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Por Renato Silvestre

No livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, a sociedade retratada é composta por humanos que deixaram de ter significado como pessoas e passaram a valer pelo status, pelo que fazem, pela casta que ocupam. O livre pensar deu espaço ao controle total e a programação de conceitos e princípios artificiais.

Ter ideias ou refletir sobre algo no mundo desenhado pelo autor é algo expressamente proibido. Afinal, deixar que o mundo caminhe por si só “é muito perigoso e pouco lucrativo”. Toda a transformadora imprevisibilidade humana é abolida.

Em certa medida, podemos considerar a sociedade desenvolvida por Huxley como um verdadeiro campo de refugiados pós-moderno. Se no campo de refugiados as crianças já nascem com o fardo da miséria, da ausência de um lugar pra si, em Admirável Mundo Novo, a certeza do lugar previamente programado anula a existência do ser.

A sociedade programada e hiperestruturada define de maneira artificial a identidade das pessoas. Com identidades construídas cientificamente tornam-se nada mais do que peças do maquinário econômico e governamental. Como peças que são, se anulam enquanto seres humanos, para se tornarem coisas.

Trazendo à nossa realidade, vemos que infelizmente este processo de coisificação é algo recorrente na história da humanidade. Afinal qual era o olhar europeu com relação aos índios brasileiros nos anos seguintes ao “descobrimento”? Como os africanos eram vistos durante séculos de exploração e escravidão? E a Alemanha nazista, como tratava os judeus em seus campos de concentração?

De outra forma, mas não menos preocupante, é a maneira com que se desenvolvem os relacionamentos atualmente. Posso parecer piegas ou antiquado, mas vejo que há um olhar tremendamente tecnicista, que transforma pessoas em objetos.

Para muitos, atribuições como altura, peso, cor do cabelo, da pele, do olho, ou ainda, o tamanho das nádegas, são vistos não como proporções naturais do corpo, mas sim, como acessórios, como opcionais de um carro ou qualquer outra coisa. Na impossibilidade de ter o “produto” da forma desejada, trocam-se os acessórios ou devolve-se o produto. Será que temos data de validade também?

Expostos como em gôndolas dos supermercados, vivemos tentando mostrar que temos atributos melhores do que os demais. Tudo é muito veloz! Sem tempo para refletir, melhorar, planejar, o que vale é o imediatismo tolo, que prefere ter a sombra passageira das primeiras impressões do que a essência do ser, da sonhada realidade.

Em uma das definições de Marc Augé sobre o que são “não-lugares” ele diz que “são lugares onde não se inscrevem relações sociais duradouras”. Oras, se “coisificados” estamos, visivelmente classificados como produtos em vitrines, com a crescente dificuldade de viver em comunidade e a falência da família como estrutura formadora e pilar da sociedade, já não estaríamos, tal qual as personagens de Admirável Mundo Novo, vivendo em um grandioso “não-lugar”?

Vale a reflexão!

(texto originalmente publicado em http://admiraveltecnomidia.wordpress.com )

Por Renato Silvestre

Os perfis nas redes sociais digitais e, em especial, no Facebook são reflexos tecnológicos das pessoas reais ou o que se vê virtualmente não é mais do que mera ilusão?

Coloco este questionamento, pois navegando por esse universo é fácil notar que as pessoas por detrás de cada perfil criam, ainda que involuntariamente, um mundo paralelo, repleto de relacionamentos artificiais e de uma simbologia própria, que desconstrói o EU real para “montar” a personagem bacana, antenada e fictícia, vista por todos na rede.

Obviamente, esse que vos escreve não é uma exceção. Todos tendemos a querer externar publicamente apenas aquilo que tende a agradar a maioria, ou a maior parte de nossos contatos. Até mesmo os momentos de tristeza ou decepção ganham ares glamourizados, com frases de efeitos a espera do maravilhoso “curtir” dos amigos virtuais. Os momentos de tristeza do proprietário do perfil passam longe daquele vivido em carne e osso.

Por que isso acontece? Talvez porque cada vez mais a naturalidade dos sentimentos, sejam eles bons ou ruins, deixa de existir nesse mundo alternativo e tecnológico da internet. É preciso se enquadrar em um padrão pasteurizado onde todo mundo é legal, todos vivem felizes, todos viajam para inúmeros lugares, todos realizam sonhos, compram coisas da moda e convivem em uma eterna harmonia com seus amigos. Não, meus caros, infelizmente, o mundo real não é assim!

