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Archive for the ‘Devaneios’ Category

Por Renato Silvestre

Calor, muito calor! O suor do cotidiano penetra a roupa batida e desbotada. A pele molhada é o sinal de mais um dia difícil, mais um passo dado e uma linha escrita no complexo livro da vida.

Ônibus lotado, metrô, trem, trânsito, tudo parado. O sol, despertador natural da humanidade, já ameaça se recolher no horizonte. As horas passaram, o dia se foi, a casa ainda está longe, distante algumas estações, quadras, ruas, ladeiras e talvez vielas.

É preciso correr, chegar logo. Como estarão as crianças? Como estarão os pais? A saudade bate no peito como o sino da igreja central. A cada badalada um suspiro, a cada silêncio um grito.

apagao-e-enchentes1Medo. Por que temer? A natureza não perdoa a irresponsabilidade humana. Como um relógio, ainda que já desregulado, ela pode tardar, mas não falha jamais. O fim da tarde é celebrado nos céus com trovões e relâmpagos. Um tenebroso prelúdio para o que há de vir.

A casa ainda transborda a quentura da tarde no cair da noite, quando, como em aplausos para o mais belo espetáculo, a chuva toca o telhado. O cheiro de terra molhada e o vento refrescante invadem o lar.

Mas, há algo errado? Não, tudo está em seu devido lugar. Por que chove tanto? A límpida água de outrora dá lugar ao barro. Um mar de lama invade a comunidade. O lixo, escondido embaixo do tapete por meses, em minutos ressurge. A água sobe, o desespero aumenta. Tragédia anunciada!

Solidários se dão as mãos. O que fazer? A quem recorrer? E as autoridades, onde estão? Longe, bem longe!  O seio dos seus palácios luxuosos não tem vista para o oceano de lamentações que escoa na periferia.

Sentados em suas cadeiras pomposas, de braços cruzados, preocupados com a oposição, com o joguinho sujo, com os conchavos, as alianças, perdendo o sono pensando em como acomodar tantos interesses, eles se negam a ver. Fingem ser quem não são e fazer o que não fazem. O beijo na criança suja e no velho suado em época de campanha é logo limpo com lenço importado.

enchentesEnquanto o poder corrompe cada vez mais os já corruptíveis, a água sobe, e desce levando sonhos, esperanças, verdades e mentiras. A tristeza em lágrimas amargas percorrem os rostos assustados da criança e do herói popular. A alegria, sempre presente, dá espaço a um sentimento de nojo, de indignação, de impotência. Casas destruídas, luzes de emergência, inocência perdida em meio ao lamaçal.

Um novo dia nasce e o sol expõem promessas não cumpridas e a busca por vidas perdidas. Na televisão as imagens parecem repetidas, em meio às enchentes os anônimos tornam-se números e o choro compõem um cenário real onde o personagem principal apenas pergunta: “Até quando?”.

 

Texto inspirado na tragédia anunciada que é vivenciada por milhões brasileiros todos os anos. As chuvas de verão provocam a cheia de rios, o desmoronamento de áreas onde habitam populações numerosas e enchentes terríveis. Enquanto isso o poder público pouco faz no tocante a planos de emergência, retiradas de populações de áreas de risco e investimento em habitações dignas. Isso sem falar da falta de coleta de lixo, um dos pontos ressaltados pelo cantor Zeca Pagodinho nos vídeos abaixo. Ele, aliás, que agiu com muita sabedoria e solidariedade ajudando o povo de sua terra.  


 

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Por Renato Silvestre

Faltavam poucas horas para o início de um novo ciclo, mas ainda havia tempo de mudar o que parecia certo. Na noite anterior, enquanto seu cérebro, mal refrigerado por um ventilador de décadas passadas, derretia em meio ao calor do verão, sonhou com combinações numéricas estranhas. Quem sabe não poderia ser um sinal?

timthumbAcordou. Levantou rapidamente. Buscou um pedaço de papel qualquer e recorreu à velha caneta esferográfica largada na cabeceira. Anotou cada uma das dezenas mágicas e com todo o cuidado colocou o pedaço de papel embaixo de seu travesseiro. Tomou um copo de água e voltou a dormir. Antes rezou, afinal, aquele sonho… ah, aquele sonho… só poderia ser mesmo um sinal divino. Quem sabe Deus não havia olhado pra ele e dito: “Esse cara é você!”.

