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Archive for agosto \31\America/Sao_Paulo 2011

Por Renato Silvestre

Ela correu, correu, correu e com apoio de uma vara saltou perfeitamente os seus 4,85m, as decepções passadas e todas as dificuldades da prática do esporte em seu país para entrar na história. Essa é Fabiana Murer, não apenas a primeira brasileira a ganhar ouro em mundiais de atletismo como também a primeira atleta tupiniquim a conseguir tal façanha.

Isso mesmo, uma façanha sem tamanho, principalmente, porque ela é fruto do país que irá receber uma Olimpíada em 2016, mas que antagonicamente não conta com um programa eficiente de esforços governamentais para disseminar de fato o esporte para sua população. Continuamos a sina de depender exclusivamente da batalha diária de atletas abnegados e exceções talentosas para se ter o brilho dourado nas mais diversas competições de diferentes esportes.

O fantástico ouro de Murer no 13º Mundial de Atletismo, em Daegu (Coreia do Sul), na última terça-feira, a coloca definitivamente no hall dos heróicos esportistas brasileiros e deve ser parabenizada por isso. Estrelas solitárias que brilham muito mais por si só e pelo apoio dos familiares e alguns patrocinadores, do que por terem sido concebidos em um contexto favorável, digno de ser chamado de “potência olímpica”.

Infelizmente, os olhares governamentais estão muito mais preocupados com a torração de dinheiro público em obras fantasiosas do que com a formação de atletas e, obviamente, cidadãos, na essência da palavra. A prática do esporte, independente de qual seja, além do claro benefício à saúde eleva a capacidade do ser humano em conviver com as diferenças e os “diferentes”, proporciona a sabedoria de saber ser grande na vitória e maior ainda a cada derrota, além de ser educadora quanto à prática do trabalho coletivo e da busca pelo bem comum. Ou seja, valores mais que necessários para a formação de uma sociedade digna e respeitável.

Mais uma vez, fica claro que neste país continental, nas mais diferentes áreas de atuação, o que não faltam são talentos prontos para serem descobertos e lapidados. O que precisa ser feito é pensar o esporte como alternativa de vida, gerando oportunidades e propiciando o desenvolvimento humano da juventude brasileira. Tenho certeza que quanto maior for o percentual de esportistas entre nossos jovens cidadãos, inversamente proporcional será o número de envolvidos com a criminalidade.

Que o gigante salto de Fabiana Murer inspire os detentores do poder público a criar políticas efetivas que vislumbrem um esporte levado a sério nas escolas e universidades, e que o sorriso de campeã estampado no rosto dessa única medalhista de ouro torne-se rotina, não apenas no esporte como nas ruas desse país.

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Por Renato Silvestre

Um trabalho de formiguinha, mas com uma força de gigante. Assim é o projeto Jovens Capacitadores (JOCAP), que é voltado a inclusão de moradores de Cubatão, entre 15 e 29 anos, no mercado de trabalho e primeiro emprego. Com o objetivo de levar qualificação profissional na área administrativa, o projeto proporciona gratuitamente a 54 alunos aulas de Rotinas Administrativas (com módulos de Administração, Contabilidade, Departamento Pessoal e Escritório Fiscal), Informática, Inglês e Dinâmica de Grupo (com foco em comunicação para o trabalho).

Sarah e Rafael, aluna e monitor do Jocap

O JOCAP nasceu em 2009, na Sociedade São Vicente de Paulo, no bairro da Vila Natal, através de um piloto e partindo da necessidade percebida por um de seus atuais monitores, o contador Rafael Max de Souza. Com 13 anos de experiência na área, ele via uma grande lacuna de qualificação entre os jovens da cidade. “No meu escritório, percebia como era grande a dificuldade para conseguir profissionais capacitados. Então pensei em buscar amigos dispostos a trabalhar e desenvolver esse projeto”, recorda Rafael, responsável pelas aulas de rotinas administrativas.

Desde 2010, com o patrocínio da Petrobras, o JOCAP cresceu, conquistou parcerias com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e com a Secretaria de Educação de Cubatão, e tem gerado frutos. No primeiro ano do projeto, entre 40 alunos, 18 ficaram trabalhando no próprio comércio da Sociedade São Vicente de Paulo e cinco conseguiram estágios através do CIEE. “Além da questão da capacitação temos notado uma grande mudança comportamental. Três dos nossos alunos foram até elogiados pelo diretor da escola onde estudam devido à mudança que tiveram. Isso para nós é muito satisfatório”, afirma.

