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Archive for the ‘Críticas’ Category

Por Renato Silvestre

Calor, muito calor! O suor do cotidiano penetra a roupa batida e desbotada. A pele molhada é o sinal de mais um dia difícil, mais um passo dado e uma linha escrita no complexo livro da vida.

Ônibus lotado, metrô, trem, trânsito, tudo parado. O sol, despertador natural da humanidade, já ameaça se recolher no horizonte. As horas passaram, o dia se foi, a casa ainda está longe, distante algumas estações, quadras, ruas, ladeiras e talvez vielas.

É preciso correr, chegar logo. Como estarão as crianças? Como estarão os pais? A saudade bate no peito como o sino da igreja central. A cada badalada um suspiro, a cada silêncio um grito.

apagao-e-enchentes1Medo. Por que temer? A natureza não perdoa a irresponsabilidade humana. Como um relógio, ainda que já desregulado, ela pode tardar, mas não falha jamais. O fim da tarde é celebrado nos céus com trovões e relâmpagos. Um tenebroso prelúdio para o que há de vir.

A casa ainda transborda a quentura da tarde no cair da noite, quando, como em aplausos para o mais belo espetáculo, a chuva toca o telhado. O cheiro de terra molhada e o vento refrescante invadem o lar.

Mas, há algo errado? Não, tudo está em seu devido lugar. Por que chove tanto? A límpida água de outrora dá lugar ao barro. Um mar de lama invade a comunidade. O lixo, escondido embaixo do tapete por meses, em minutos ressurge. A água sobe, o desespero aumenta. Tragédia anunciada!

Solidários se dão as mãos. O que fazer? A quem recorrer? E as autoridades, onde estão? Longe, bem longe!  O seio dos seus palácios luxuosos não tem vista para o oceano de lamentações que escoa na periferia.

Sentados em suas cadeiras pomposas, de braços cruzados, preocupados com a oposição, com o joguinho sujo, com os conchavos, as alianças, perdendo o sono pensando em como acomodar tantos interesses, eles se negam a ver. Fingem ser quem não são e fazer o que não fazem. O beijo na criança suja e no velho suado em época de campanha é logo limpo com lenço importado.

enchentesEnquanto o poder corrompe cada vez mais os já corruptíveis, a água sobe, e desce levando sonhos, esperanças, verdades e mentiras. A tristeza em lágrimas amargas percorrem os rostos assustados da criança e do herói popular. A alegria, sempre presente, dá espaço a um sentimento de nojo, de indignação, de impotência. Casas destruídas, luzes de emergência, inocência perdida em meio ao lamaçal.

Um novo dia nasce e o sol expõem promessas não cumpridas e a busca por vidas perdidas. Na televisão as imagens parecem repetidas, em meio às enchentes os anônimos tornam-se números e o choro compõem um cenário real onde o personagem principal apenas pergunta: “Até quando?”.

 

Texto inspirado na tragédia anunciada que é vivenciada por milhões brasileiros todos os anos. As chuvas de verão provocam a cheia de rios, o desmoronamento de áreas onde habitam populações numerosas e enchentes terríveis. Enquanto isso o poder público pouco faz no tocante a planos de emergência, retiradas de populações de áreas de risco e investimento em habitações dignas. Isso sem falar da falta de coleta de lixo, um dos pontos ressaltados pelo cantor Zeca Pagodinho nos vídeos abaixo. Ele, aliás, que agiu com muita sabedoria e solidariedade ajudando o povo de sua terra.  


 

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Por Renato Silvestre

Enquanto dedos distraídos procuram números,
Acordos são acertados na calada da noite,
Podridão em prol do poder!
Vejo interesses sórdidos coligando-se
Vejo mentiras sendo construídas,
Repetidas incessantemente até que se tornem “verdades”.

Vejo camisetas pintadas, muros sujos, “corações sujos”.
Carros coloridos, números, números e números.
Escuto músicas animadas e discursos vazios:
“Mais saúde, educação e trabalho…”,
“Propostas? O que são?”
E tome música, que triste alegria!