Pensou em como seria bom mudar de vida, largar a modesta casa construída ao longo de anos, deixar de lado a bicicleta, companheira de todas as horas. Dali só levaria seu tão estimado cão. Chamava-o de Fiel, um vira-lata que certo dia entrou em sua casa para nunca mais sair. Já fazia planos. Compraria uma mansão na praia, uma fazenda em sua terra natal, um carrão branco igual o do Neymar. Quem sabe até andaria com as mulheres que o craque andava. Queria sair do anonimato, talvez virasse artista, afinal todos não diziam que “para viver no Brasil com um salário mínimo tinha que ser artista”. Conhecia bem esta realidade, orçamento apertado sempre.

Pela manhã, despertou. Calçou os velhos chinelos, correu para o banheiro, lavou o rosto, engoliu um pedaço de pão com café frio e tal qual São Jorge, “montado em seu cavalo”, no caso em sua bicicleta, rumou em busca da vitória. Destino? A casa lotérica mais próxima. Tudo bem, não era tão perto assim. Precisava atravessar vielas, subir e descer ladeiras, avenidas movimentadas, até chegar.

0Após meia hora, avistou uma fila gigante. Por instantes pensou se toda aquela gente poderia ter sonhado o mesmo sonho. Sem muitas opções, tomou seu lugar e distraiu-se em conversas com outros animados apostadores. Falavam de fazer uma fézinha no fim do ano, começar o ano de bolsos cheios, mudar de vida, e de números… Putz, números?! Passou a mão pelos bolsos da calça e notou que havia deixado os números em casa. Em desespero, montou na bicicleta e partiu o mais rápido que pode de volta ao seu lar. Pensava que ainda haveria tempo de pegar o papel e voltar à casa lotérica. A aposta, o sonho, os milhões, tudo estaria garantido.

Abriu a porta e deu de cara com Fiel. O danado parecia estar comendo alguma coisa. Era um pedaço de papel. Era o pedaço de papel. Os números, os milhões… Agarrou o cão, abriu sua boca e descobriu que já era tarde. O bicho já havia engolido seus números da sorte. E agora? Fazer outro jogo? Tentar a sorte com outros números? Exaurido pela jornada, desistiu! Pensou em matar o cachorro. Caiu na cama e apagou. Torcia para que tudo fosse apenas um pesadelo!

dinheirodolarEnquanto fogos já indicavam a chegada de um novo ano, o latido assustado de Fiel o acordou. Ainda chateado com o ocorrido pela manhã, saiu da cama, foi até o cachorro e o pegou no colo. Lembrou-se de todas as dificuldades que passara ao seu lado, olhou atentamente para Fiel e notou algo. Entre os dentes do bicho um pedaço babado de papel. Era um número. Um 13. Seria um sinal? 13. 2013. Era um sinal! Esperançoso, com o cão nos braços, foi até a janela e admirado com as cores no céu, gritou: “Sou um homem de sorte, Fiel. Sou um homem de sorte!”.

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Por Renato Silvestre

Enquanto dedos distraídos procuram números,
Acordos são acertados na calada da noite,
Podridão em prol do poder!
Vejo interesses sórdidos coligando-se
Vejo mentiras sendo construídas,
Repetidas incessantemente até que se tornem “verdades”.

Vejo camisetas pintadas, muros sujos, “corações sujos”.
Carros coloridos, números, números e números.
Escuto músicas animadas e discursos vazios:
“Mais saúde, educação e trabalho…”,
“Propostas? O que são?”
E tome música, que triste alegria!

Irrito-me com a sujeira que avisto todos os dias,
Ruas, calçadas, a porta da minha casa…
Em campanha vale tudo.
Carreatas com pessoas pendurados em carros,
Cavaletes em esquinas perigosas,
Leis de trânsito? Não conhecem.

Têm nomes engraçados,
Criam bordões que se tornam populares, se fazem de populares.
Os pés pisam lugares antes nunca visitados,
Tapinhas nas costas, beijos nas crianças pobres.
O importante é sair bonito nas fotos, nas pesquisas, nos filmes, no Face.

A cidade pinta-se de cores, alegra-se com bandeiras,
O que elas defendem?
Segredos, mistérios que correm de boca em boca,
De comitê em comitê.

O dinheiro paga a “brava e forte militância”,
ou seriam os “pobre cabos eleitorais”?
O recurso de onde vem?
O que vale é a certeza da comida na mesa.
Por que veste esta camisa?
Quem é seu candidato?
De onde ele veio?
O que faz? O que fez? O que quer fazer?
A ficha será mesmo limpa?