O sucesso do ano passado refletiu na busca por vagas para a turma desse ano. Em apenas dois dias, 160 jovens se inscreveram para o processo de seleção, que incluiu provas de português e matemática. Segundo Eliete Aparecida de Oliveira, pedagoga, monitora das dinâmicas de grupo e coordenadora do projeto, a seleção ajudou a revelar o que os jovens pensam sobre o mercado de trabalho. “Um dos itens do processo seletivo foi uma redação. Verificamos que uma das palavras mais citadas por eles foi ‘oportunidade’. Tudo o que eles querem é ter oportunidade de se especializar, ter uma profissão e trabalhar”, analisa.

A aluna Ione e a coordenadora do projeto Eliete

“Neste segundo ano desenvolvemos um projeto de voluntariado. Como é difícil colocar os jovens no mercado de trabalho, estamos com parceiros que recebem os jovens por um mês para um estágio. Atualmente são quatro alunos trabalhando como voluntários e três profissionalmente”, conta Eliete. Uma dessas voluntárias é a moradora da Vila Esperança, Ione Barbosa Santiago. Aos 19 anos, ela está vivenciando sua primeira experiência no mercado de trabalho, na recepção de uma clínica médica em Cubatão. “Entregava currículos e nada. Todos exigiam experiência. Para mim essa oportunidade foi ótima, estou aprendendo muito e exercitando o conhecimento adquirido no JOCAP”, conta.

Quem também já sente os benefícios proporcionados pelo JOCAP é Sarah Rocha dos Santos, de 18 anos. “Sempre fui muito fechada, não conversava com ninguém. Agora estou interagindo mais com as pessoas. Fiz uma entrevista para o Senai, e fui a única menina entre os 12 que passaram para fazer o curso de Operador de Processos Siderúrgicos. Com a ajuda do pessoal do projeto tudo deu certo”, agradece.

No final de 2011, o projeto que tem suas aulas ministradas na UME Luiz Pieruzi Neto e na Sociedade São Vicente de Paulo ficará sem o patrocínio, por isso os responsáveis já buscam novas alternativas de financiar o trabalho. “Nossa ideia é ampliar o projeto para o próximo ano, aumentando o número de alunos. Estamos em busca de novos patrocinadores, mas o trabalho vem dando tão certo que mesmo que não consigamos vamos dar sequência no projeto por conta própria”, diz Eliete.

Maiores informações pelos telefones 13 3361-6802 e 13 9703-1922 (Rafael), ou através do email ssvpvilanatal@ig.com.br.

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Abrindo uma exceção aqui neste espaço, por um motivo justíssimo, publico hoje este vídeo bem bacana produzido pelo Vitaum, membro do comando de greve e técnico do setor audiovisual do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Cubatão(IFSP-Cubatão).

Ele que paralelamente, ocupa as funções de professor de Artes e facilitador de teatro, aborda a questão da greve que acontece neste momento na instituição. É muito bom ver sua lucidez e sua coragem para defender, com argumentos, razão e bom humor, os interesses de sua categoria.

Ok, mas o que eu tenho a ver com isso? Bem, fora o fato de eu ter passado quatro anos e meio dentro dessa unidade de ensino e ter vivenciado outras tantas greves como aluno, também sou cidadão preocupado com a educação de qualidade nesse país!

Bem, é isso!

Mais informações sobre a greve, acessem: http://ifspcubataoemgreve.wordpress.com/

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Por Renato Silvestre

A cada rodada do Campeonato Brasileiro a cena se repete. Enquanto o Hino Nacional toca nos estádios, torcedores gritam nome de jogadores, de times e, por vezes, esbravejam xingamentos contra os adversários. Um desrespeito enorme e um comportamento muito distante do ideal para uma sociedade que vislumbra ser evoluída e que receberá milhares de turistas em eventos esportivos globais em 2014 e 2016.

A execução do Hino nos estádios, obrigatória em alguns estados brasileiros, como Minas Gerais, Paraná e São Paulo, se tornou um verdadeiro fiasco. Sei que a intenção é positiva, as leis aprovadas e em vigor em cada estado são pertinentes, no entanto, é preciso rever na prática se o objetivo proposto está sendo alcançado.

Fato é que banalizaram o Hino. Poucos se calam ou o cantam diante de sua execução, a postura correta então, esquece! Ninguém lembra mais qual é. Esse belíssimo símbolo nacional, tremendamente bem elaborado, com letra e harmonia perfeitas, ao menos nos estádios de futebol, tornou-se apenas um jingle repetido antes de cada partida por mera formalidade.