Irrito-me com a sujeira que avisto todos os dias,
Ruas, calçadas, a porta da minha casa…
Em campanha vale tudo.
Carreatas com pessoas pendurados em carros,
Cavaletes em esquinas perigosas,
Leis de trânsito? Não conhecem.

Têm nomes engraçados,
Criam bordões que se tornam populares, se fazem de populares.
Os pés pisam lugares antes nunca visitados,
Tapinhas nas costas, beijos nas crianças pobres.
O importante é sair bonito nas fotos, nas pesquisas, nos filmes, no Face.

A cidade pinta-se de cores, alegra-se com bandeiras,
O que elas defendem?
Segredos, mistérios que correm de boca em boca,
De comitê em comitê.

O dinheiro paga a “brava e forte militância”,
ou seriam os “pobre cabos eleitorais”?
O recurso de onde vem?
O que vale é a certeza da comida na mesa.
Por que veste esta camisa?
Quem é seu candidato?
De onde ele veio?
O que faz? O que fez? O que quer fazer?
A ficha será mesmo limpa?

Calados, omissos, patéticos,
Como quem carrega um fardo enorme, caminhamos…
Seguimos pisando a massa podre de papel que entope bueiros.
Santinhos que nada, estão longe disso.
O jogo político é severo, estranho, nebuloso,
As regras nem sempre são tão claras…
Acordinhos, acordões, conchavos. Poder, muito poder!

Vamos lá, aperte o botão, encontre os números.
A combinação certa é possível?
Como achar a senha para a verdade?
Por onde seguir? Em quem acreditar?

Faça sua escolha, lembre-se do tapinha nas costas,
Da sujeira na calçada, do cavalete mal colocado,
Das promessas não compridas, das promessas impossíveis,
Da ausência de propostas, da musiquinha engraçadinha,
Da cara deslavada, da história de vida, dos acordos,
Dos favorzinhos, dos discursos vazios e alianças podres.
Lembre-se de tudo!

 Agora acabou. Aperte o verde, confirme!
“Daqui a quatro anos nos encontramos,
Conto com sua ausência de memória…
Ops, conto com seu voto!”

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Post originalmente publicado em http://osbrasis.wordpress.com/2010/08/17/mentiras-que-convencem/ por ocasião das eleições de 2010. Texto antigo, mensagem ainda atual!

Por Renato Silvestre

Já totalmente imersos nesse clima de chuva de santinhos e da proliferação de possíveis milagres eleitorais, a campanha, agora em rede nacional de rádio e televisão, esquentou de vez. Na busca pelo voto, para muitos, vale tudo, principalmente para aqueles velhos conhecidos de sempre.

Os mesmos jingles, o mesmo versinho chiclete e o pior, as mesmas caras mal lavadas que vemos em cada período eleitoral. Há desde os aventureiros, aos sonhadores sem recursos, até finalmente chegarmos às velhas e toscas raposas felpudas que dominam e controlam o cenário político brasileiro há anos. É sobre esse tipo que quero falar.

A sociedade parece sofrer, tal qual é retratado em Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, de uma síndrome coletiva de ausência de um dos seus principais sentidos. Sim, porque, não há outra explicação palpável para olhar e não ver. As velhas marcas e sobrenomes de sempre nada fazem, no entanto, permanecem acampados nos legislativos e executivos do País.

Ver os resultados das pesquisas de intenção de votos tornou-se uma tortura. Não porque X ou Y estejam liderando ou na rabeira do subconsciente da sociedade, mas sim, porque, percebo que o eleitorado, em sua maioria, trata a eleição de modo absurdamente irresponsável. O eleitor olha para os candidatos como marcas de roupas, bebidas ou carros. É preferível votar e ter mais do mesmo, “porque esse eu já conheço”, do que ousar e pesquisar de fato em busca do candidato mais correto e com melhor potencial.

O fato é triste e inegável, grande parte de nós vamos às urnas como verdadeiras vaquinhas de presépio. Os velhos números de sempre, em geral, popularizados por meio de grandes máquinas de arrecadação de verbas por meios no mínimo duvidosos, permanecem e investem a cada dois anos como nunca. E tome campanha que suja as ruas e apesar de oferecer salários, ainda que ridículos, mobiliza uma grande massa não de cabeças pensantes ou militantes na essência da palavra, mas sim, de desesperados por uma chance pequena de conseguir se sustentar durante esse período. Estranho paradigma é esse, não?