Obviamente, sempre há, sob a pena de ser ridicularizado ou ter seu perfil e publicações deletados ou ignorados, aqueles que tentam nadar contra essa avassaladora corrente e buscam colocar na rede digital aquilo que realmente pensam e são, no entanto, temos de convir que ser minoria e defender os direitos da minoria é missão bem complicada e, redundantemente, para poucos.

Neste contexto, há, por parte dos usuários de redes sociais digitais, o nítido uso de uma máscara social adaptável e agradável aos padrões da maioria. Gostos, preferências e imagens são cuidadosamente selecionados para seduzir. Um jogo de sedução que não tem nada a ver com amor, mas sim, com status. Afinal, ainda que impraticável, quem não gostaria de “ter um milhão de amigos”?

A construção desse EU “facebookiano” passa pela loucura da popularidade, atravessa o campo da superexposição e chega aos limites infundados da negação de seus próprios princípios. É um processo complexo e perigoso de obtenção de poder e de aumento de visibilidade a qualquer custo, onde não importam os vínculos concretos, mas sim, números de compartilhamentos.

Como extensão de um realidade física, as rede sociais digitais ganham espaço na vida das pessoas de forma crescente. Conversas de bar tornam-se papos online. Um abraço perde o significado e é substituído por um “curtir”. O compartilhamento de ideias e ideais (ainda que vazios) são instantâneos e realizados a base cliques.

E assim, os relacionamentos interpessoais perdem espaço para os virtuais, enquanto um universo ficcional, muito mais fácil e adaptável, vai sendo rapidamente processado e melhorado para suportar apenas o que é belo, perfeito, previsível e “irreal”.

“Ford está no seu calhambeque. Tudo vai bem pelo mundo!” (HUXLEY, p.57).

(texto originalmente publicado em http://admiraveltecnomidia.wordpress.com)

(texto originalmente publicado em http://admiraveltecnomidia.wordpress.com)

Por Renato Silvestre

“Um bom computador e um carro veloz pra me manter distante de mim”. Esse verso que inicia a canção “Zero e Um” da banda capixada de hard core, Dead Fish, retrata um pouco do espírito do nosso tempo. Um tempo onde o Ter e Parecer corre o risco de tornar-se mais relevante do que Ser.

Nesse tempo de computadores portáteis, celulares magníficos e redes sociais digitais que fascinam e conectam pessoas ao redor do Planeta, em velocidades cada vez maiores, a tecnologia deixa de ser um mero suporte físico aos anseios de criação humanos. Em certa medida, a tecnologia deixa de ser meio e passa a ser o fim, ou o princípio dele.

O convívio social, outrora, fundamental para o processo de autoconhecimento do ser humano é substituído pelo isolamento frente a telas cada vez mais finas. Mesmo quando acompanhados parecemos cada vez mais distantes uns dos outros, distantes de nós mesmos. Ou será que ninguém nunca viu pessoas sentadas à mesma mesa dialogarem mais com seus celulares do que com quem está a sua frente? Ou famílias inteiras mais atentas à novela que colore a TV do que a vida de seus próprios “entes queridos”?

Há uma aflição que paira nesse nosso poluído ar pós-moderno. Uma aflição que se confunde com o deslumbramento diante da “admirável” tecnologia que construímos.

O filósofo tcheco Vilém Flusser já alertava para esse risco constante da criatura tornar-se mais importante do que o criador, fazendo deste um funcionário/dependente de forma extrema do outro.

Estaríamos correndo este risco ou essa seria apenas parte de nossa “evolução” como espécie?

Não é simples responder a esse questionamento, pois a mesma tecnologia que aprisiona também pode libertar, se for usada com sobriedade.

Um exemplo claro disso aconteceu durante a conhecida “Primavera Árabe”, no início de 2011, onde uma onda de manifestações contra os governos ditatoriais em países do norte da África e do Oriente Médio se alastrou e ganhou força por meio de redes sociais digitais como o Facebook e o Twitter. O resultado imediato foi a ganho da atenção mundial, a pressão política e a consequente queda de ditadores como Zine el Abidin Ben Ali e Hosni Mubarak, que se permeavam no comando dos países por 23 e 30 anos, respectivamente.

Por outro lado, esse avanço tecnológico nos faz passar por um tempo de transição, um tempo que causa estranhamento e que é capaz de criar “não lugares” (brincando com o conceito do francês Marc Augé) até nos lugares mais improváveis, como a nossa casa ou nossa família, pois se não há vivência, sentimento de pertencimento, interação e, principalmente, vínculos reais e humanos o “lar doce lar” vira pó tecnológico.

