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Posts Tagged ‘Cubatão’

??????????????????????????????? Por Renato Silvestre

Por ocasião do III Encontro Nacional dos Conselhos Comunitários Consultivos, estive em 18 de outubro no Polo Petroquímico do Sul, localizado entre as cidades de Triunfo, Montenegro e Nova Santa Rita, a 52 quilômetros de Porto Alegre (RS). Foi muito bom ter a oportunidade de conhecer um polo industrial organizado e bem estruturado, inclusive, em termos logísticos.

O Polo do Sul, inaugurado em 1983, conta hoje com 10 diferentes empresas, onde trabalham mais de seis mil pessoas. Ocupa uma área de mais de 14 mil hectares e conta com cerca de três mil e 600 hectares de área preservada, além de uma estação ambiental.

Foi concebido em uma época onde outros dois grandes polos industriais, o de Cubatão (SP) e o de Camaçari (BA), já haviam sido instalados e, principalmente, no primeiro caso, já eram nítidos os quais eram os impactos de um processo de industrialização desordenado.

O preço do pioneirismo, despreocupado com o meio ambiente e aspectos sociais, pagos por Cubatão, não são os mesmos vividos no sul do país. Lá, as plantas industriais foram instaladas em uma grande área plana, longe de grandes aglomerações humanas, com um anel viário próprio para atender os interesses do polo e com pouco impacto sobre o trânsito entre as cidades. Também é interesse verificar que no Polo do Sul, há uma central de coleta dos efluentes industriais, que capta e trata a água antes de devolvê-la para o meio ambiente.

Obviamente, toda grande concentração industrial causa impactos, ainda que sejam minimizados e controlados, e que o projeto seja concebido baseado nas premissas básicas da sustentabilidade, o equilíbrio entre o social, o ambiental e o econômico, no entanto, conhecer em loco a concepção do Polo do Sul foi a confirmação de que o Polo Industrial de Cubatão precisa buscar novas saídas para seguir evoluindo de forma competitiva e sustentável.

Claro, que as empresas aqui instaladas mudaram há tempos os seus conceitos sobre formas de produção, segurança dos processos, trato com os trabalhadores, relacionamento com a comunidade e cuidado com o meio ambiente, e isso em conjunto com uma maior fiscalização de órgãos governamentais, tem construindo um cenário bem diferente e muito melhor que o do passado. No entanto, principalmente, no que se refere a logística, ainda é preciso que exista um esforço extra das três esferas governamentais para adequar o Polo de Cubatão as necessidades futuras e facilitar o escoamento das produções.

Soluções como um maior investimento em ferrovias e até mesmo em rotas de transporte de cargas pelos rios da região poderiam ser alternativas viáveis para seguir crescendo. A construção da marginal da Rodovia Cônego Domênico Rangoni e as obras no trevo de Cubatão são fundamentais para que a cidade não pare. Como, aliás, vem parando todas as manhãs e finais de tarde. O trânsito é infernal e sofrem, principalmente, os trabalhadores do polo, que perdem horas presos em ônibus, assistindo parados à vida passar pelo acostamento.

É preciso torcer para que as novas obras já não sejam inauguradas saturadas, como tantas outras que vemos nascer Brasil afora. É preciso pensar o Polo Industrial de Cubatão para o futuro, com um planejamento que não existiu no passado. Acredito que se o Sul olhou para cá antes de escrever sua história e aprendeu com erros daqui, agora é a nossa vez de olhar para eles e buscar inspiração naquilo deu certo. A troca de experiências é fundamental e o crescimento mútuo é certo, “basta” vontade política.

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Voltado a crianças do 5º ano do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino, o projeto visa resgatar a importância histórica de Cubatão e promover a conscientização ambiental

Resgatar a importância histórica e cultural da cidade de Cubatão (SP) e despertar o interesse das crianças cubatenses pela cidade onde vivem, além de promover a conscientização ambiental. Esses são os principais objetivos do projeto “Vida e História de Cubatão – Voluntários do rio II”, que será lançado no próximo dia 16 de março, às 15h, no Bloco Cultural de Cubatão, pela Carbocloro em parceria com o seu Conselho Comunitário Consultivo (CCC).

“Voltado aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da rede pública de Cubatão, o projeto nasceu da necessidade de criar ferramentas educacionais atrativas para levar às crianças de Cubatão uma nova forma de ver a cidade onde vivem, promovendo a valorização da história, da cultura e do meio ambiente”, explica Daniel Ravanelli, coordenador do projeto e membro do CCC.

Durante o projeto, que promoverá atividades até o fim do ano letivo de 2012, as crianças de Cubatão poderão participar de uma série de ações gratuitas e exclusivamente pensadas para esse trabalho. Os alunos receberão cartilhas, assistirão a um filme que retrata a história e o desenvolvimento de Cubatão, e participarão de um passeio de barco pelos rios da cidade.

Para Marcio Abreu, diretor Industrial da Carbocloro, desenvolver projetos voltados para crianças é algo fundamental para preservar a história, a cultura e o meio ambiente, já que serão elas as responsáveis pelo futuro da cidade de Cubatão. “O projeto torna-se ainda mais relevante por tratar destes temas de forma lúdica para aqueles que serão seus defensores no futuro, ou seja, as crianças. Acreditamos que é por meio de projetos como esse que daremos continuidade ao processo de melhoria da imagem da cidade, ao mesmo tempo em que trabalhamos a autoestima dos cubatenses”, destaca Abreu.