Pobre da sociedade que caminha para urna com a sensação dilacerante do voto obrigatório. Quando um programa ou compromisso torna-se chato ou desinteressante resta apenas a sensação torturante de ter que cumprir a tal obrigação. O comprometimento desaparece, os números e as cores de sempre rondam a cabeça e em segundos está feito. Tarde demais, não há volta, nada vai mudar. A fome coletiva está saciada, ainda que seja apenas com a velha marca de pão e com um belo copo de água, de torneira.

 

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Por Renato Silvestre

Após a quebra de diversos recordes, muita emoção, felicidades e tristezas, a Olimpíada de Londres chega ao fim neste domingo, Dia dos Pais no Brasil.

Belas imagens ficarão para sempre em nossa memória e um dia seremos felizes em poder contar para nossos filhos e netos que pudemos ver em ação atletas tão fantásticos como Usain Bolt, Michael Phelps, Lebron James, irmãos Falcão, os homens e mulheres do nosso vôlei de quadra e de praia e porque não, o nosso time de basquete, comandados sim por um argentino, e que ressuscitaram o prazer do povo brasileiro de ver um jogo bem jogado de basquete pela camisa verde e amarela.

Vi que por estes dias de emoções olímpicas muitos criticaram nossos atletas, tidos até como amarelões por alguns. Na realidade, a participação do Brasil nos jogos, se considerarmos a estrutura ainda frágil e a ausência de patrocínios e investimento no esporte, foi muito boa.

Como um país poderia esperar alcançar o topo do quadro de medalhas se não vê o esporte como filosofia de vida, como formador de pessoas melhores, como base para uma sociedade mais justa. A grande verdade é que no Brasil ser artista ou atleta de alto nível é uma missão para poucos abnegados, que vez ou outra conseguem se sobressair, sempre pelos seus talentos e árduos trabalhos, mas também com uma pitadinha de sorte.

Durante as Olimpíadas ouvi dos jornalistas e especialistas que cobriram o evento informações e opiniões muito interessantes. Veja que nos Estados Unidos, apenas na natação há mais de 120 mil atletas federados, enquanto no Brasil somos cerca de 30 mil, boa parte treinando com poucos recursos. Lembre que os americanos tem no ensino universitário uma base fortíssima de formação, aperfeiçoamento e afirmação de seus esportistas, enquanto por aqui, pouco valorizamos isso. Ouvi também alguém dizer e concordo que a grande diferença é que enquanto aqui firmamos nossas esperanças nas mãos, braços, pernas, pés e mentes de uma pequena elite (atletas em condições de competir em alto nível) esportiva, em outros países esse primeiro pelotão é sempre muito maior que o nosso.

Esporte é muito mais do que o número de medalhas de quatro em quatro anos. Esporte é saúde, é vida, é aprender a perder e ser forte o bastante para se levantar e seguir em frente com hombridade. Mas, se querem resultados invistam na base, na formação, ofereçam estrutura para que atletas campeões e cidadãos melhores floresceram em cada comunidade pobre deste país, em cada esquina, hoje dominada pelo tráfico e pela violência. Pense, por exemplo, o que poderiam ser as feras Esquiva e Yamaguchi Falcão se tivessem tido uma estrutura decente de treinamento desde pequenos.

Nos próximos quatro anos, o Brasil estará no olho do furacão. Todos se voltarão para este lindo e ainda desigual país para aprender um pouco mais sobre nós e ver se somos realmente capazes, não apenas de organizar grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas como também, capazes de construir um país mais humano e igualitário, que ofereça condições de crescimento e desenvolvimento para todos.

Só para fechar, digo que cobrar estes esportistas que lutam sozinhos, sem o apelo da grande mídia, por vezes sem patrocínios e que mesmo assim não desistem é uma grande covardia. O problema do Brasil não é e nunca foi psicológico, o problema do Brasil é a ausência de uma política esportiva efetiva e de uma massificação real do esporte!

