Fato é que banalizaram o Hino. Poucos se calam ou o cantam diante de sua execução, a postura correta então, esquece! Ninguém lembra mais qual é. Esse belíssimo símbolo nacional, tremendamente bem elaborado, com letra e harmonia perfeitas, ao menos nos estádios de futebol, tornou-se apenas um jingle repetido antes de cada partida por mera formalidade.

Sei que pedir que respeitem a execução do Hino Nacional é muito para uma população que é mal educada desde o berço, seja por famílias tortas seja por escolas desestruturadas. O problema não está somente nessa coisa chamada analfabetismo funcional, mas também em uma falta generalizada de respeito pelos símbolos máximos da terra onde se vive. Talvez porque o próprio país não se dá ao respeito, com seus representantes maiores, aqueles eleitos com nossos votos, dando seguidos maus exemplos, com bizarrices e sujeiras políticas cansativamente repetidas e divulgadas para todos verem.

Faço um apelo aos mesmos políticos que criaram e aprovaram a lei que obriga a execução do Hino Nacional antes de eventos esportivos: Por favor, revejam seus conceitos! Livrem este símbolo brasileiro deste vexame, ele não merece o papel ao qual está sendo colocado. Um papel de coadjuvante, para não dizer de figurante.

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado ou prestado serviço para empresas privadas com um mínimo de qualidade sabe o quanto planejamento e manutenção são importantes, seja para manter a produção em pleno vapor, seja para evitar retrabalhos e riscos aos trabalhadores. Essa combinação é o que garante a longevidade dos investimentos realizados em máquinas, ferramentas e na estrutura como um todo, assim como, o equilíbrio econômico da empresa.

No entanto, quando atravessamos a fronteira entre o privado e o público a realidade verificada é outra. Falta planejamento e sobra desperdício de dinheiro dos contribuintes. Veja o exemplo do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Em apenas 12 anos esse grande símbolo do futebol brasileiro já foi “reformado” em duas oportunidades – antes do Mundial de Clubes da Fifa, realizado em 2000 e antes do Pan Americano de 2007 –  e agora está novamente em processo de “preparação”, desta vez para para a Copa do Mundo de 2014. Um absurdo financiado com dinheiro do povo sob a justificativa de que o estádio está ultrapassado e que os critérios internacionais precisam ser atendidos. Uma vergonha sem tamanho!

Quando trazemos essa problemática para a realidade de Cubatão, o que vemos não é muito diferente. A Prefeitura irá gastar cerca de 3 milhões de reais em 1,5 Km da Avenida 9 de Abril, com o objetivo de lhe dar uma nova cara. Tudo maravilhoso ao menos no papel. Mais acessibilidade e um embelezamento que é sempre saudável. Todavia, é preciso relembrar que ainda na administração passada outros muitos milhões foram gastos com o mesmo objetivo e no mesmo local. Vejo nessa situação, um mal que está impregnado no comportamento de nossos políticos, que precisam urgentemente descaracterizar tudo o que foi anteriormente feito e marcar a ferro e fogo o seu nome pelas ruas da cidade. Onde está verde pinta-se de vermelho (veja coluna do Raul Christiano no jornal Povo de Cubatão dessa semana), onde o piso é quadrado coloca-se retangular e assim por diante.

Por outro lado, a ausência de planejamento se verifica também na incapacidade dos governos de manter o patrimônio público devidamente conservado. Lembro, por exemplo, de que em minha infância cansei de brincar nos parques de Cubatão, em especial, no Anilinas e no Cotia-Pará, que se não eram grandes maravilhas do mundo ao menos serviam bem a população. No entanto, com o tempo as manutenções no local foram ficando cada vez mais raras e a atratividade dos parques “brochou”. A obra no Parque Anilinas, que está sendo tocada pela gestão municipal atual, é muito bem vinda, mas é preciso que seja feita com qualidade de mão-de-obra e dos materiais utilizados. Além disso, a manutenção periódica  é essencial. Sem isso, toda a beleza de projetos mirabolantes não resistirão ao sopro do primeiro vento mais forte.

