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Posts Tagged ‘estádios’

Por Renato Silvestre

A cada rodada do Campeonato Brasileiro a cena se repete. Enquanto o Hino Nacional toca nos estádios, torcedores gritam nome de jogadores, de times e, por vezes, esbravejam xingamentos contra os adversários. Um desrespeito enorme e um comportamento muito distante do ideal para uma sociedade que vislumbra ser evoluída e que receberá milhares de turistas em eventos esportivos globais em 2014 e 2016.

A execução do Hino nos estádios, obrigatória em alguns estados brasileiros, como Minas Gerais, Paraná e São Paulo, se tornou um verdadeiro fiasco. Sei que a intenção é positiva, as leis aprovadas e em vigor em cada estado são pertinentes, no entanto, é preciso rever na prática se o objetivo proposto está sendo alcançado.

Fato é que banalizaram o Hino. Poucos se calam ou o cantam diante de sua execução, a postura correta então, esquece! Ninguém lembra mais qual é. Esse belíssimo símbolo nacional, tremendamente bem elaborado, com letra e harmonia perfeitas, ao menos nos estádios de futebol, tornou-se apenas um jingle repetido antes de cada partida por mera formalidade.

Sei que pedir que respeitem a execução do Hino Nacional é muito para uma população que é mal educada desde o berço, seja por famílias tortas seja por escolas desestruturadas. O problema não está somente nessa coisa chamada analfabetismo funcional, mas também em uma falta generalizada de respeito pelos símbolos máximos da terra onde se vive. Talvez porque o próprio país não se dá ao respeito, com seus representantes maiores, aqueles eleitos com nossos votos, dando seguidos maus exemplos, com bizarrices e sujeiras políticas cansativamente repetidas e divulgadas para todos verem.

Faço um apelo aos mesmos políticos que criaram e aprovaram a lei que obriga a execução do Hino Nacional antes de eventos esportivos: Por favor, revejam seus conceitos! Livrem este símbolo brasileiro deste vexame, ele não merece o papel ao qual está sendo colocado. Um papel de coadjuvante, para não dizer de figurante.

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Por Renato Silvestre

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado ou prestado serviço para empresas privadas com um mínimo de qualidade sabe o quanto planejamento e manutenção são importantes, seja para manter a produção em pleno vapor, seja para evitar retrabalhos e riscos aos trabalhadores. Essa combinação é o que garante a longevidade dos investimentos realizados em máquinas, ferramentas e na estrutura como um todo, assim como, o equilíbrio econômico da empresa.

No entanto, quando atravessamos a fronteira entre o privado e o público a realidade verificada é outra. Falta planejamento e sobra desperdício de dinheiro dos contribuintes. Veja o exemplo do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Em apenas 12 anos esse grande símbolo do futebol brasileiro já foi “reformado” em duas oportunidades – antes do Mundial de Clubes da Fifa, realizado em 2000 e antes do Pan Americano de 2007 –  e agora está novamente em processo de “preparação”, desta vez para para a Copa do Mundo de 2014. Um absurdo financiado com dinheiro do povo sob a justificativa de que o estádio está ultrapassado e que os critérios internacionais precisam ser atendidos. Uma vergonha sem tamanho!

Quando trazemos essa problemática para a realidade de Cubatão, o que vemos não é muito diferente. A Prefeitura irá gastar cerca de 3 milhões de reais em 1,5 Km da Avenida 9 de Abril, com o objetivo de lhe dar uma nova cara. Tudo maravilhoso ao menos no papel. Mais acessibilidade e um embelezamento que é sempre saudável. Todavia, é preciso relembrar que ainda na administração passada outros muitos milhões foram gastos com o mesmo objetivo e no mesmo local. Vejo nessa situação, um mal que está impregnado no comportamento de nossos políticos, que precisam urgentemente descaracterizar tudo o que foi anteriormente feito e marcar a ferro e fogo o seu nome pelas ruas da cidade. Onde está verde pinta-se de vermelho (veja coluna do Raul Christiano no jornal Povo de Cubatão dessa semana), onde o piso é quadrado coloca-se retangular e assim por diante.