Se fazemos parte de um gigantesco rebanho de um “Admirável Gado Novo” – parafraseando a música de Zé Ramalho – e se estamos presos a loucura do consumismo de quem sempre quer o “Admirável Chip Novo” – recordando a canção da baiana Pitty –, só o tempo poderá confirmar. No entanto, o que vejo que é que esse “povo marcado e feliz” ainda continua extremamente preso ao poder do talvez imutável “pense, fale, compre, beba”, que desumaniza e programa a humanidade para seguir nessa eterna correria cotidiana, cada vez “mais rápido”!

Fica a reflexão: “Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição!”, Aldous Huxley.

Voltado a crianças do 5º ano do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino, o projeto visa resgatar a importância histórica de Cubatão e promover a conscientização ambiental

Resgatar a importância histórica e cultural da cidade de Cubatão (SP) e despertar o interesse das crianças cubatenses pela cidade onde vivem, além de promover a conscientização ambiental. Esses são os principais objetivos do projeto “Vida e História de Cubatão - Voluntários do rio II”, que será lançado no próximo dia 16 de março, às 15h, no Bloco Cultural de Cubatão, pela Carbocloro em parceria com o seu Conselho Comunitário Consultivo (CCC).

“Voltado aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da rede pública de Cubatão, o projeto nasceu da necessidade de criar ferramentas educacionais atrativas para levar às crianças de Cubatão uma nova forma de ver a cidade onde vivem, promovendo a valorização da história, da cultura e do meio ambiente”, explica Daniel Ravanelli, coordenador do projeto e membro do CCC.

Durante o projeto, que promoverá atividades até o fim do ano letivo de 2012, as crianças de Cubatão poderão participar de uma série de ações gratuitas e exclusivamente pensadas para esse trabalho. Os alunos receberão cartilhas, assistirão a um filme que retrata a história e o desenvolvimento de Cubatão, e participarão de um passeio de barco pelos rios da cidade.

Para Marcio Abreu, diretor Industrial da Carbocloro, desenvolver projetos voltados para crianças é algo fundamental para preservar a história, a cultura e o meio ambiente, já que serão elas as responsáveis pelo futuro da cidade de Cubatão. “O projeto torna-se ainda mais relevante por tratar destes temas de forma lúdica para aqueles que serão seus defensores no futuro, ou seja, as crianças. Acreditamos que é por meio de projetos como esse que daremos continuidade ao processo de melhoria da imagem da cidade, ao mesmo tempo em que trabalhamos a autoestima dos cubatenses”, destaca Abreu.

O projeto, foi desenvolvido através da Lei de Incentivo a Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura e a previsão é de que cerca de 1600 alunos sejam beneficiados pela iniciativa.

As escolas interessadas em participar do projeto devem fazer o agendamento das turmas por meio do site http://www.historiadecubatao.com.br ou através do email historiadecubatao@gmail.com

Atividades

Entre as atividades, haverá a exibição do filme “Cubatão Nota 10”, que inclui opção de audiodescrição para atender as crianças deficientes visuais. Com duração de 30 minutos e utilizando animação e imagens reais de Cubatão, o filme apresenta Jenifer Alcantâra, uma menina cubatense que precisa entregar um trabalho escolar sobre a cidade e acaba participando de uma história fantástica, por meio da qual faz uma viagem histórica por Cubatão e descobre o que a cidade tem de melhor.

Outra atividade do projeto é um passeio de barco com duração de 50 minutos. O trajeto prevê quatro paradas onde serão abordados temas como localização geográfica, vida da população ribeirinha, fauna, flora e conscientização ambiental.

Ao longo do passeio, os alunos preencherão as atividades da cartilha “Vida e História de Cubatão – Juntos, fazendo uma
cidade nota 10!”, que contém brincadeiras e curiosidades sobre a história, a cultura e o meio ambiente da cidade. O conteúdo da cartilha, além de ser trabalhado com os alunos durante as atividades do projeto, poderá servir como material de apoio para as aulas temáticas sobre a cidade.

Ao final, os alunos participarão de uma gincana de desenhos, onde poderão expor o que viram e aprenderam durante as atividades do projeto. Todas as atividades, com exceção da gincana de desenhos, serão realizadas na Náutica da Ilha, na Ilha de Caraguatá, em Cubatão, contando sempre com a supervisão de monitores devidamente treinados.