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Por Renato Silvestre

Pe Lanza, Carlinhos Brown e Lobão. O que eles têm comum? A princípio nada. Estilos musicais, comportamentais e visuais totalmente distintos uns dos outros, no entanto, os três sofreram por causa dos mesmos problemas, a intolerância musical e a falta de educação.

Enquanto Lobão, em 1991, e Carlinhos Brown, em 2001, em duas edições do Rock’ Rio foram vítimas da ignorância de imbecis, indignos de serem chamados de rockeiros, e se tornaram alvo de garrafas, copos e latas, o vocalista da banda Restart, no último domingo, em um show gratuito ao público, realizado na cidade de Rio das Ostras (RJ), tomou uma pedrada na cabeça.

Esses eventos revelam o quanto ainda há brasileiros que precisam evoluir enquanto cidadãos e como ser humano, no mais profundo sentido da palavra. É preciso entender o diferente e respeitar o espaço do outro. Ainda que Lobão e Brown tivessem sido escalados erroneamente pela produção do festival em dias onde outros artistas de vertentes do “rock pesado” tocariam, ou que Lanza esteja muito longe de agradar a gregos e troianos, inclusive a mim, absolutamente nada justifica as agressões.

Entre o primeiro evento que menciono, acontecido com Lobão, e este último com o frontman do Restart, já se vão mais de 20 anos e as atitudes lamentáveis não cansam de se repetir. Infelizmente, ainda falta muita educação, respeito e, principalmente, saber que cada um faz sua música como bem entende e que pode sim agradar a um grande público, mesmo que não que não cai no gosto de outro.

Tal comportamento, extremo, violento e perceptivelmente covarde, por se dar em situações onde sua identidade se confunde com o grande público e o comportamento de rebanho se sobrepõe ao individual, de certa maneira é o mesmo que lamentavelmente ainda pode ser visto nos estádios de futebol pelo país a fora. Escondido na multidão o mau caratismo aflora pela certeza da impunidade.

Se o funk, o sertanejo, o Michel Teló, o Restart, o Skank ou Roberto Carlos não lhe agradam, ignore, faça piadas ou faça melhor, critique, questione ou simplesmente aumente, dentro do possível e aceitável, o volume de seu aparelho de som com músicas de seus artistas preferidos, mas não seja um covarde agressor e intolerante. Acima de um músico ou artista, há o ser humano, que até pode crescer e melhorar diante críticas, mas que também pode sangrar com pedras vergonhosamente atiradas.

 

Nos vídeos, os casos mencionados no post.

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Por Renato Silvestre

Apesar dos poucos quilômetros entre a minha casa, em Cubatão, e as praias de Santos, tenho que admitir que estou longe, muito longe, de ser um frequentador da bela orla santista. Todavia, neste domingo, aproveitando-me da presença de parentes do interior de São Paulo que vieram curtir o Litoral no fim de semana, resolvi ir ao local.

Dia lindo e céu azul, mas infelizmente, nem tudo são flores. Decidimos que ficaríamos nas imediações do Canal 3. Como de praxe procuramos uma daquelas barraquinhas que ficam na praia e contam com um vasto “arsenal” de cadeiras e mesas a disposição.

Logo de cara nos deparamos com atendentes extremamente despreparados e com um mau humor visível. Qual não foi a nossa surpresa, quando fomos informados que para usarmos mais do que um espaço (guarda-sol, cadeiras e mesas) teríamos que pagar por isso. Mas a coisa não parou por aí. Minutos depois, como decidimos que ocuparíamos apenas um dos espaços e o restante do que iríamos precisar complementaríamos com material nosso (guarda-sol e cadeira de praia) o mesmo atendente voltou e disse que para ficar ali seria cobrada taxa de 15 reais.  Então, esquecemos o material da barraquinha e ficamos apenas com o nosso.

Todos ficaram indignados, até porque sempre soubemos que o uso de cadeiras, mesas e guarda-sóis dessas barraquinhas se pagava com o próprio consumo no “estabelecimento”. Apesar de não concordar plenamente, vejo isso como o mais justo e correto, porque afinal, a praia é um espaço público e por assim ser não deve ser loteada ou terceirizada. Esses meus parentes costumam vir e frequentar diversas praias aqui na Baixada Santista e ficaram abismados. No sábado, por exemplo, eles estiveram em Guarujá e lá não enfrentaram problemas como esses.