Vou deixar bem claro que gosto de ver obras acontecendo, no entanto, o que me deixaria de fato satisfeito seria presenciar uma política que visasse à manutenção do que foi feito de bom anteriormente e que planejasse o futuro independente de partidarismos. E a manutenção nesse caso não é apenas uma força de expressão, falo também do trabalho prático, árduo e diário para manter o que é público em bom estado de conservação. Por vezes, ao menos o que aparenta a quem, assim como eu, não é partidário de X ou Y, e observa a tudo apenas como cidadão, é que ao assumir uma nova liderança supostamente de oposição em um do cargo do poder executivo, automaticamente deixam-se obras de seu antecessor paradas e mesmo as boas realizações passadas apodrecendo, apenas para se gastar mais posteriormente e se garantir a autoria de uma nova obra. É a política do faz de conta, diga-se de passagem, bem útil para enganar e ganhar votos de uma boa parcela do eleitorado que se encanta com o circo, mas se esquecesse do pão!

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

A noite de 4 de maio de 2011 será para sempre lembrada pelos aficionados pelo futebol brasileiro como uma jornada infeliz dos representantes do país pela Copa Libertadores de América. Quatro times, quatro histórias diferentes e um único destino, a desclassificação. Cruzeiro, Fluminense, Grêmio e Internacional caíram de forma incontestável, sem erros decisivos das arbitragens e sem motivos para reclamar. Perderam simplesmente porque não jogaram o suficiente, porque não souberam enfrentar seus adversários e o mais relevante, porque esses foram melhores que os brasileiros.

Não vejo soberba ou menosprezo por parte dos clubes nacionais, mesmo sabendo que o torcedor de cada um desses times não pensa dessa forma. Acredito que cada uma das derrotas foram apenas derrotas, simples assim. O futebol é fascinante justamente por isso, porque nem sempre o time que tem mais nome, história ou mesmo, que tenha realizado um maior investimento na montagem do seu elenco vence o de menor expressão. No gramado, com a bola rolando e 22 homens correndo atrás dela, Davi e Golias se igualam. Por 90 minutos o milionário “craque” pode sim ser barrado pelo assalariado e desconhecido aspirante a novo rico.

A história mostra que surpresas no futebol são comuns. No futebol atual não é vergonha perder, a derrota faz parte do jogo, vergonha mesmo é não ver a realidade e continuar a se iludir com a falsa certeza de que os times mais midiáticos para nós serão sempre os vencedores. A grandeza dos clubes brasileiros não está tão somente nos títulos conquistados, mas também em suas torcidas, mais ou menos fanáticas, na capacidade de revelar novos e grandes nomes para o esporte e na busca incansável de querer estar no topo simplesmente para desdenhar do clube vizinho. Essa é graça do futebol que não se pode perder ou se deixar engolir pela onda avassaladora do capitalismo futebolístico.

Vejam como quiser, para mim essas são apenas derrotas, que por coincidência calharam de ocorrer em uma mesma e infeliz noite de quarta-feira. Grandes como são os brasileiros derrotados logo mais estarão encantando e agradando suas torcidas novamente. É preciso aprender também a perder e ser grande de fato, simplesmente reconhecendo nos outros méritos, qualidades, habilidades, técnicas e porque não, a tão cobiçada sorte de campeão.

Olha, por favor, só não me venham com esse papo de que o futebol brasileiro está em decadência, porque já escuto isso no mínimo há uns 20 anos, ou seja, desde quando comecei a gostar do esporte. A cartolagem nacional é irritante, incompetente e atrasada, mas o futebol brasileiro em sua essência seguirá vitorioso, não tenho a menor dúvida.

Clássico e ótimo clipe do Skank que retrata bem essa louca paixão do brasileiro pelo futebol! 

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

“A medida do amor é o amor sem medida”, a frase do escritor e poeta francês, Victor Hugo, já tem em si a essência do que deveriam ser as relações humanas, porque o amor incondicional é a maior prova que todas as barreiras podem ser quebradas quando, de fato, se quer o bem do outro.

Nos últimos dias tivemos na mídia duas manifestações fantásticas de como esse sentimento é forte e realmente supera os pseudo-obstáculos da vida. Dois pais, duas histórias diferentes, mas uma única certeza, o amor paternal acima de tudo. Sim, aqui não falo das mães e de sua conexão com seus filhos, porque este é um sentimento que ainda que existam situações que possam nos provar o contrário, como as que abandonam seus filhos logo após o parto, é algo superior e, porque não, divino. A paternidade, nesse mundo de mães solteiras, tornou-se infelizmente o ponto fraco da instituição conhecida como família, e cada vez mais uma questão judicial e burocrática do que de sentimento.