Calados, omissos, patéticos,
Como quem carrega um fardo enorme, caminhamos…
Seguimos pisando a massa podre de papel que entope bueiros.
Santinhos que nada, estão longe disso.
O jogo político é severo, estranho, nebuloso,
As regras nem sempre são tão claras…
Acordinhos, acordões, conchavos. Poder, muito poder!

Vamos lá, aperte o botão, encontre os números.
A combinação certa é possível?
Como achar a senha para a verdade?
Por onde seguir? Em quem acreditar?

Faça sua escolha, lembre-se do tapinha nas costas,
Da sujeira na calçada, do cavalete mal colocado,
Das promessas não compridas, das promessas impossíveis,
Da ausência de propostas, da musiquinha engraçadinha,
Da cara deslavada, da história de vida, dos acordos,
Dos favorzinhos, dos discursos vazios e alianças podres.
Lembre-se de tudo!

 Agora acabou. Aperte o verde, confirme!
“Daqui a quatro anos nos encontramos,
Conto com sua ausência de memória…
Ops, conto com seu voto!”

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Por Renato Silvestre

Enquanto os “atrasadinhos” ainda corriam atrás das últimas “lembracinhas” e dos ingredientes para a grande ceia de Natal, ele perambulava sozinho pelas ruas movimentadas. Seus pés sujos e machucados, a cada passo que dava, latejavam de tanta dor. Sujas e maltrapilhas também eram suas roupas, nitidamente desgastadas pelo tempo, pelas chuvas e o sol intenso do cotidiano árduo nas ruas daquela cidade.

Via pessoas torrando dinheiro em presentes e mais presentes. Pedia aos céus que algum presente lhe fosse enviado. Já não acreditava em Papai Noel. A única barba branca que via era a sua própria barba, refletida nas vitrines de lojas cheias de pessoas torrando seus tão suados décimos-terceiros salários.

Sentia fome, mas o que realmente fazia calar aquela dor intensa que sentia era o álcool. Um estranho, desnecessário e viciante anestésico para a dura realidade. Uma droga que com o tempo virou “amiga”. Não precisava de muito, poucos reais ou alguns centavos, ela já estava ali, no copo, aguardando ser devorada loucamente. E o melhor, tudo isso era legal, em qualquer bar ou qualquer esquina, sem perseguição.

Anestesiado vagava pelas ruas sem saber o que de fato queria de sua própria vida. Quem ele era? De onde ele veio? Em meio à multidão desatenta era apenas mais um homem com tantos problemas. Quem se importaria? Quem estenderia as mãos? Ninguém.

Era Natal, talvez quisesse apenas um abraço, uma palavra de conforto ou um conselho. Nunca se sabe. Como saber? Sem teto, sem raízes, sem destino, um número de RG perdido, sem comprovante de residência, sem ninguém para prestar contas, sem contas a pagar, sem mensagens de Natal, sem enfeites, sem presentes, sem luz.

Na inexistência de sua própria existência, no meio da avenida mais movimentada do centro daquela cidade, com o dia claro, com carros e pessoas passando, apressadas para colocar o peru no forno e a cara champanhe para gelar, ele abaixou as suas calças, agachou-se e defecou. A mágica aconteceu, em segundos, aquela pessoa invisível tornou-se alguém. Um alguém que literalmente “cagou  e andou” para tudo o que estava a sua volta.

Lentamente se pôs de pé, ajeitou suas calças e voltou a sua peregrinação, sem rumo certo, dopado pelo álcool e invisível para a sociedade. Enquanto muitos brindavam o Natal em suas confortáveis casas e fogos estouravam no céu, o homem tentava dormir embaixo de qualquer marquise, ponte ou viaduto. O que importa? E amanhã? Para onde ele vai? Tanto faz, semana que vem é Ano Novo!

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Texto inspirado em cena real que vi acontecer enquanto passava de carro pela Avenida Nove de Abril, em Cubatão, na véspera do Natal deste ano. 

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Por Renato Silvestre

Papel de bala, papel de pão, papel almaço, papel toalha, guardanapo, panfleto e até jornal.

Olhe onde pisa e vê se só descansa quando encontrar o repouso certo longe desse campo minado, repleto do desprezo humano, seja rico ou pobre, mas desleixado.

Nesse labirinto de ruas e avenidas, selvagens e concretas, por vezes esburacadas e mal cuidadas, andarilhos do cotidiano deixam seus rastros.