O projeto, foi desenvolvido através da Lei de Incentivo a Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura e a previsão é de que cerca de 1600 alunos sejam beneficiados pela iniciativa.

As escolas interessadas em participar do projeto devem fazer o agendamento das turmas por meio do site http://www.historiadecubatao.com.br ou através do email historiadecubatao@gmail.com

Atividades

Entre as atividades, haverá a exibição do filme “Cubatão Nota 10”, que inclui opção de audiodescrição para atender as crianças deficientes visuais. Com duração de 30 minutos e utilizando animação e imagens reais de Cubatão, o filme apresenta Jenifer Alcantâra, uma menina cubatense que precisa entregar um trabalho escolar sobre a cidade e acaba participando de uma história fantástica, por meio da qual faz uma viagem histórica por Cubatão e descobre o que a cidade tem de melhor.

Outra atividade do projeto é um passeio de barco com duração de 50 minutos. O trajeto prevê quatro paradas onde serão abordados temas como localização geográfica, vida da população ribeirinha, fauna, flora e conscientização ambiental.

Ao longo do passeio, os alunos preencherão as atividades da cartilha “Vida e História de Cubatão – Juntos, fazendo uma
cidade nota 10!”, que contém brincadeiras e curiosidades sobre a história, a cultura e o meio ambiente da cidade. O conteúdo da cartilha, além de ser trabalhado com os alunos durante as atividades do projeto, poderá servir como material de apoio para as aulas temáticas sobre a cidade.

Ao final, os alunos participarão de uma gincana de desenhos, onde poderão expor o que viram e aprenderam durante as atividades do projeto. Todas as atividades, com exceção da gincana de desenhos, serão realizadas na Náutica da Ilha, na Ilha de Caraguatá, em Cubatão, contando sempre com a supervisão de monitores devidamente treinados.


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Leiam a segunda parte da entrevista com o secretário de educação de Cubatão, Fábio Inácio.

Por Renato Silvestre

 

– De maneira geral, que tipo de estímulo à capacitação e a atualização os professores de Cubatão recebem da Prefeitura Municipal?

Temos o Centro de Apoio Pedagógico e Formação Continuada, onde realizamos cursos como o Ler e Escrever, Alfabetização Matemática, formação do CEALE, entre outros. Temos parcerias importantes na área de formação de professores como o Instituto Avisalá, para a Educação Infantil, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e o Gestar II, uma formação em Matemática e Língua Portuguesa voltada aos professores do Fundamental II.

– Como está sendo tratada a questão da violência nas escolas da cidade, que em outubro passado, ganhou repercussão nacional com o caso ocorrido Unidade Municipal de Ensino Bernardo José Maria de Lorena?

Em geral, o número de casos de violência nas escolas municipais é muito baixo. O caso do Lorena não é comum. Apenas ganhou destaque na imprensa, pois um aluno filmou pelo celular, mas na escola ocorrem várias coisas positivas, como por exemplo, o fato de um aluno ter sido premiado em um concurso de um jornal da região cujo o tema era o combate à violência. Ou mesmo o fato da escola ter sido a que mais aprovou alunos de Cubatão na Escola Técnica Federal. Isso não significa que não trabalhamos o tema da violência e do bullying. Temos orientadores educacionais comprometidos com o trabalho nas unidades de Ensino Fundamental. Há também um trabalho sendo desenvolvido pelo Centro de Apoio Pedagógico – o Educar para a Paz. Vale destacar também a oportunização de outras atividades aos estudantes no contraturno escolar, com o Programa Escola Legal, e o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas que ajudam a combater a violência.

– Considerando as novas áreas populares que estão sendo criadas na cidade com a remoção de parte da população da região da Serra do Mar, como está sendo o processo de remanejamento de vagas nas escolas da cidade? Há vagas para todos?

Esse é um grande trabalho. Estamos no processo de matrículas. A região já recebeu duas novas escolas: uma administrada pelo Município e outra pelo Estado. O governo estadual está construindo outras duas no Bolsão 9. Com a conclusão dessas duas unidades e adequação do atendimento, teremos vagas suficientes para o Ensino Fundamental.

– Como educador, de que forma avalia a inexistência de uma universidade pública em Cubatão?

Toda cidade quer ter uma universidade pública, mas o processo de construção, ou melhor, de implantação, é bastante complexo. Tivemos no passado a oportunidade de ter a POLI-USP e, infelizmente, os gestores da época desperdiçaram a chance de mantê-la. Depois disso, tudo ficou mais difícil. Para voltar a Cubatão, a USP colocou exigências que praticamente inviabilizavam a sua instalação. Em Santos, o Estado deu o prédio. Não exigiu contrapartida financeira. Em Cubatão foi exatamente o contrário. Tínhamos que dar tudo. A Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nos obriga a priorizar a Educação Básica, que vai da creche ao nono ano do Ensino Fundamental. Portanto, só poderemos atuar no Ensino Superior quando conseguirmos atender plenamente este nível de ensino. Já atendemos 100% do Ensino Fundamental e 100% da Pré-escola, mas falta ainda o atendimento pleno na creche. Quando assumi, tínhamos cerca de 800 vagas. Hoje, atendemos mais de 2.600 crianças. Mas ainda temos que avançar mais. A administração tem feito contato com a Universidade Federal do ABC e a Unifesp, na tentativa de trazer um campus para a Cidade, já que com as estaduais a situação está mais complicada. Isso se dá devido à UNESP já ter um campus em São Vicente, a USP estar chegando a Santos (inclusive, segundo informações, eles estão com dificuldades com relação ao local). Além disso, a Unicamp não implanta campus foram da região de Campinas. Claro que como educador e uma pessoa que estudou em Universidade Pública, seria para mim um sonho realizado. Mas por enquanto vamos continuar lutando por isso.