Por Renato Silvestre

Apesar de toda a aspereza cotidiana da grande metrópole, há momentos onde o cinza dos prédios e das ruas são invadidos por cores únicas e suavemente comoventes.

Um leve sorriso no rosto, quase que sacana, pode até passar despercebido, mas denuncia uma felicidade presente e diferente dos demais dias. Entre esbarrões no metrô lotado e a pressa de um relógio que quase sempre atrasa, ainda que adiante, um singelo presente carregado nas mãos ajuda a desabrochar um lado diferente do ser e de todo seu entorno.

Inegável também é a certeza de que nem todas que empunham tal doce elemento estão, de fato, alegres por o terem recebido. Algumas até trocariam o presente pelo valor referente à aquisição do mesmo. Puro capitalismo, pura loucura cotidiana que transforma nossos espíritos, nos endurece e nos leva a cegueira, ou quem sabe, pura necessidade.

Há ainda a mentira e a hipocrisia de quem dá com uma mão para comover, enfraquecer e em segundos tomar tudo de assalto. Uma pobreza de caráter inaceitável.

No vai e vem de pessoas, desejos e sentidos, flutuantes e quase que insignificantes, as flores, em grande parte vermelhas, ajudam a iluminar o sombrio e gélido mundo das grandes corporações, das enormes economias, dos sapatos engraxados e gravatas perfeitamente alinhadas. Por um dia, apenas um dia, toda a frieza da gigantesca cidade, que reduz cada um dos seus a seres ainda menores do que grãos de areia, de certo modo ganha um colorido revigorante.

O cinza de outrora, ao menos nesse dia forçadamente escolhido para homenageá-las, perde todo o sentido, assim como não faz sentido ver apenas em um dia a razão para a existência de tão belo ser. Por um momento, ruas, avenidas e prédios se tornaram mais vivos. Mulheres desfilaram por passarelas de concreto e alegraram a palidez existente. Por instantes, flores tomaram o lugar de Ipods, Ipads, Iphones e toda essa viciante parafernália tecnológica. Ao menos por um dia, um mísero, mas diferente dia, ninguém pode deixar de reparar nas flores, pequenas e necessárias porções alucinógenas de alegria!

No outro lado da rua

A dor ainda não havia cessado, o impacto do dia anterior era sufocante, mas nada o poderia tirar dali. Enquanto carros apressados passavam e alguns buzinavam em sinal de apoio, ele continuava sustentando a razão do seu ser, o direito de ir e vir em segurança, o sonho de viver sem que de repente, sem mais nem menos, fosse violentado por um caminhão, ou quem sabe, um ônibus desgovernado.

Pessoas ainda tentavam entender o que havia acontecido. Outras, simplesmente, ao olhar para o local faziam suas preces. Vez ou outra, curiosos se aglutinavam e sacavam dos bolsos e bolsas seus celulares fotográficos, afinal, por que perder esse clique?

Curiosamente, todo o barulho daquele trânsito infernal de pessoas e veículos parecia silenciar conforme se aproximava do fatídico ponto. Um respeito e uma comoção que humanizava a mecânica e digitalizada avenida. A poucos metros dali, aos pés do homem que defendia justamente suas ideias e assim garantia o direito de todos, começava a se formar um enorme emaranhado de sensações e preces.  Em cada pétala uma oração, em cada flor uma vida.

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Texto inspirado nas flores recebidas pelas mulheres no Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e naquelas deixadas em uma grade próxima ao local do acidente que vitimou fatalmente uma ciclista na Avenida Paulista em São Paulo, em 2 de março.  

Bela iniciativa das meninas do http://oitavocanal.com.br

Parabéns mesmo!

Quem puder participar, participe!

Aproveitem, acessem e conheçam esse ótimo blog.

Leiam a segunda parte da entrevista com o secretário de educação de Cubatão, Fábio Inácio.

Por Renato Silvestre

 

– De maneira geral, que tipo de estímulo à capacitação e a atualização os professores de Cubatão recebem da Prefeitura Municipal?

Temos o Centro de Apoio Pedagógico e Formação Continuada, onde realizamos cursos como o Ler e Escrever, Alfabetização Matemática, formação do CEALE, entre outros. Temos parcerias importantes na área de formação de professores como o Instituto Avisalá, para a Educação Infantil, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e o Gestar II, uma formação em Matemática e Língua Portuguesa voltada aos professores do Fundamental II.