Pouco importa se um pouco mais adiante os devidos depósitos aguardam vazios ou se segundos antes, a criança que a segurava pela mão, com a outra, lançava suavemente ao chão a borracha mastigada e já sem doce.

Exija, mas antes, educa!

Olhe para os lados e perceba a existência de mágicos com vassouras. Com o suor exalando e as mãos calejadas, eles recolhem o que você deixou para trás, o que já não serve para nada!

Acorde e perceba que os restos do seu consumo viram dor de cabeça para muitos e solução e sustento para outros. Realidade antagônica, mas nua, crua e reciclável.

Se quiser esquecer-se do que já não te interessa, não o largue carente nas calçadas, pronto para ser chutado e pisoteado, levado ao vento até qualquer bueiro.

Pense na beleza, na limpeza e na certeza de que não quer ter no chão de seu reino os detritos da gula de outrora, como estão neste momento pelos caminhos tortuosos por onde muitos ainda haverão de passar.

O que quer para os outros, quer para você também?

Segura contigo o anseio torpe e individualista. Guarda no bolso. Aguarde. A sua hora chegará e tal qual um bicho o local adequado o espera de boca aberta para o céu.

Alimente-o devidamente e ignore essa ausência de educação que bate em teu estômago sempre que se torna invisível em meio ao coletivo.

 É hora de negar a mesmice imbecil que te impede de agir diferente e que te faz ser programado para deixar de lado e fazer errado.

Antes que seus restos monstruosamente te engulam destine-os impiedosamente aos seus devidos matadouros.

Afinal, quem quer ver no caixão?

O seu lixo ou você refletido em restos vaidosos de espelhos quebrados!

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Texto inspirado na sujeira que vi e sob a qual pisei, no final da tarde de hoje, na Avenida 9 de Abril, em Cubatão!

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Por Renato Silvestre

Era uma vez uma camisa amarela, que por carregar tantas glórias movia consigo sentimentos verdadeiros e por vezes contraditórios. Uma paixão interminável a cada conquista e um ódio avassalador em cada derrota. Forjada por lendas humanas, era temida como nenhuma outra. Podia perder acidentalmente, ou ganhar sem tanto brilho, mas arrastava multidões em uma única vibração.

A camisa nunca estava sozinha, havia identificação e comoção, sobretudo porque ao longo dos anos simbolizou o sucesso de um povo. Durante os tempos de chumbo, apesar de usada como ferramenta de alienação, conquistou cada vez mais adeptos e mesmo os mais radicais, a torcida contra, não resistiam muito tempo. Ali estavam os melhores entre os melhores, cada um dos mais virtuosos em suas tribos unidos por um único ideal.

O orgulho, entretanto, ao pouco foi se apagando e as emoções aos extremos sumindo em cinzas. Em meio a escândalos, derrotas no tapete verde e no tapetão, vexames internacionais e a descaracterização crescente da identidade da camisa de um povo, que nela se via representada, a paixão foi se perdendo.

A casa da camisa amarela migrou para terras distantes. Arenas modernas e um afastamento cada vez maior de seu povo. Longe demais, em tribos que não são as nossas, a relação esfriou de vez. Os ídolos também passaram a nascer, crescer e viver em aldeias distantes, tornaram-se irreais, quase que tão insignificantes como estátuas de cera, que com qualquer pequeno calor derrete-se e modifica-se, tornando-se um gigantesco e tremendo nada.

Culpa da ausência de guerreiros com atributos e potencialidades à altura dos virtuosos de outrora ou da cúpula de pseudo caciques e pajés, seres vergonhosos e sujos? Não há uma resposta definitiva, mas sim, um conjunto de fatores e um fato é concreto, a camisa amarela desbotou. Sem o carisma do passado, maltratada, capitalizada e afastada de seu povo torna-se aos poucos insignificante.

A ausência de seres fantásticos, mas humanos como no passado, também é gritante. Sem garrinchas, folhas-secas, tostões, furacões, canhotinhas e canhoteiros, galinhos, falcões, baixinhos, fenômenos e do único Rei, vira uma covardia querer que o último dos moicanos, o fascinante moleque praiano, resolva tudo sozinho e resgate a cor perdida com o tempo… ao menos por enquanto, era uma vez uma camisa amarela!