Os pais aos quais me refiro são o ex-jogador de futebol, Toninho Cerezo, e o apresentador do programa CQC, Marcelo Tas. O primeiro, proveniente de um meio machista, como é o futebol, em carta a Revista Lola de março, entitulada “Dois filhos em um” demonstrou, como se precisasse, todo seu carinho pelo filho Leandro, hoje a Top Model, Lea T. “A paternidade é livre de qualquer padrão, de qualquer critério imposto pela sociedade, filho deve ser aceito na sua totalidade, na sua integral condição de vida, independentemente da sua orientação sexual”, diz Cerezo. Ele ainda divide com todos o seu sentimento em relação a, agora, filha. “Menino ou menina, Leandro ou Lea, não importa mais, sempre serei seu pai e você, orgulhosamente, um pedaço de mim”.

Outro que também aproveitou bem o momento para externar seu amor pela filha foi Tas. Durante a polêmica com o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que se tornou efetivamente mais conhecido por suas declarações preconceituosas do que por algum trabalho que já tenha realizado, Taz revelou que sua filha Luiza é homossexual e que independente de qualquer coisa tem grande orgulho dela. “Essa pessoa que está aqui comigo se chama Luiza, é minha filha, ela estuda Direito. Essa foto foi feita em Washington, onde ela vive hoje, ela ganhou uma bolsa pra ser bolsista da American University, é estagiária da OEA, da Organização dos Estados Americanos, ela é gay e eu tenho muito orgulho de ser pai da Luiza. Tá certo deputado?”, disse Tas.

Em uma sociedade que ainda demonstra ser fraca e limitada com relação à aceitação das diferenças e garantia dos direitos individuais, Marcelo Tas e Toninho Cerezo deram exemplo do que é ser pai, do que é ser cidadão, mas principalmente, do que é ser humano. Provas legítimas de amor e ações concretas contra o preconceito em todas as suas formas.

Read Full Post »

Por Renato Silvestre

Uma banana cai no belo gramado do Emirates Stadium, em Londres, durante amistoso da Seleção Brasileira contra a Escócia. Em Contagem, Minas Gerais, em jogo válido pela semifinal da Superliga masculina de vôlei, um jogador do time Vôlei Futuro é achincalhado durante toda a partida devido a suposto homossexualismo. Enquanto isso, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) exibe seu lado mais podre em infeliz entrevista ao CQC. Esses três casos são apenas pequenas amostras de que ainda vivemos em um mundo preconceituoso.

Oras, a graça de estar em sociedade é lidar com diferenças, aceitar opiniões e gostos diversos, reconhecer no outro, aparentemente tão antagônico, semelhanças que nos surpreendem a cada segundo. Há de se pensar o que acontece com as pessoas. Por que é tão difícil admitir que o outro não seja igual a nós? É necessário deixar claro que felizmente não estamos mais em tempos passados e obscuros, onde o diferente era condenado à forca, queimado em praça pública ou enforcado apenas por não querer ou ser o padrão definido pelos detentores do poder.

A modernização dos meios de comunicação, que expõem intimidades, leva informação e possibilita a disponibilização de conteúdos de forma tão imediata e em grandes volumes deveria quebrar barreiras e transpor o enorme e verdadeiro “Muro da Vergonha”, este gigante obstáculo que ainda parece assombrar a humanidade em sua forma mais íntima e, porque não, em seu subconsciente. No entanto, o que por muitas vezes é possível perceber é que a internet, por exemplo, vira campo de batalha entre quadrados, redondos, moralistas e falso-moralistas, que usam desta terra, ainda tão pouco demarcada, como forma de exacerbar suas opiniões e reforçar preconceitos absurdos.

É preciso derrubar esse muro, enterrar os medos, aceitar as diferenças, pacificar ânimos e, principalmente, respeitar o outro dentro de suas individualidades e de suas escolhas. Cor da pele, religião, opção sexual, classe social, nacionalidade, ou seja lá qual for a característica pessoal de cada um, não define o caráter e não pode servir de escada para o crescimento de uma onda de violência e imbecilidade. É hora do ser humano ver o outro como espelho, afinal, igualdade e fraternidade são precisos se queremos ter uma sociedade de fato livre. Caso contrário, viveremos eternamente isolados, encarcerados e algemados pelos nossos próprios preconceitos.

Read Full Post »