Esse foi apenas um caso, mas, ao menos para mim, foi o suficiente para perceber o quanto ainda falta preparo e capacitação para esses vendedores das praias do nosso litoral. Sei que tem muita gente competente, de boa conversa e que se porta realmente como um amigo do turista, mas o contrário também é verdade. Tenho certeza que esses meus familiares da próxima vez que estiverem por aqui não vão pensar duas vezes para escolher entre Santos e Guarujá. São esses pequenos detalhes que fazem uma grande diferença na hora da avaliação do turista a respeito do destino que escolheu.

Fico triste, pois recordo o quanto era bom quando em minha infância desfrutava com meus pais e meu irmão das praias da Baixada sem nos preocupar com esse loteamento. Levávamos nossos próprios guarda-sóis e cadeiras, podíamos escolher o lugar que mais nos agradava e consumíamos o que a gente queria, comprando de quem queríamos. Enquanto isso, ao nosso lado, muitas outras famílias seguiam rotina semelhante a nossa, muito mais inocente e democrática do que nesses urbanizados e modernos tempos.

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Por Renato Silvestre

Torcer ou informar com correção? Qual é a função do jornalista? A resposta é óbvia, mas em eventos esportivos de grandes proporções esses dois fatores sempre tendem a se confundir. Neste cenário, a transmissão dos Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, realizada pela Rede Record tem se destacado negativamente e comprovado que, em alguns casos, o que é ruim, pode sim piorar.

Narradores berram desesperadamente, exaltam um Brasil vencedor e fazem o máximo para vender uma competição fantástica e de alto nível, quando na realidade, o Pan não o é! Obviamente, para os atletas e como preparação para as Olimpíadas de 2012, essa é uma competição extremamente relevante, mas que não pode ser colocada no mesmo nível de um torneio de caráter mundial. A emoção é sim necessária, mas a coisa tem sido tão forçada que nem um cego pode acreditar naquilo que os profissionais da emissora tentam passar.

Obviamente, essa não é uma exclusividade da Record. A Rede Globo, por exemplo, historicamente, quando se trata de Seleção Brasileira de Futebol, é muito mais paixão do que razão. Símbolo máximo disso é Galvão Bueno, um ótimo narrador, mas que se perde pela paixão muitas vezes descabida e fora de momento. Oras, não acredito que a audiência da emissora seja tão idiota assim, até porque também faço parte dela. Não adianta falar que o time em campo é fantástico, se o que se vê passa muito longe disso.

Na verdade, o que se pode observar é que por questões mercadológicas exalta-se um Brasil fictício que possivelmente atrai maior audiência do que um país ainda muito aquém do que poderia alcançar diante de suas dimensões. Criam-se belas embalagens verde-amarelas, mas que infelizmente, ainda não refletem a real qualidade do produto. Certamente, alguém pode pensar: “Poxa, mas nos Estados Unidos também fazem um grande estardalhaço em volta de eventos esportivos” ou “a Europa também enfeita bastante em suas competições futebolísticas”. Tudo isso é verdade, mas a diferença é que o que se vende é o que se entrega.

A televisão tem a necessidade nata de prender a audiência pelo espetáculo. Informa-se, mas sempre que possível com entretenimento. Compreendo este fato, mas acredito que por vezes a informação por si só também pode ser atraente sem ser apelativa, forçada e, acima de tudo, sem soar como falsa. Seria interessante para todos, que um dia pudéssemos assistir transmissões equilibradas, sem exageros e que tentassem passar com clareza e opiniões realmente isentas os fatos acontecidos. Enquanto esse dia não chega, prefiro baixar o volume da minha TV a fazer meu ouvido de penico!

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Por Renato Silvestre

O universo político é algo realmente fascinante, e assim pode ser tanto positivamente como negativamente. O eterno jogo de interesses, a luta interminável por demarcar territórios, fincar bandeiras e se mostrar melhor, ou em muitos casos, “menos pior” que o outro parece interminável. Todavia, torna-se preocupante quando em meio a tantas peças de diferentes cores soltas no mesmo tabuleiro não conseguimos identificar quem é quem.