– Quais são os seus principais projetos futuros dentro da Secretaria de Educação?

Bom. Hoje quero consolidar as políticas públicas que já foram implantadas, terminar as tarefas que foram iniciadas e fazer a transição do cargo, pois no dia 30 de março tenho que sair do governo para concorrer a uma vaga na Câmara nas eleições de 2012. Estou deixando a pasta, mas saio muito feliz pelo respeito de todos os professores, diretores, equipes, que sempre me trataram com muito respeito. Feliz também por toda minha equipe, que trabalhou muito, e, em especial, feliz pela confiança que a prefeita Marcia Rosa teve ao me nomear para essa tarefa. Agradeço à minha família, em especial à minha filha e à minha esposa que tiveram que suportar as minhas ausências e todas as tarefas que o cargo exige, ainda mais quando trabalhamos muito, ficamos várias vezes até dez, onze horas da noite na Prefeitura, trabalhando bastante. Isso exigiu um sacrifício familiar muito grande, mas compensou pelo belo trabalho realizado nas escolas e pelo reconhecimento da população.

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Por Renato Silvestre

Natural e morador de Cubatão, Fábio Oliveira Inácio é secretário de educação da cidade desde o início da gestão Marcia Rosa, em 2009. Aos 38 anos, é Formado em Ciências Sociais (licenciatura) e em Ciências Políticas (bacharelado) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pós-graduado em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atualmente está concluindo o curso de pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio). Em sua carreira como docente já deu aulas de Filosofia, Sociologia, História e Geografia, nas escolas estaduais Afonso Schmidt, Jayme João Olcese, Castelo Branco e José da Costa, e ainda na particular Fortec. Nessa entrevista exclusiva ao blog Conversa Silvestre (publicada em duas partes), Fábio, que é militante desde a década de 80 e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1995, traça um panorama da educação em Cubatão. Fala dos avanços realizados e sobre o que ainda precisa ser feito. Confira:
– Qual o balanço destes três anos a frente da Secretaria Municipal de Educação

Acredito que avançamos muito com o lançamento do PAE – Programa de Atenção à Educação, em novembro de 2009. Entre as realizações de nossa Secretaria aponto o Concurso Público de 2011, que permitiu a contratação de professores, inspetores, secretários de escola; as reformas das unidades escolares, que há muito não passavam por obras significativas; a ampliação do número de vagas na Educação Infantil I (creche); a implantação do Ciclo de Alfabetização, que permitiu um olhar mais atento a essa fase tão importante para nossas crianças. Além disso, tivemos bons resultados no IDEB 2009, na Prova Brasil e na Provinha Brasil. Este ano teremos os novos números do IDEB, que deverão mostrar os resultados de nosso trabalho. Acredito que nossos indicadores estão melhorando graças ao trabalho dos professores e equipes técnicas e às ações da Seduc. Vale destacar que em nosso governo contratamos mais profissionais para completar as equipes técnicas das escolas e avançamos em vários sentidos, como com a aquisição de materiais novos, aumento da inclusão de alunos com deficiência nas escolas, a entrega de notebooks para professores e alunos, aquisição de uniformes e kits escolares, inclusive para a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Enfim, realizamos um dos maiores investimentos na educação e os resultados estão aparecendo, inclusive com o reconhecimento na pesquisa IPAT do Jornal A Tribuna, que coloca o setor da educação como o mais bem avaliado da Baixada Santista, superando de longe todas as outras cidades pesquisadas.

– Ao longo da gestão Marcia Rosa muitas foram as mudanças no secretariado, entretanto, o senhor é um dos poucos que permanece desde 2009, inclusive, como responsável pela Educação desde então. A que razão atribui este fato? 

Vários secretários permaneceram no governo, apenas mudaram de função: José Carlos Ribeiro dos Santos, Silvano Lacerda, Marco Cruz, José Eduardo Limongi, Ronaldo Cardoso, entre outros. Eles apenas trocaram de secretaria, em parte devido à reforma administrativa. Outros, como o Haroldo de Oliveira e o Daniel Losada, saíram e acabaram retornando. Mudanças e ajustes no governo são normais. Além disso, foram pequenas após dois anos de governo. Com relação à minha permanência, não vejo qualquer fato especial. Sou uma pessoa dedicada, que trabalha muito e que tem paciência. Acho que me relaciono bem com as pessoas. Neste governo, temos muitos com esse perfil. Somos uma equipe unida, ao contrário de governos anteriores onde secretários não se falavam.

– Em recente pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), a Educação em Cubatão foi avaliada como ótima ou boa por 51,5% dos entrevistados. Como vê esse resultado?