– Como está sendo tratada a questão da violência nas escolas da cidade, que em outubro passado, ganhou repercussão nacional com o caso ocorrido Unidade Municipal de Ensino Bernardo José Maria de Lorena?

Em geral, o número de casos de violência nas escolas municipais é muito baixo. O caso do Lorena não é comum. Apenas ganhou destaque na imprensa, pois um aluno filmou pelo celular, mas na escola ocorrem várias coisas positivas, como por exemplo, o fato de um aluno ter sido premiado em um concurso de um jornal da região cujo o tema era o combate à violência. Ou mesmo o fato da escola ter sido a que mais aprovou alunos de Cubatão na Escola Técnica Federal. Isso não significa que não trabalhamos o tema da violência e do bullying. Temos orientadores educacionais comprometidos com o trabalho nas unidades de Ensino Fundamental. Há também um trabalho sendo desenvolvido pelo Centro de Apoio Pedagógico – o Educar para a Paz. Vale destacar também a oportunização de outras atividades aos estudantes no contraturno escolar, com o Programa Escola Legal, e o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas que ajudam a combater a violência.

- Considerando as novas áreas populares que estão sendo criadas na cidade com a remoção de parte da população da região da Serra do Mar, como está sendo o processo de remanejamento de vagas nas escolas da cidade? Há vagas para todos?

Esse é um grande trabalho. Estamos no processo de matrículas. A região já recebeu duas novas escolas: uma administrada pelo Município e outra pelo Estado. O governo estadual está construindo outras duas no Bolsão 9. Com a conclusão dessas duas unidades e adequação do atendimento, teremos vagas suficientes para o Ensino Fundamental.

- Como educador, de que forma avalia a inexistência de uma universidade pública em Cubatão?

Toda cidade quer ter uma universidade pública, mas o processo de construção, ou melhor, de implantação, é bastante complexo. Tivemos no passado a oportunidade de ter a POLI-USP e, infelizmente, os gestores da época desperdiçaram a chance de mantê-la. Depois disso, tudo ficou mais difícil. Para voltar a Cubatão, a USP colocou exigências que praticamente inviabilizavam a sua instalação. Em Santos, o Estado deu o prédio. Não exigiu contrapartida financeira. Em Cubatão foi exatamente o contrário. Tínhamos que dar tudo. A Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nos obriga a priorizar a Educação Básica, que vai da creche ao nono ano do Ensino Fundamental. Portanto, só poderemos atuar no Ensino Superior quando conseguirmos atender plenamente este nível de ensino. Já atendemos 100% do Ensino Fundamental e 100% da Pré-escola, mas falta ainda o atendimento pleno na creche. Quando assumi, tínhamos cerca de 800 vagas. Hoje, atendemos mais de 2.600 crianças. Mas ainda temos que avançar mais. A administração tem feito contato com a Universidade Federal do ABC e a Unifesp, na tentativa de trazer um campus para a Cidade, já que com as estaduais a situação está mais complicada. Isso se dá devido à UNESP já ter um campus em São Vicente, a USP estar chegando a Santos (inclusive, segundo informações, eles estão com dificuldades com relação ao local). Além disso, a Unicamp não implanta campus foram da região de Campinas. Claro que como educador e uma pessoa que estudou em Universidade Pública, seria para mim um sonho realizado. Mas por enquanto vamos continuar lutando por isso.

- Quais são os seus principais projetos futuros dentro da Secretaria de Educação?

Bom. Hoje quero consolidar as políticas públicas que já foram implantadas, terminar as tarefas que foram iniciadas e fazer a transição do cargo, pois no dia 30 de março tenho que sair do governo para concorrer a uma vaga na Câmara nas eleições de 2012. Estou deixando a pasta, mas saio muito feliz pelo respeito de todos os professores, diretores, equipes, que sempre me trataram com muito respeito. Feliz também por toda minha equipe, que trabalhou muito, e, em especial, feliz pela confiança que a prefeita Marcia Rosa teve ao me nomear para essa tarefa. Agradeço à minha família, em especial à minha filha e à minha esposa que tiveram que suportar as minhas ausências e todas as tarefas que o cargo exige, ainda mais quando trabalhamos muito, ficamos várias vezes até dez, onze horas da noite na Prefeitura, trabalhando bastante. Isso exigiu um sacrifício familiar muito grande, mas compensou pelo belo trabalho realizado nas escolas e pelo reconhecimento da população.

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