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Por Renato Silvestre

Impressionante como aparecem profetas e profecias absurdas sobre o fim do mundo. Até outro dia lembro que pairava no ar um medo fantasmagórico sobre o ano 2000. O bug do milênio era obra do além e não sei qual combinação numérica revelava que a coisa ia ficar feia pra essa “galera” chamada humanidade. Bem, já estamos em 2011 e nada mudou. Acho que deve ter acontecido algum bug no bug, não é possível!

De qualquer maneira, a exploração da catástrofe planetária também é tema recorrente em Hollywood. Por vezes parece até que os filmes deste gênero viram laboratório para os estúdios e produtores que adoram novas tecnologias de efeitos visuais. Com o detalhe que todas as películas com este tema sempre contam com a famosa receita do heroizinho americano e uma mensagem “barackana, tipo um “Yes, we can!” para a humanidade.

Profecia Maia, Nostradamus, Ufólogos e sei lá mais quantas fontes garantem que de 2012 a “parada” não passa. Poxa, para alguns desses defensores do apocalipse o mundo nem bem acabou de acabar em 21 de maio e já admitiram que, na realidade, por um erro de cálculos vai acabar novamente em 21 de outubro. Desculpem-me, mas eu já não estou entendendo nada e acreditando muito menos.

O fato claro e nítido em tudo isso é que as pessoas têm um temor gigante que o fim coletivo de tudo de fato aconteça. Veja o exemplo de tantas seitas comandadas por dementes pseudo-iluminados que se utilizam desse artifício para amedrontar, tirar proveito ou mesmo incutir nas mentes de seus seguidores o estranho desejo de acabar com suas próprias vidas em prol de algo melhor no famoso, porém desconhecido, além.

O que na realidade precisamos aprender é respeitar uns aos outros, o meio ambiente e todas as formas de vidas do planeta, porque isso é só o que podemos fazer e se algum dia um meteoro gigantesco tiver que acertar esse nosso mundinho pode ter certeza que falso profeta nenhum vai impedir. Além do mais, olhe para as esquinas, becos e vielas de sua cidade e de tantas outras por esse mundo cão, veja a falência vagarosa do modo de vida consumista ao extremo, observe a fome nos rincões planetários, os preconceitos, a violência e tanta miséria e sujeira, e reflita bem. Afinal, ter medo de um fim trágico, coletivo e improvável, enquanto o verdadeiro desastre acontece de forma lenta, faz algum sentido?

Clipe histórico! E antes que eu me esqueça, se tudo isso começou por acaso ou não, provavelmente também terminará dessa forma!

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Ser filho

Segue uma bela homenagem de um grande amigo jornalista e também “metido a poeta”, assim como eu, a essas guerreiras que defendem seus filhos com unhas e dentes e dariam suas vidas, se fosse possível, para evitar a dor e o choro de suas crias. Mães de todo o mundo sigam fortes porque só o seu amor, um sentimento único e verdadeiro, pode fazer deste louco lugar um mundo melhor! Feliz Dia das Mães…


Por Jonatha Carvalho

Já estava lá, mas não pude ver seu sorriso ao descobrir que eu existia dentro dela

Quando nasci, tenho certeza que ela me abraçou, chorou de alegria, sorriu preocupada

“Não está muito frio aqui, doutor” ela deve ter dito

Quando dei os primeiros passos, posso apenas imaginar o tamanho de sua alegria

Quando caí pela primeira vez, ela decerto culpou-se por um descuido que não existiu

Ao primeiro dia de aula, disseram-me que abraçado a ela eu queria ficar

Ela disse: “Não tenha medo. Estarei aqui”. Conta-me hoje a professora

Por orgulho de adolescente, torci para que ela se esquecesse de me buscar

Mas lá estava ela, debaixo da mais forte chuva: “Como foi a aula, filho?”

Eu chegava em casa lá pelas tantas

Mesmo sabendo que ela só dormia após escutar a ruidosa fechadura da sala

Os fins de semana com ela perderam espaço para a minha “nova” vida

O tempo trouxe aos meus dias preocupações, afetos, dores e alegrias

Mas sei que, ao dormir em casa, ela ainda abre a porta

E teima, por alguns segundos, em observar meu sono

Ela ainda faz chá quando tenho febre

Diz “vá devagar” quando ligo o carro

Ao ver que estou preocupado, sempre solta um “tudo dará certo”

E diz isso sem saber nada do que acontece

E, incrivelmente, ela sempre tem razão

Acho que amor de filho é tentar retribuir um pouco do que chamamos de amor de mãe

Ela já tentou recusar presentes, mas nunca abraços

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Por Renato Silvestre

Ignorar a existência de um outro mundo, paralelo ao mundo físico com ruas, carros, casas, acidentes, violência entre tantas outras coisas, é ignorar uma realidade já bem impregnada à nossa sociedade. Não falo aqui de uma possível ou impossível existência de um ambiente pós-morte, me refiro a um universo criado pelo homem e que segue evoluindo com ele e com suas pseudo-necessidades tecnológicas.  A dimensão a qual me direciono nada mais é do que essa em que você e eu estamos agora inseridos, a internet.