Sei que pedir que respeitem a execução do Hino Nacional é muito para uma população que é mal educada desde o berço, seja por famílias tortas seja por escolas desestruturadas. O problema não está somente nessa coisa chamada analfabetismo funcional, mas também em uma falta generalizada de respeito pelos símbolos máximos da terra onde se vive. Talvez porque o próprio país não se dá ao respeito, com seus representantes maiores, aqueles eleitos com nossos votos, dando seguidos maus exemplos, com bizarrices e sujeiras políticas cansativamente repetidas e divulgadas para todos verem.

Faço um apelo aos mesmos políticos que criaram e aprovaram a lei que obriga a execução do Hino Nacional antes de eventos esportivos: Por favor, revejam seus conceitos! Livrem este símbolo brasileiro deste vexame, ele não merece o papel ao qual está sendo colocado. Um papel de coadjuvante, para não dizer de figurante.

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Por Renato Silvestre

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado ou prestado serviço para empresas privadas com um mínimo de qualidade sabe o quanto planejamento e manutenção são importantes, seja para manter a produção em pleno vapor, seja para evitar retrabalhos e riscos aos trabalhadores. Essa combinação é o que garante a longevidade dos investimentos realizados em máquinas, ferramentas e na estrutura como um todo, assim como, o equilíbrio econômico da empresa.

No entanto, quando atravessamos a fronteira entre o privado e o público a realidade verificada é outra. Falta planejamento e sobra desperdício de dinheiro dos contribuintes. Veja o exemplo do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Em apenas 12 anos esse grande símbolo do futebol brasileiro já foi “reformado” em duas oportunidades – antes do Mundial de Clubes da Fifa, realizado em 2000 e antes do Pan Americano de 2007 –  e agora está novamente em processo de “preparação”, desta vez para para a Copa do Mundo de 2014. Um absurdo financiado com dinheiro do povo sob a justificativa de que o estádio está ultrapassado e que os critérios internacionais precisam ser atendidos. Uma vergonha sem tamanho!

Quando trazemos essa problemática para a realidade de Cubatão, o que vemos não é muito diferente. A Prefeitura irá gastar cerca de 3 milhões de reais em 1,5 Km da Avenida 9 de Abril, com o objetivo de lhe dar uma nova cara. Tudo maravilhoso ao menos no papel. Mais acessibilidade e um embelezamento que é sempre saudável. Todavia, é preciso relembrar que ainda na administração passada outros muitos milhões foram gastos com o mesmo objetivo e no mesmo local. Vejo nessa situação, um mal que está impregnado no comportamento de nossos políticos, que precisam urgentemente descaracterizar tudo o que foi anteriormente feito e marcar a ferro e fogo o seu nome pelas ruas da cidade. Onde está verde pinta-se de vermelho (veja coluna do Raul Christiano no jornal Povo de Cubatão dessa semana), onde o piso é quadrado coloca-se retangular e assim por diante.

Por outro lado, a ausência de planejamento se verifica também na incapacidade dos governos de manter o patrimônio público devidamente conservado. Lembro, por exemplo, de que em minha infância cansei de brincar nos parques de Cubatão, em especial, no Anilinas e no Cotia-Pará, que se não eram grandes maravilhas do mundo ao menos serviam bem a população. No entanto, com o tempo as manutenções no local foram ficando cada vez mais raras e a atratividade dos parques “brochou”. A obra no Parque Anilinas, que está sendo tocada pela gestão municipal atual, é muito bem vinda, mas é preciso que seja feita com qualidade de mão-de-obra e dos materiais utilizados. Além disso, a manutenção periódica  é essencial. Sem isso, toda a beleza de projetos mirabolantes não resistirão ao sopro do primeiro vento mais forte.

Vou deixar bem claro que gosto de ver obras acontecendo, no entanto, o que me deixaria de fato satisfeito seria presenciar uma política que visasse à manutenção do que foi feito de bom anteriormente e que planejasse o futuro independente de partidarismos. E a manutenção nesse caso não é apenas uma força de expressão, falo também do trabalho prático, árduo e diário para manter o que é público em bom estado de conservação. Por vezes, ao menos o que aparenta a quem, assim como eu, não é partidário de X ou Y, e observa a tudo apenas como cidadão, é que ao assumir uma nova liderança supostamente de oposição em um do cargo do poder executivo, automaticamente deixam-se obras de seu antecessor paradas e mesmo as boas realizações passadas apodrecendo, apenas para se gastar mais posteriormente e se garantir a autoria de uma nova obra. É a política do faz de conta, diga-se de passagem, bem útil para enganar e ganhar votos de uma boa parcela do eleitorado que se encanta com o circo, mas se esquecesse do pão!

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