Fico feliz, pois é o reconhecimento do trabalho dos educadores, da nossa equipe e da prefeita que colocou a educação como um ponto importante, prioritário. Na verdade, se somarmos os que apontaram como regular, teremos mais de 80% de aprovação. A cidade que ficou em segundo lugar teve 38% de ótimo e bom, significa que conseguimos avançar, mas ainda existe muito trabalho para ser feito.

– Uma das primeiras ações visíveis aos cubatenses em termos de educação nessa gestão foi a reforma das escolas, com a derrubada dos muros das escolas e a consequente substituição por grades. Algumas unidades de ensino, como a U.M.E. Estado do Amazonas, foram contrárias à mudança, organizando abaixo-assinado, preocupadas com a segurança dos alunos. Como avalia essa situação? 

Toda vez que vamos fazer uma mudança existe medo, preocupações. Isso é natural do ser humano. Resistir a mudanças. Mas existem vários estudos que apontam que a escola não pode ser parecida com uma prisão, que tem de ser um ambiente agradável, aberto e que a sociedade tenha a possibilidade de ver a escola e a escola veja o que ocorre em seu entorno. A arquitetura não pode ser repressora se queremos uma educação que transforme. É uma ilusão achar que muros solucionam problemas. Aliás, a história mostra que os muros sempre foram usados para segregar, separar, dividir, limitar as liberdades. Se a educação quer transformar a sociedade, não pode parecer uma prisão. As grades foram instaladas já em algumas escolas e não tivemos qualquer problema, ao contrário, hoje, se alguma pessoa pula a grade, é fácil perceber, pois quem passa na rua nota e até liga para a polícia ou mesmo para a escola. Facilitou a segurança, além de ficar um ambiente bem mais agradável.

– Como anda a questão da distribuição dos notebooks aos alunos da rede municipal? Há algum plano para evitar que os alunos sejam vítimas de furtos ou assaltos por estarem portando o equipamento?

Já foram distribuídos 3.000 aparelhos e esse ano vamos distribuir mais 13.000. Os equipamentos têm um sistema onde é possível bloqueá-los quando a pessoa não autorizada entra na internet. Isso torna o aparelho sem utilidade. Além disso, ele tem um design exclusivo, não pode ser desmontado para ser vendido em peças e não tem valor comercial.

– Que tipo de capacitação os professores receberam para que possam estar devidamente preparados a lidar com essa nova ferramenta em sala de aula? De que forma os alunos serão estimulados a utilizar os notebooks para fins escolares?

A rede já tinha três projetos pilotos e todas as unidades têm salas de informática. Os alunos e professores já utilizavam esses equipamentos. Quanto à formação, temos o Centro de Apoio Pedagógico e Formação Continuada, que vai realizar cursos de capacitação permanente para que a ferramenta possa ser utilizada. No entanto, a maioria dos alunos já utiliza a internet para pesquisas, conhecimento, acesso às redes sociais. Isso é uma forma de incluir aqueles que não têm acesso ao equipamento.

– Em caso de danos que requeiram a manutenção dos notebooks, como os alunos e responsáveis deverão proceder?

Eles têm que entrar em contato com a direção da escola, que aciona a Seduc. Caso o aluno queira entrar em contato direto conosco, é necessário ligar para 3362-6252 e falar com o Thiago.

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Comentem e divulguem!

Em breve a segunda parte dessa entrevista.

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Por Renato Silvestre

Apesar dos poucos quilômetros entre a minha casa, em Cubatão, e as praias de Santos, tenho que admitir que estou longe, muito longe, de ser um frequentador da bela orla santista. Todavia, neste domingo, aproveitando-me da presença de parentes do interior de São Paulo que vieram curtir o Litoral no fim de semana, resolvi ir ao local.

Dia lindo e céu azul, mas infelizmente, nem tudo são flores. Decidimos que ficaríamos nas imediações do Canal 3. Como de praxe procuramos uma daquelas barraquinhas que ficam na praia e contam com um vasto “arsenal” de cadeiras e mesas a disposição.

Logo de cara nos deparamos com atendentes extremamente despreparados e com um mau humor visível. Qual não foi a nossa surpresa, quando fomos informados que para usarmos mais do que um espaço (guarda-sol, cadeiras e mesas) teríamos que pagar por isso. Mas a coisa não parou por aí. Minutos depois, como decidimos que ocuparíamos apenas um dos espaços e o restante do que iríamos precisar complementaríamos com material nosso (guarda-sol e cadeira de praia) o mesmo atendente voltou e disse que para ficar ali seria cobrada taxa de 15 reais.  Então, esquecemos o material da barraquinha e ficamos apenas com o nosso.

Todos ficaram indignados, até porque sempre soubemos que o uso de cadeiras, mesas e guarda-sóis dessas barraquinhas se pagava com o próprio consumo no “estabelecimento”. Apesar de não concordar plenamente, vejo isso como o mais justo e correto, porque afinal, a praia é um espaço público e por assim ser não deve ser loteada ou terceirizada. Esses meus parentes costumam vir e frequentar diversas praias aqui na Baixada Santista e ficaram abismados. No sábado, por exemplo, eles estiveram em Guarujá e lá não enfrentaram problemas como esses.