Por outro lado, a ausência de planejamento se verifica também na incapacidade dos governos de manter o patrimônio público devidamente conservado. Lembro, por exemplo, de que em minha infância cansei de brincar nos parques de Cubatão, em especial, no Anilinas e no Cotia-Pará, que se não eram grandes maravilhas do mundo ao menos serviam bem a população. No entanto, com o tempo as manutenções no local foram ficando cada vez mais raras e a atratividade dos parques “brochou”. A obra no Parque Anilinas, que está sendo tocada pela gestão municipal atual, é muito bem vinda, mas é preciso que seja feita com qualidade de mão-de-obra e dos materiais utilizados. Além disso, a manutenção periódica  é essencial. Sem isso, toda a beleza de projetos mirabolantes não resistirão ao sopro do primeiro vento mais forte.

Vou deixar bem claro que gosto de ver obras acontecendo, no entanto, o que me deixaria de fato satisfeito seria presenciar uma política que visasse à manutenção do que foi feito de bom anteriormente e que planejasse o futuro independente de partidarismos. E a manutenção nesse caso não é apenas uma força de expressão, falo também do trabalho prático, árduo e diário para manter o que é público em bom estado de conservação. Por vezes, ao menos o que aparenta a quem, assim como eu, não é partidário de X ou Y, e observa a tudo apenas como cidadão, é que ao assumir uma nova liderança supostamente de oposição em um do cargo do poder executivo, automaticamente deixam-se obras de seu antecessor paradas e mesmo as boas realizações passadas apodrecendo, apenas para se gastar mais posteriormente e se garantir a autoria de uma nova obra. É a política do faz de conta, diga-se de passagem, bem útil para enganar e ganhar votos de uma boa parcela do eleitorado que se encanta com o circo, mas se esquecesse do pão!

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Por Renato Silvestre

Despreparo, corrupção ou malandragem pura, classifique como quiser, mas o fato é que o quanto mais se aproxima a Copa do Mundo de 2014, mas podemos verificar que o Brasil corre sério risco de pagar um mico histórico. A responsabilidade de assumir um compromisso como a realização de um evento esportivo de tal magnitude parece não ter comovido a politicagem nacional. A brincadeira de enrolar com burocracias, joguinhos políticos e interesses escusos, com intuito de promover obras superfaturadas, via de regra, mal executadas, e as pressas, começou desde o anúncio oficial e parece que ainda vai durar um bom tempo.

Por outro lado, a FIFA, entidade maior do futebol, segue com suas exigências absurdas e o que mais quer, de fato, é ver o circo pegar fogo e das cinzas ver nascer árvores e árvores de dinheiro para seus próprios cofres. Vide exemplo da África do Sul, qual o legado da Copa de 2010 para os sofridos sul-africanos? Gigantescos elefantes brancos que em nada motivarão ou ajudarão ao país criar uma política esportiva efetiva, que auxilie suas crianças e jovens. No Brasil, obviamente, não será diferente. Aqui, estádios são usados como muletas e regiões que há muito deveriam ter atenção governamental em serviços básicos, como saúde, saneamento, educação e segurança, precisam de alvos mamutes para que possam sonhar com algum desenvolvimento.

É claro que deveremos fazer a Copa, assim como as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, mas o problema não é ter instalações esportivas de alto nível, o fator relevante e preocupante nesse caso é a custas de que realizaremos tais eventos. É bom relembrar o exemplo do Pan do Rio em 2007: Criaram um estádio que foi repassado para um clube, ou seja, dinheiro público transformado em capital privado; fizeram um centro de esportes aquáticos que em pouco tempo tornou-se obsoleto e terá que ser reformado para ser utilizado nos Jogos Olímpicos; pacificaram a cidade durante um mês e depois tudo voltou ao normal ou pior. Fatos comprovados, que escancaram a precariedade e o amadorismo com o qual a classe política lida com esses eventos.

A politicagem nacional é uma vergonha e apenas reforça o estereótipo do malandro e do jeitinho brasileiro. Maior vexame não será não realizar a Copa a contento, mas sim fazê-la reforçando uma imagem já construída e desperdiçando a oportunidade de mostrar outras características do brasileiro comum para o mundo, como a competência, a vontade de trabalhar e, principalmente, o compromisso e a responsabilidade com aquilo que assume. 

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