O poder da comunicação rápida, sem os “riscos” dos contatos físicos, como uma epidemia contagiou e segue se proliferando por todo o mundo. Na grande rede, as conexões, os laços de “amizade” e a própria significação do EU de cada um se modificam, são mais ralos e frios e, em muitos casos, descartáveis. No entanto, o que muitos parecem ainda não terem percebido é que na internet, os perfis nas redes sociais, as comunidades ou até mesmo comentários deixados em blogs e fóruns criam um novo significado para a existência de cada indivíduo, talvez e provavelmente, não para o próprio proprietário dessas características, mas sim, para os outros, que como nunca podem te ver, avaliar e gerar conceitos e pré-conceitos sobre a sua existência.

A internet é, dentro disso, um simulacro da vida real, onde há uma construção de personagens que representam a cada um de nós. O que as pessoas ficam sabendo a respeito de você depende exclusivamente do que você quer que elas saibam. É simples assim! Se você disponibiliza uma fato em seu perfil em determinada rede social, por exemplo, é porque julga que é interessante para o modo como as pessoas te enxergarão na rede. Um processo de aceitação e de exposição que de certa maneira copia o que acontece em sua vida real, porque viver em sociedade depende, quer você queira ou quer não, da aceitação dos grupos sociais com os quais se relaciona.

Desta forma, em minha humilde visão, o mais correto é a ser feito é procurar sua individualidade também na internet e fazer com que o seu EU virtual seja interessante, bacana e amigável, mas dentro de suas características reais. Acho que a grande questão aí é saber se expor dentro do necessário e dos limites de sua própria privacidade, além de evitar que de maneira alguma se crie sob sua representação pública na internet um monstro, para o mal ou para o bem, que exiba sua foto e seu nome, ou seja, o seu perfil, porque  no final será sempre você, conectado ou não. Não cair na armadilha de Matrix é um bom caminho, pois afinal, nem todos são Neo, também existem muitos Agentes Smith por aí!

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Por Renato Silvestre

A cidade onde nasci sempre foi ponto de passagem,

Do homem do sambaqui, o primitivo habitante,

Aos nobres nordestinos com sua força e coragem.

A cidade onde nasci possui várias fundações,

Datas que contam sua história e mudanças,

Em rumos diferentes para tantas emoções.

A cidade onde nasci tem trilhas, calçadas e caminhos

Rotas para o crescimento em meio a Serra,

Nas ilusões e sonhos dos seus filhos.

A cidade onde nasci já foi porto e mau exemplo,

De Vale da morte à Vale da vida,

Um sorriso verde após tanto sofrimento.

A cidade onde nasci foi da banana ao pólo industrial,

Petróleo, aço e energia,

Progresso e orgulho nacional.

A cidade onde nasci já queimou em lágrimas e brasas,

Dor que fica e é alerta,

Compaixão e acolhida em todas as casas.

A cidade onde nasci abraça a todos como mãe,

Norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste,

Um coração enorme na saudade inconteste.

A cidade onde nasci sempre foi feita de guerreiros,

No pólo, na muralha, rios ou mangues,

Marcas sólidas de um país inteiro.

A cidade onde nasci ainda vê muitas injustiças,

Pessoas em áreas de risco e violência,

Negras páginas que não devem ser esquecidas.

A cidade onde nasci sonha ser grande e independente,

Abraça e se une aos vizinhos,

Mas, quer valor e respeito a sua gente.

A cidade onde nasci às vezes é motivo de chacota,

Ignorância, estupidez e descontrole,

De quem não sabe o valor de nossa história.

A cidade onde nasci é um motor para o Brasil,

Cubatão, caminho do mar,

Parabéns pelo 9 de abril!

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OK, pode ter sido piegas. Mas acho que vale!

Parabéns Cubatão pelos seus 62 anos de emancipação política.

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