Esse foi apenas um caso, mas, ao menos para mim, foi o suficiente para perceber o quanto ainda falta preparo e capacitação para esses vendedores das praias do nosso litoral. Sei que tem muita gente competente, de boa conversa e que se porta realmente como um amigo do turista, mas o contrário também é verdade. Tenho certeza que esses meus familiares da próxima vez que estiverem por aqui não vão pensar duas vezes para escolher entre Santos e Guarujá. São esses pequenos detalhes que fazem uma grande diferença na hora da avaliação do turista a respeito do destino que escolheu.

Fico triste, pois recordo o quanto era bom quando em minha infância desfrutava com meus pais e meu irmão das praias da Baixada sem nos preocupar com esse loteamento. Levávamos nossos próprios guarda-sóis e cadeiras, podíamos escolher o lugar que mais nos agradava e consumíamos o que a gente queria, comprando de quem queríamos. Enquanto isso, ao nosso lado, muitas outras famílias seguiam rotina semelhante a nossa, muito mais inocente e democrática do que nesses urbanizados e modernos tempos.

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Por Renato Silvestre

Enquanto os “atrasadinhos” ainda corriam atrás das últimas “lembracinhas” e dos ingredientes para a grande ceia de Natal, ele perambulava sozinho pelas ruas movimentadas. Seus pés sujos e machucados, a cada passo que dava, latejavam de tanta dor. Sujas e maltrapilhas também eram suas roupas, nitidamente desgastadas pelo tempo, pelas chuvas e o sol intenso do cotidiano árduo nas ruas daquela cidade.

Via pessoas torrando dinheiro em presentes e mais presentes. Pedia aos céus que algum presente lhe fosse enviado. Já não acreditava em Papai Noel. A única barba branca que via era a sua própria barba, refletida nas vitrines de lojas cheias de pessoas torrando seus tão suados décimos-terceiros salários.

Sentia fome, mas o que realmente fazia calar aquela dor intensa que sentia era o álcool. Um estranho, desnecessário e viciante anestésico para a dura realidade. Uma droga que com o tempo virou “amiga”. Não precisava de muito, poucos reais ou alguns centavos, ela já estava ali, no copo, aguardando ser devorada loucamente. E o melhor, tudo isso era legal, em qualquer bar ou qualquer esquina, sem perseguição.

Anestesiado vagava pelas ruas sem saber o que de fato queria de sua própria vida. Quem ele era? De onde ele veio? Em meio à multidão desatenta era apenas mais um homem com tantos problemas. Quem se importaria? Quem estenderia as mãos? Ninguém.

Era Natal, talvez quisesse apenas um abraço, uma palavra de conforto ou um conselho. Nunca se sabe. Como saber? Sem teto, sem raízes, sem destino, um número de RG perdido, sem comprovante de residência, sem ninguém para prestar contas, sem contas a pagar, sem mensagens de Natal, sem enfeites, sem presentes, sem luz.

Na inexistência de sua própria existência, no meio da avenida mais movimentada do centro daquela cidade, com o dia claro, com carros e pessoas passando, apressadas para colocar o peru no forno e a cara champanhe para gelar, ele abaixou as suas calças, agachou-se e defecou. A mágica aconteceu, em segundos, aquela pessoa invisível tornou-se alguém. Um alguém que literalmente “cagou  e andou” para tudo o que estava a sua volta.

Lentamente se pôs de pé, ajeitou suas calças e voltou a sua peregrinação, sem rumo certo, dopado pelo álcool e invisível para a sociedade. Enquanto muitos brindavam o Natal em suas confortáveis casas e fogos estouravam no céu, o homem tentava dormir embaixo de qualquer marquise, ponte ou viaduto. O que importa? E amanhã? Para onde ele vai? Tanto faz, semana que vem é Ano Novo!

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Texto inspirado em cena real que vi acontecer enquanto passava de carro pela Avenida Nove de Abril, em Cubatão, na véspera do Natal deste ano. 

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Por Renato Silvestre

Ancarlisson, Amarildo, Eliete de Oliveira e Rafael Max, equipe responsável pelo projeto

Voltado à capacitação de moradores de Cubatão, entre 15 e 29 anos, para o mercado de trabalho e primeiro emprego, o projeto Jovens Capacitadores (JOCAP), está formando sua segunda turma em seu segundo ano de atividades. No total, 46 jovens concluíram sua participação no projeto, que gratuitamente proporciona aulas de Rotinas Administrativas (com módulos de Administração, Contabilidade, Departamento Pessoal e Escritório Fiscal), Informática, Inglês e Dinâmica de Grupo (com foco em comunicação para o trabalho).

A cerimônia de formatura acontece nesta sexta-feira, 9 de dezembro, na sede da Associação São Vicente de Paulo, na Vila Natal, mas a celebração da conclusão das atividades em 2011 começou no último sábado, 3 de dezembro, com o Jocap Social. Um dia dedicado à prestação de serviços à comunidade e que serviu também para colocar em prática o que foi aprendido pelos alunos ao longo do projeto.