Não sou especialista no assunto, mas é conhecido de todos que na história partidária brasileira, em meio ao nebuloso e sórdido período militar, entre 1964 e 1980, existiam apenas duas siglas oficiais, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro ). Enquanto a ARENA reunia os aliados do regime militar, o MDB fazia as vezes da oposição, embora um tanto quanto controlada.

Bem, tínhamos ali posições bem definidas e mesmo que dentro do MDB houvesse diversas vertentes era possível notar diferenças em relação à ARENA. Com a divisão do MDB e abertura do sistema político, outras forças partidárias apareceram e algumas se firmaram, como o PMDB, PT, PTB, PSDB, PV, PSB, PDT entre outras legendas.

Fato é que hoje, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, existem no Brasil 27 partidos registrados. Uma imensidão de siglas, cores e símbolos, mas uma total incapacidade de passar ao grande eleitorado a credibilidade necessária, ou mesmo, a “paixão” pelos ideais defendidos por cada um deles, porque afinal, quais são os ideais de cada partido? Alguém sabe?

Oras, quando nem mesmo o único partido que foi capaz de criar uma identidade sólida conseguiu sustentá-la quando começou a ter o “puder ” nas mãos, o que esperar dos outros. Falo sim do PT, que apesar de ter conseguido inegáveis avanços durante o governo Lula, também se deixou atolar na lama e se ver midiatizado pelo “dinheiro na cueca”, “valerioduto” e tantos outros escândalos.

De repente, os comunistas aparecem no comando da gastança de dinheiro público do Ministério dos Esportes para Copa do mundo e Olimpíadas. Os socialistas falam de economia e esquecem do social. Os democratas não entendem o perfeito sentido da palavra. Os trabalhadores operários se esquecem de sua base. Os verdes desbotam. E eu, assim como grande parte dos eleitores, fico cada vez mais confuso. No meio disso tudo, partidos já manjados mudam de nome, políticos nem tão populares criam seus próprios caminhos. E, pronto, a zorra está formada!

Não sou contra a existência dos partidos. Possivelmente seria louco se defendesse a existência de um equilíbrio no mundo político brasileiro sem a existência das legendas. A tal governabilidade seria certamente mais difícil de ser alcançada do que já é hoje. No entanto, os partidos precisam urgentemente repensar suas estratégias de comunicação e, principalmente, de ação para com a população, porque há uma grande e nítida crise de credibilidade, onde as legendas ficam cada vez mais parecidas aos nossos olhos e na dúvida opta-se por um nome, seja ele qualificado ou não, ficha limpa ou suja, mas fundamentalmente popular. Aí, o resto da história já é conhecido!

Tenho a clara percepção que se faz necessário algum tipo de mudança. É preciso mais clareza, seriedade e parar com essa brincadeira de loteamento de cargos públicos. Afinal, o que vale mais, a competência técnica ou a cor da bandeira? Na minha total desfiliação partidária vejo que aquela legenda que primeiro e melhor se remodelar diante dessas necessidades, além de conseguir reforçar a sua identidade e explicar o propósito de sua existência, não apenas se tornará em uma referência como fará um gigante bem para a sociedade.

Enquanto isso, continuemos assistindo a essa interminável e questionável “metamorfose ambulante” de políticos e partidos. Tão diferentes, mas tão iguais!

Musiquinha só para descontrair..rs!

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Abrindo uma exceção aqui neste espaço, por um motivo justíssimo, publico hoje este vídeo bem bacana produzido pelo Vitaum, membro do comando de greve e técnico do setor audiovisual do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Cubatão(IFSP-Cubatão).

Ele que paralelamente, ocupa as funções de professor de Artes e facilitador de teatro, aborda a questão da greve que acontece neste momento na instituição. É muito bom ver sua lucidez e sua coragem para defender, com argumentos, razão e bom humor, os interesses de sua categoria.