O evento contou com a participação da Uniesp – Guarujá, da Fábrica da Comunidade, que ofereceu serviços de manicure, pedicure e cabeleireiro, do Centro Integrado de Enfermagem (Cien), da Agência Brasileira de Emprego e Estágio (ABRE), do DST/AIDS, além de apresentações artísticas do Coral Canto Mágico, Afrobanda Kids, Banda Marcial Infantil e Teatro do Kaos. Ao longo do dia a participação da comunidade foi grande e no período noturno, uma festa a fantasia também agitou a Associação.

Algumas das atividades realizadas durante o JOCAP Social

Segundo o monitor de Inglês do JOCAP, Amarildo de Melo Tenório, a preparação para o evento se deu com grande antecedência e contou com a participação fundamental dos alunos. “O evento começou a ser preparado há um mês e os alunos puderam colocar em prática tudo o que aprenderam ao longo do curso. Eles estiveram envolvidos desde o planejamento até a divulgação, preparação e organização”, explicou.

Um exemplo desse comprometimento foi dado pela formanda Maria Clara Quintiliano Eleotério, de 17 anos. Ela auxiliou na recepção das pessoas logo pela manhã, marcou presença no período da tarde e também esteve presente na organização da festa a noite. Tudo isso, sem perder o bom humor. “Valeu muito a pena, não só pelo evento, como por todo esse período que vivemos no JOCAP. Levo do projeto um grande aprendizado não apenas para a parte profissional como também para meu lado pessoal”, recordou.

Mudando histórias

O poder de transformação das ações do JOCAP vai além da simples capacitação profissional. Passa pela mudança comportamental e chega à ampliação dos horizontes das pessoas envolvidas. Para a formanda Adriana Silva Ferreira, de 29 anos, o tempo que esteve no projeto foi renovador. “Foi muito bom esse ciclo, pude me redescobrir como pessoa. Vejo um horizonte totalmente diferente para minha vida do que o que eu estava acostumada a enxergar. Pensar em cursar uma faculdade para mim era algo impossível, hoje sei que está ali na frente e basta eu dar o primeiro passo. Também tenho vontade de abrir uma empresa, quem sabe para trabalhar com reciclagem”, revelou.

Adriana e Maria Clara, formandas 2011 do JOCAP

Quem também vivenciou essa experiência foi Ancarlisson dos Santos Araújo, que passou de aluno, no primeiro ano do projeto, a monitor de informática da turma que está se formando agora.  “Fui aluno no primeiro JOCAP, por isso sei o que os formandos de 2011 estão sentindo. A experiência como monitor é bastante gratificante, é muito bom acompanhar o desenvolvimento desses jovens. Sempre tive o sonho de passar conhecimento para outras pessoas, mas pensando bem também pude aprender bastante enquanto ensinava para eles”, disse.

Para 2012, o projeto, que tem suas aulas ministradas na UME Luiz Pieruzi Neto e na Sociedade São Vicente de Paulo, ficará sem o atual contrato de patrocínio, por isso os responsáveis já buscam novas alternativas de financiar o trabalho. “Se não conseguirmos um patrocínio semelhante, vamos buscar apoios com empresas parceiras que possam doar materiais, alimentação, apostilas e uniformes. De alguma maneira continuaremos em 2012. Não é um projeto caro, principalmente, se considerarmos os benefícios que são proporcionados para as vidas das pessoas”, diz Amarildo Tenório.

Maiores informações pelos telefones 13 3361-6802 e 13 9703-1922 (Rafael Max), ou através do email ssvpvilanatal@ig.com.br.

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Por Renato Silvestre

Não pude deixar de atentar a uma matéria que saiu na edição desta semana do jornal Povo de Cubatão, que aborda o fato de Cubatão – de acordo com dados do último Censo, realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – ser a cidade com o maior índice de moradores de baixa renda entre todos os municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista. Não fiquei surpreso com a informação, mas tomado por certo sentimento de indignação e incômodo resolvi pesquisar mais a fundo o assunto.

Segundo o Censo 2010, a cidade conta com 118.720 habitantes, o que resulta em uma média de 3,25 moradores por domicílio. Acima da informação trazida pelo jornal, que traz a tona o fato de Cubatão ser a cidade da Baixada que apresentou o maior número de pessoas que sobrevivem com até meio salário mínimo (que na época era de R$ 510,00) mensais, com 1,44% dos habitantes vivendo nesta realidade, enquanto a média estadual é de 0,79% e da região de 1,05%, fui atrás de números mais abrangentes.  Tendo como base esta mesma fonte, achei um dado um pouco mais preocupante, no total, 32% da população cubatense sobrevive com rendas mensais de até dois salários mínimos.

Sim, também é relevante que o Censo aponte que a maior parte dos cubatenses (40,12%) vive na faixa dos dois a cinco salários mínimos (R$ 1.020,00 a R$ 2.550,00), o que é um fato positivo, uma vez que se posiciona acima da média nacional, que é de 32,9% e estadual, 38,71%. No entanto, convenhamos que ter 38.246 pessoas (32% da população) vivendo com tão pouco em uma cidade tão rica, seja pela arrecadação de impostos, seja pelo grau de industrialização que apresenta, é uma verdadeira calamidade.