Ok, mas o que eu tenho a ver com isso? Bem, fora o fato de eu ter passado quatro anos e meio dentro dessa unidade de ensino e ter vivenciado outras tantas greves como aluno, também sou cidadão preocupado com a educação de qualidade nesse país!

Bem, é isso!

Mais informações sobre a greve, acessem: http://ifspcubataoemgreve.wordpress.com/

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Por Renato Silvestre

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado ou prestado serviço para empresas privadas com um mínimo de qualidade sabe o quanto planejamento e manutenção são importantes, seja para manter a produção em pleno vapor, seja para evitar retrabalhos e riscos aos trabalhadores. Essa combinação é o que garante a longevidade dos investimentos realizados em máquinas, ferramentas e na estrutura como um todo, assim como, o equilíbrio econômico da empresa.

No entanto, quando atravessamos a fronteira entre o privado e o público a realidade verificada é outra. Falta planejamento e sobra desperdício de dinheiro dos contribuintes. Veja o exemplo do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Em apenas 12 anos esse grande símbolo do futebol brasileiro já foi “reformado” em duas oportunidades – antes do Mundial de Clubes da Fifa, realizado em 2000 e antes do Pan Americano de 2007 –  e agora está novamente em processo de “preparação”, desta vez para para a Copa do Mundo de 2014. Um absurdo financiado com dinheiro do povo sob a justificativa de que o estádio está ultrapassado e que os critérios internacionais precisam ser atendidos. Uma vergonha sem tamanho!

Quando trazemos essa problemática para a realidade de Cubatão, o que vemos não é muito diferente. A Prefeitura irá gastar cerca de 3 milhões de reais em 1,5 Km da Avenida 9 de Abril, com o objetivo de lhe dar uma nova cara. Tudo maravilhoso ao menos no papel. Mais acessibilidade e um embelezamento que é sempre saudável. Todavia, é preciso relembrar que ainda na administração passada outros muitos milhões foram gastos com o mesmo objetivo e no mesmo local. Vejo nessa situação, um mal que está impregnado no comportamento de nossos políticos, que precisam urgentemente descaracterizar tudo o que foi anteriormente feito e marcar a ferro e fogo o seu nome pelas ruas da cidade. Onde está verde pinta-se de vermelho (veja coluna do Raul Christiano no jornal Povo de Cubatão dessa semana), onde o piso é quadrado coloca-se retangular e assim por diante.

Por outro lado, a ausência de planejamento se verifica também na incapacidade dos governos de manter o patrimônio público devidamente conservado. Lembro, por exemplo, de que em minha infância cansei de brincar nos parques de Cubatão, em especial, no Anilinas e no Cotia-Pará, que se não eram grandes maravilhas do mundo ao menos serviam bem a população. No entanto, com o tempo as manutenções no local foram ficando cada vez mais raras e a atratividade dos parques “brochou”. A obra no Parque Anilinas, que está sendo tocada pela gestão municipal atual, é muito bem vinda, mas é preciso que seja feita com qualidade de mão-de-obra e dos materiais utilizados. Além disso, a manutenção periódica  é essencial. Sem isso, toda a beleza de projetos mirabolantes não resistirão ao sopro do primeiro vento mais forte.

Vou deixar bem claro que gosto de ver obras acontecendo, no entanto, o que me deixaria de fato satisfeito seria presenciar uma política que visasse à manutenção do que foi feito de bom anteriormente e que planejasse o futuro independente de partidarismos. E a manutenção nesse caso não é apenas uma força de expressão, falo também do trabalho prático, árduo e diário para manter o que é público em bom estado de conservação. Por vezes, ao menos o que aparenta a quem, assim como eu, não é partidário de X ou Y, e observa a tudo apenas como cidadão, é que ao assumir uma nova liderança supostamente de oposição em um do cargo do poder executivo, automaticamente deixam-se obras de seu antecessor paradas e mesmo as boas realizações passadas apodrecendo, apenas para se gastar mais posteriormente e se garantir a autoria de uma nova obra. É a política do faz de conta, diga-se de passagem, bem útil para enganar e ganhar votos de uma boa parcela do eleitorado que se encanta com o circo, mas se esquecesse do pão!

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