O que pode ser facilmente percebido é que, infelizmente, a industrialização em Cubatão ainda não conseguiu refletir plenamente no nível de vida do cubatense. Sim, certamente a situação já foi pior em outros tempos, quando inclusive, a ocupação desordenada de diversas áreas do município, com moradias em sua maioria precárias, resultou em um processo de “favelização” do território cubatense e por consequência em certo distanciamento do sentimento de ser parte de Cubatão. Paralelamente, desastres naturais como enchentes e desmoronamentos, aliados com grandes tragédias, como o caso do incêndio da Vila Socó, em 1984, auxiliavam a criar o monstro social que era Cubatão durante aqueles anos de escuridão.

É triste, mas esses números do Censo só podem revelar uma coisa: ainda é grande a desigualdade por aqui. Atrelados a subempregos, esta parcela significativa da população muitas vezes vive em moradias precárias nas inúmeras favelas existentes na cidade, e com isso sofrem com as dificuldades inerentes a esses locais.

Dentro deste contexto, ações como o Programa Serra do Mar do Governo Estadual, que tem buscado retirar grande parte dos moradores inseridos dentro da área do Parque Estadual da Serra do Mar, podem até ser questionadas quanto à forma como está sendo realizada, no entanto, é preciso saber que ao deslocar todas essas famílias para áreas urbanas, com água potável, esgoto tratado e ruas asfaltadas, o que se está sendo feito é a retirada dessas pessoas dos guetos e a sua inserção prática na sociedade. Cria-se desta forma, uma “unidade cubatense” que talvez nunca antes tenha existido. Em outras palavras, muitos dos “muros” existentes – conceito muito bem trabalhado pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares no livro Cabeça de Porco, realizado em parceria com Celso Athayde e MV Bill – são eliminados. Falo isso com a experiência de quem viveu em um bairro periférico da cidade, a Cota 95, durante 13 anos de sua vida.

Enfim, mais oportunidades de capacitação e de empregos dignos, aliado a maior atenção do poder público em suas diferentes esferas, somente desta forma a pobre cidade rica, chamada Cubatão, poderá reverter os dados do Censo e definitivamente se apropriar do nome do seu tão bem sucedido festival de cultura nordestina, sendo de fato “Danado de bom”!

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Por Renato Silvestre

Extremamente louvável a iniciativa da Prefeitura Municipal de Cubatão, que iniciou nesta quarta-feira, 16/11, a entrega de notebooks para os alunos do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal. O cronograma prevê a entrega de três mil equipamentos este ano e 13 mil no início do ano letivo de 2012.

Dentro deste mundo cada vez mais tecnológico, a oportunidade que será dada as crianças cubatenses é fantástica, no entanto, é preciso pensar em outros fatores importantes que podem fazer desta ação um sucesso ou uma decepção.

Temos que pensar que vivemos, infelizmente, em uma cidade que ainda não é das mais seguras. Dia desses, um amigo e sua namorada foram assaltados a mão armada no Jardim Costa e Silva. Obviamente ficaram sem seus celulares e o pouco dinheiro que carregavam. Dias depois, na saída do Conservatório Municipal, na Vila Nova, alunas do ballet passaram pelo mesmo perrengue, e nem mesmo suas sapatilhas escaparam ilesas. Importante salientar, que ambas as ações criminosas ocorreram em horários onde ainda há grande movimento nas ruas.

Sei bem que a responsabilidade pela segurança pública é do Estado, principalmente através de sua Polícia Militar, no entanto, é preciso refletir com que grau de segurança 16 mil alunos da rede pública municipal sairão pelas ruas portando seus notebooks. É uma questão delicada e que precisa ser pensada pelos órgãos responsáveis.

Isso, para não falar na violência dentro das próprias escolas, situação que ganhou repercussão nacional em 25 de outubro, através uma briga que aconteceu na Unidade Municipal de Ensino Bernardo José Maria de Lorena  (veja vídeo abaixo).

Outro fator essencial, que espero que tenha sido planejado pela Secretaria de Educação, é a preparação dos professores para trabalhar com essa nova e importante ferramenta tecnológica. Sim, porque do meu ponto de vista, se o uso destes computadores se der apenas no âmbito domiciliar, toda a validade desta ação será nula. Os docentes precisam ser capacitados e preparados adequadamente para lidar com este novo desafio. Até porque, se até mesmo o uso de celulares por alunos dentro das escolas ainda é um tabu, imagine o uso de notebooks.

Podem até acharem que estou “urubuzando” a Prefeitura, mas apenas avalio aqui, que existem necessidades paralelas que precisam ser atendidas e sem as quais a entrega de notebooks aos jovens cubatenses pode apenas se tornar uma ação eleitoreira, um verdadeiro tiro na água da administração municipal, sem contar que estariam ainda criando um problema gigantesco a ser administrado.

Torço para que realmente esse investimento dê resultado e seja apenas o princípio de uma série de ações que possibilitem as crianças cubatenses, principalmente as mais pobres, terem acesso à tecnologia e a esse fascinante mundo que se abre com o uso de computadores e o acesso livre a internet. De uma cidade rica, como é Cubatão, o mínimo que se espera é educação de qualidade para aqueles são seu próprio futuro. Então, o momento é de esperar, acompanhar e ver como se dará esse novo processo nas escolas da cidade.

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Por Renato Silvestre

Servidor Público de carreira em Cubatão e, desde outubro de 2010, secretário de Cultura, Wellington Ribeiro Borges, 46 anos, é formado em História pela Universidade Católica de Santos (Unisantos), e atuou por seis anos como chefe das Bibliotecas e Arquivo Histórico da cidade. Wellington também coordenou a implantação do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac) em Cubatão e é autor e co-autor de títulos como “Afonso Schmidt – Escritor da Alma Brasileira”, “Cubatão – Caminhos da História”, Revista Histórica “Avenida de Todos Nós – Desenvolvimento Histórico da Avenida 9 de Abril” e “O Que Você Precisa Saber Sobre Cubatão”. Nesta entrevista para o blog Conversa Silvestre, Wellington fala sobre suas maiores dificuldades e realizações à frente da Secretaria, o Festival Cubatão Danado de Bom, as pendências para viabilizar o Teatro Municipal e sobre as políticas culturais da cidade. Confira:

– Como tem sido o trabalho à frente da Secretaria de Cultura de Cubatão?

R. Bastante árduo. A cultura em nossa cidade precisa ser muito trabalhada no sentido de conscientizar as pessoas de sua importância na formação dos indivíduos. De maneira prática podemos afirmar que precisamos romper com velhos costumes que privilegiam eventos que não guardam uma identidade com a cultura local.

– Quais são os principais desafios que encontrou nesta função e quais são as realizações que considera como as principais à frente da Secretaria?

R. O principal desafio é justamente o rompimento com velhas práticas de apoios a ações desprovidas de sentidos em termos de identidade cultural do povo. Algumas realizações possuem o objetivo de mudar esse cenário. Por exemplo, temos realizado uma série de cursos de formação para que nossos artistas e profissionais de cultura conheçam técnicas e saberes essenciais a  produção cultural de qualidade artística e de maior impacto na comunidade

– Qual a real e atual situação do Teatro Municipal de Cubatão? Quando os cubatenses poderão ver esse verdadeiro “elefante branco” em funcionamento?

R. O problema do Teatro Municipal é de difícil solução. Atualmente, a Oscip Ama Brasil aguarda parecer do Ministério da Cultura (MinC) para a captação de recursos via lei de incentivo.  O passo seguinte será convencer as indústrias a investir na conclusão das obras.

– O que a Secretaria tem realizado com foco nas áreas mais periféricas do município? Há algum projeto específico para esta grande parte da população?

R. Temos oferecido oficinas culturais descentralizadas que estão sendo realizadas em associações de bairro e entidades. Atualmente, por exemplo, estamos realizando em parceria com a SUTACO um curso de artesanato no bairro da Vila Natal.

– Considerando as novas áreas populares que estão sendo criadas na cidade com a remoção de parte da população da região da Serra do Mar, já há algum projeto cultural da Prefeitura para essas localidades ou isso ficará a cargo do Governo do Estado?

R. Sim, as novas ocupações têm sido objeto de conversas com a equipe da Cultura. Para o próximo ano, com a consolidação desses novos núcleos, iniciaremos uma série de projetos de formação cultural.

– Agora em novembro será realizada a segunda edição do Cubatão Danado de Bom, qual sua expectativa para o evento?

R. Esse ano o evento foi ampliado em mais um dia e o público esperado deverá superar as 100 mil pessoas. As atividades culturais deverão ultrapassar a casa de 200 ações entre oficinas, apresentações musicais, teatrais, literárias entre outras. Isso sem contar os grandes espetáculos já anunciados.

– Como surgiu a ideia de homenagear Chico Anysio no Danado de Bom? Como ele recebeu essa informação? Ele estará no evento?

R. A ideia é homenagear anualmente um nordestino de fama nacional. O Chico foi escolhido por ser uma das maiores figuras artísticas do país. Ele recebeu muito bem o convite e confirmou presença. (Detalhes sobre o convite e a participação de Chico na edição 331 do jornal Povo de Cubatão)

– O espetáculo Caminhos da Independência, mais uma vez, foi um sucesso de público e inovou se utilizando da linguagem musical. Quais as expectativas da Prefeitura para o próximo ano?

No próximo ano o espetáculo Caminhos da Independência precisa ampliar a participação da iniciativa privada em sua produção para dar mais conforto a população. Nesse sentido o Teatro do Kaos já possui autorização do MinC para captar recursos e também continuará a contar com o apoio do Poder Público para a realização da Peça.

– A Banda Sinfônica de Cubatão gravou em 26 de outubro seu primeiro DVD. De que forma a população terá acesso a este DVD?

R. Trata-se do espetáculo Queen Sinfônico, gravado no Teatro Coliseu, em Santos, juntamente com o Coral Zanzalá. O DVD deve estar disponível em cerca de dois meses (De acordo com site da Prefeitura, serão distribuídas cerca de mil cópias e o objetivo da Secretaria de Cultura é também disponibilizar a gravação para download gratuito na internet).

– A Prefeitura reabriu parte do Parque Anilinas, e na segunda fase deve inaugurar salas de cinema e áreas para show. Como serão geridos estes espaços? Bandas e músicos da Cidade terão acesso a essa área de shows?

R.  A gestão desses espaços ainda esta sendo estudado por vários setores do Governo. Mas será um espaço extremamente democrático e de acesso a todos.

– Quais são os seus principais projetos futuros dentro da Secretaria de Cultura?

Implantar o Plano e o Fundo Municipal de Cultura para tornar o fazer cultural da cidade mais acessível a todos.

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